Não seria um despropósito o Exército punir o general Pauzello, sem ter punido o general Mourão?

Mourão transgrediu as regras, porém jamais foi punido

Carlos Newton

As questões políticas sempre têm versões diversas, de acordo com o ponto de vista de cada observador. Como ocorre no futebol e na religião, cada um sempre dá um jeito de justificar sua opinião. E só há uma maneira de chegar à conclusão verdadeira – ater-se aos fatos, não levar em consideração nada além dos fatos.

No caso do general Eduardo Pazuello, já está mais do que claro haver desrespeitado normas do Estatuto e do Regimento do Exército. Eis um fato concreto, a significar que o oficial superior merece ser punido na forma da lei, pois essas regras têm força de lei. Porém…

POSSÍVEIS ALEGAÇÕES – Porém, em sua defesa, Pazuello alega que há atenuantes, porque foi convidado a participar do ato público pelo próprio presidente, que é hipoteticamente comandante-em-chefe das Forças Armadas, embora essa condição só seja realmente assumia em tempos de guerra.

Poderia alegar também que, embora seja sete anos mais novo, é amigo do presidente há décadas, desde quando estiveram juntos no Curso da Brigada de Infantaria Paraquedista, e sempre foi seu eleitor.

Com certeza, são fatos, mas se revelam sem força suficiente para evitar uma punição, que é da competência exclusiva do comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, de quem não é amigo, a não ser que… 

A ÚNICA SOLUÇÃO – Bem, a situação fica num impasse parabélico, com estrelas piscando de todo lado, a não ser que o general Pazuello tenha um mínimo de lucidez e siga o exemplo do também general Hamilton Mourão. Ao comandar o Exército do Sul, Mourão não perdia oportunidade de esculhambar o governo Dilma Rousseff, dizendo que não tinha o menor planejamento etc. e tal.

Mas extrapolou em 2015 ao dar declarações elogiando o sinistro coronel Brilhante Ustra, que chefiava as torturas e execuções de presos políticos. Ao invés de puni-lo, o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, seu amigo pessoal, transferiu Mourão para um cargo burocrático (Secretaria de Economia do Exército), mas não adiantou nada;

Na época, assisti a uma palestra dele no Clube Naval, em Brasília, na qual esculhambou a presidente Dilma. Ao final, quando ele saiu para fumar um cigarro na varanda, fui atrás, identifiquei-me como jornalista e perguntei se poderia publicar suas críticas, e ele respondeu: “Pode publicar à vontade, o que penso desse governo é isso e muito pior”.

PALESTRA NA MAÇONARIA – Poucos meses depois, Mourão vestiu o uniforme de gala e fez um pronunciamento na Maçonaria, defendendo a possibilidade de uma intervenção militar. Foi um escândalo, é claro. Para não puni-lo, o comandante Villas Bôas pediu que passasse para a reserva, e Mourão aceitou.

Agora, é a vez do Pazuello. Por vaidade, ambição e amizade ao presidente, ele se transformou em bode expiatório dos erros de Bolsonaro na pandemia. No lance de “um manda e outro obedece, transformou-se numa figura ridícula, um mero vassalo, sem direito a opinião e a livre arbítrio.

Por mais que seja exigida uma punição, isso não acontecerá, porque Pazuello vai pedir passagem para a reserva e ganhar direito à mesma impunidade conferida ao general Mourão. É um direito seu.

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P.S.Afinal, não seria um despropósito o Exército punir o general Pauzello, sem ter punido o general Mourão, que agora é subcomandante-em-chefe das Forças Armadas? Claro que sim. (C.N.)

10 thoughts on “Não seria um despropósito o Exército punir o general Pauzello, sem ter punido o general Mourão?

  1. Claro que não. Qual é a lógica?
    Desde o mensalão, qq ação, pronunciamento ou acusação que seja contra o PT, pode e tem todo apoio da mídia, incluindo está TI. E foi o caso do gen Mourão que era o ventriloco do Vilas Boas.

  2. Não é despropósito. A repetência de erros do Passado jamais justifica os erros no Presente. Aliás, quem não aprende com os erros cometidos poderá repeti-los ad aeternum, institucionalizando-os.

    • “é amigo do presidente há décadas”.
      Ué, é oficial agora? Ser amigo do rei te livra a cara? Que tal um pouco de maturidade e tentar entender o que representam as instituições num Estado moderno?

  3. O meu pai dizia que as forças Armadas jamais perderam uma só batalha contra o Tesouro Nacional,. E com este espírito parece que as Forças Armadas ainda vivem, pensando sempre no bem do Brasil mas no delas primeiro. Então não há razão para cortar na própria carne.

  4. Caro C.N

    Você esta esquecendo que os tempos são outros.

    Bolsonaro foi eleito para “limpar” o pais, eliminar todas as malandragens, combater ferozmente a corrupção e os privilégios, etc, etc, etc.

    Com isto a única coisa que não deveria fazer é fazer o mesmo que o PT fez.

    Certamente, Bolsonaro, excelente militar, defensor e cumpridor ardoroso da disciplina absoluta e respeito ao manual, punirá Pazzuelo.

    Deve envia-lo para uma academia, por exemplo , para nao ser general motivo de piada….(general gordinho)

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