Não só Elias Maluco passou dos limites

Sebastião Nery

Assis Chateaubriand estava comandando a festa da inauguração do Museu de Arte de São Paulo. Governador, ministros, todo o grand monde intelectual e político. Convidada especial, a duquesa de La Rochefoucauld. Gentil, Chatô tratava a velha senhora com todas as mesuras. De repente, percebeu-a cansada:

– “Asseyez-vous, madame”( sente-se, madame).

A duquesa não entendeu nada. Chatô repetiu alto, em seu tosco e rouco francês da Paraíba. A duquesa, de pé, exausta, olhava Chateaubriand aflita. Ele chama Joaquim Pinto Nazário, diretor de redação do Diário de São Paulo:

– Meu filho, venha cá. Como vai o seu francês?

– Mais ou menos, doutor Assis.

– Ela não está entendendo meu francês. Manda esta macaca sentar. A macaca sentou.

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A MANCADA DA MACACADA

Vejam que magnifica mancada da macacada. George Soros, patrão de Armínio Fraga e guru da agiotagem internacional, numa palestra para 500 alunos e professores da “London Business School”, em 2002 propôs “um plano de salvação internacional para tirar o Brasil da crise:

– Os quatro grandes bancos centrais do mundo ( o americano, o europeu, o inglês e o japonês) garantiriam a renegociação dos títulos brasileiros a juros menores, de 1,5%, em vez dos 18% atuais pagos pelo País. Nenhum país consegue refinanciar sua dívida a 18% em dólar, é insustentável”.

Mas o sistema de som estava ruim, falhando, e ele reclamou, falou em “fault”(falha). Jornalistas brasileiros, urubus atrás da carniça nacional, logo entenderam que ele falava em “default”(calote) da dívida, se Lula ganhasse. Soros percebeu a mancada e ficou aflito:

– “Eu não usei essa expressão. Por favor, não me atribuam isso. Não quero influenciar o processo no Brasil”.

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O ÁLCOOL E O INGLÊS

Em cima do lance, a “Folha” mandou Clovis Rossi a Nova York, para arrancar uma entrevista de Soros sobre as eleições brasileiras. Rossi esteve com ele em um jantar e voltou com quatro palavras ( “ou Serra ou o caos”), que a “Folha” turbinou numa coluna e numa página inteira, dizendo que Soros tinha dito que “Lula seria o caos e o Brasil viveria o caos se não elegesse Serra”. Soros desmentiu, negou, disse que não deu entrevista, que não disse, e atribuiu tudo ao álcool: – “Bebemos muito”. Pode ter sido também o inglês que falaram.

Em seguida, a história quase se repete, presenciada e contada pela Cássia Maria Rodrigues, correspondente de “O Globo” em Londres. Como do francês de Chateaubriand, a imprensa brasileira tem que cuidar do álcool e do inglês.

Na mesma época (junho de 2002), Fernando Henrique disse aqui no Rio que Elias Maluco, Fernandinho Beira Mar e a bandidagem “passaram dos limites”.

Não foram só eles. O terrorismo da campanha de Serra, o álcool e o trôpego inglês da imprensa, também. São mais devastadoras para o país do que a espada assassina de Elias Maluco e os celulares de Fernandinho Beira Mar.

 

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