Nessa crise, a falta que faz Carlos Castelo Branco, um dos maiores jornalistas brasileiros

Via de regra e o dia em que Carlos Castello Branco puxou as orelhas de Paulo Francis - Jornal Opção

Castelinho, um grande comentarista da política brasileira

José Carlos Werneck

Como faz falta nestes dias confusos vividos pelo país o texto direto, através do qual o jornalista Carlos Castelo Branco analisava com uma precisão cirúrgica os acontecimentos da política brasileira. Seu texto era brilhante, conciso, direto, prendia o leitor do princípio ao fim.

Em sua “Coluna do Castelo”, publicada durante 31 anos no igualmente saudoso “Jornal do Brasil”, esse grande jornalista retratava de maneira extremamente precisa tudo o que de mais importante acontecia no Brasil.

ADVOGADO E JORNALISTA – Carlos Castelo Branco nasceu em Teresina no dia 25 de junho de 1920. Sua família mudou-se para Minas Gerais. Em março de 1939 ingressou Faculdade de Direito de Belo Horizonte.

Ainda acadêmico começou a trabalhar como repórter de polícia no jornal “O Estado de Minas”, integrante dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, onde foi subsecretário de redação e ligou-se à nova geração de escritores e intelectuais mineiros, como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Autran Dourado, Otto Lara Resende e Hélio Pelegrino.

Bacharelou-se em 1943 e, logo em seguida, abriu um escritório de advocacia. Pouco depois, desistiu da profissão para dedicar-se definitivamente ao jornalismo. Permanecendo como secretário em O Estado de Minas, expandiu suas atividades na área da imprensa e, em 1944, tornou-se secretário da Agência Meridional de Notícias, em Belo Horizonte, também pertencente aos Diários Associados.

JUNTO À UDN – Com o processo de redemocratização do Brasil em 1945 e o surgimento de novos partidos políticos, aproximou-se da União Democrática Nacional (UDN). Embora vinculado às principais personalidades mineiras que organizaram o partido no Estado, não chegou a se engajar politicamente na legenda.

No mesmo ano foi convidado por Carlos Lacerda para trabalhar no Diário Carioca e transferiu-se para o Rio de Janeiro. No entanto, quando se apresentou no novo emprego, Lacerda já havia deixado a direção do jornal e, por isso, não foi admitido. Pouco depois, por intermédio de Neiva Moreira, que trabalhava nos Diários Associados, foi contratado como subsecretário de O Jornal, órgão líder da cadeia, chegando a ocupar o cargo de secretário-geral.

Mais tarde foi indicado por Assis Chateaubriand para executar outras tarefas em diversos órgãos dos Diários Associados, tendo promovido em 1947, após três meses de trabalho em Belém, o relançamento do jornal A Província do Pará. De volta ao Rio, foi secretário do Diário da Noite durante alguns meses.

OUTROS TRABALHOS – Em 1948 deixou o cargo de secretário em O Jornal para trabalhar como analista de política no mesmo órgão. Nesse período começou a publicar colunas assinadas e a intensificar seus contatos políticos, o que lhe permitiu adquirir um maior conhecimento da realidade nacional.

Em 1950 foi convidado por Pompeu de Sousa para trabalhar como editor político no Diário Carioca, recém-remodelado, onde criou uma coluna intitulada “Diário de um repórter”.

 Em 1953 começou a trabalhar como editor na Tribuna da Imprensa, de propriedade de Carlos Lacerda, e tornou-se Correspondente político da Folha de S. Paulo e colaborador de O Estado de S. Paulo. Em setembro de 1953 deixou a Tribuna da Imprensa para organizar, ao lado de Neiva Moreira, a seção política da revista O Cruzeiro.

MORTE DE VARGAS – Após o suicídio de Getúlio Vargas e a posse do vice-presidente João Café Filho na presidência da República em agosto de 1954, foi convidado por Odylo Costa, filho, recém-nomeado diretor do jornal A Noite, das empresas Incorporadas ao patrimônio da União, para assinar a seção política. Aceitou a proposta, e continuou a manter as atividades que realizava anteriormente em outras empresas jornalísticas.

Com a deposição de Café Filho em novembro de 1955 e a saída de Odylo Costa, filho da direção do A Noite, deixou suas funções no jornal. Castelo Branco exerceu a profissão ao longo dos governos de 13 presidentes e da vigência de três constituições (as de 1946, 1969 e 1988).

Quem quiser saber tudo sobre a vida de Carlos Castelo Branco, membro da Academia Brasileira de Letras, deve ler “Todo aquele imenso mar de liberdade”, livro de Carlos Marchi, que mostra a trajetória desde grande jornalista brasileiro, que morreu com 72 anos, no Rio de Janeiro, em 1º de junho de 1993.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNosso grande amigo Carlos Chagas costumava recordar uma ocasião em que o então presidente Castelo Branco comentou com o jornalista sobre uma notícia publicada em um jornal uruguaio, que colocava Castelinho como “filho do presidente”. Em tom sério, relatava Carlos Chagas, Castelinho disse ao marechal presidente que o jornal estrangeiro o qualificara como “o maior colunista do Brasil, filho do ditador de plantão”. (C.N.)

6 thoughts on “Nessa crise, a falta que faz Carlos Castelo Branco, um dos maiores jornalistas brasileiros

  1. O jornalista Carlos Castelo Branco está fazendo falta, mesmo Werneck. Lia sempre seus artigos no Jornal do Brasil comandado pela Condessa Pereira Carneiro e depois por Nascimento Brito.
    Gostaria de citar também, dois articulistas do JB, que eram sensacionais: Tristão de Atayde e Barbosa Lima Sobrinho. O Brasil é um celeiro de jornalistas e escritores que detém uma vasta Cultura.
    Incentivado por Hélio Fernandes, passei a ler também os Cadernos do Terceiro Mundo, dirigido pelo maranhense Neiva Moreira. Neiva entrou no PDT de Leonel Brizola ajudando o pai dos CIEPS, idealizado por Darcy Ribeiro, para montar as estruturas do Partido no Maranhão.
    Homens sonhadores, tinham ideias, tentaram melhorar o país.
    Agradeço a você, Werneck por trazer a baila, ao palco da Tribuna da Internet, os grandes brasileiros, que enriqueceram a história desse país. Em homenagem a eles, precisamos dar continuidade, na semente plantada por eles e por que não, plantar várias sementes? Para que as futuras gerações possam colher.
    O Brasil precisa se manter como está. O exemplo da extinta URSS, dividida em várias partes, por erros de seus dirigentes, devem ser olhados com lupa, para que possamos evitar o mergulho naquela armadilha.

  2. Nenhum deles, de Castelinho a Vilas Boas, foi superior a Hélio Fernandes. A diferença era simples: Hélio escrevia na Tribuna, com circulação reduzida. Isso quando circulava. Não havia internet nem celular. Castelo e outros, eram do Jornal do Brasil, com maior circulação, páginas cheias de anúncios. Com todas as dificuldades, contudo, Hélio era, sempre foi, lido e copiado. Dava furos sensacionais, sem demora, seus ganchos e revelações eram chupados pelos ávidos coleguinhas. Claro, retocavam o miolo do texto e publicavam como se fossem deles. na maior cara lambida. Profissionais versados e graduados, sabiam como fazer a cozinha virar bom prato. A propósito, leio, hoje, no Globo, que candidatos procuram vices.
    Morro de rir. Escrevi isso há uns 10 dias, aqui na tribuna. Enfatizando que alguns que estão na passarela para o Planalto, sabem que não têm votos para vôos maiores e portanto, na verdade, jogam, rondam e ciscam, para ser lembrados para vice. Ah, Ibrahim, realmente é chato conhecer, de fato, a politica. Como ela gira atrás dos fatos, das especulações e dos rumores. é a vivência, caros, ao lado da experiência de mais de 30 anos como repórter de tudo. Sobretudo de política.

  3. Mais, Hélio raramente ia a Brasilia. Castelo, por sua vez, morava em Brasília. Tinha repórteres para colher notas, declarações e impressões para ele. Que, com maestria, transformava em excelentes comentários e colunas. Cansei de ver Castelo no congresso. Conversando, observando. Fazia o correto. Vilas Boas, idem. Já Hélio, fazia do bom e útil telefone sua principal arma para fazer maravilhosas colunas. Saudades!!

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