Nessa Era de trevas e extremismos, é sempre bom relembrar as análises de Hannah Arendt

Hannah Arendt | Citações, Frases, Frases legaisCésar Cavalcanti

Ao longo da História muitos filósofos discorreram ou escreveram sobre política e outros temas fundamentais para o processo civilizatório da Humanidade. Autores como Platão, Aristóteles, Maquiavel, Montesquieu, Karl Marx, Adam Smith, Norberto Bobbio, Eric Weil etc., todos se debruçaram sobre a temática política, mas também é importante  falar sobre o pensamento da filósofa Hannah Arendt, nascida em 1906 em Hanover, na Alemanha.

Em 1924, aos 18 anos, ingressou na Universidade de Marburg, onde se tornaria aluna de Martin Heidegger, com quem iria iniciar um complicado relacionamento amoroso.

Brilhante e inovadora, estudou também nas Universidades de Heidelberg e de Freiburg, e depois viveu o horror da ascensão do nazismo na Alemanha e a crescente perseguição aos judeus, com o fortalecimento de um discurso político racista e arianista.

PRISÃO E EXÍLIO – Foi presa pela Gestapo em 1933. Depois de passar oito dias na prisão, resolveu deixar o país. Passou por Praga e Genebra, até chegar a Paris, onde permaneceu durante seis anos trabalhando com assistente social, no atendimento a crianças judias expatriadas.

Com a ocupação da França, fugiu para Portugal, para depois exilar-se nos Estados Unidos, onde começou a refletir e criticar o totalitarismo como um dos aspectos de estudo de sua filosofia política. Ou seja, baseou-se no nazismo (um nacionalismo racista exacerbado) como forma de governo, na época, e transformou esse regime totalitário em um problema filosófico a ser explicado.

Para Hannah Arendt e todos os filósofos, o estudo e a pesquisa apresentam-se como uma fonte de desmistificação dos problemas.  Assim, a intelectual alemã ousou analisar o autoritarismo nazista na perspectiva de entender o motivo e apresentar as consequências dessa desvirtuação de um regime que se dizia nacionalista.

TOTALITARISMO – Hananh Arendt entendia que há uma relação muito próxima entre política e filosofia, e os regimes de governos totalitários em sua época necessitavam serem estudados de forma analítica e filosófica.

Em seu livro as “Origens do Totalitarismo”, publicado em 1951, a filósofa analisa mais detalhadamente o autoritarismo em regimes ideologicamente opostos, como a Alemanha nazista de Hitler e a Rússia comunista de Stalin.

Hannah Arendt colaborou decididamente para a visão moderna da política, que é o processo democrático de governar. Um dos conceitos mais importantes de sua filosofia é a “banalidade do mal”. Defendia um conceito de “pluralismo” no âmbito político. Acreditava que, devido a esse pluralismo, uma potencial liberdade e igualdade política poderia ser alcançada entre as pessoas. E advertia que, em nome de interesses pessoais, muitos abdicam do pensamento crítico, engolem abusos e sorriem para quem desprezam, embora abdicar de pensar também seja um crime.

DIZIA A FILÓSOFA – Alguns de seus pensamentos ficarão para sempre na História da Humanidade:

“A escola não é de modo algum o mundo, nem deve ser tomada como tal; é antes a instituição que se interpõe entre o mundo e o domínio privado do lar”.

“Uma existência vivida inteiramente em público, na presença de outros, torna-se, como diríamos, superficial”.

“Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história”.

“O revolucionário mais radical se torna um conservador no dia seguinte à revolução.”

6 thoughts on “Nessa Era de trevas e extremismos, é sempre bom relembrar as análises de Hannah Arendt

  1. Brilhante Hannah, como é enriquecedor e mesmo divino, “ouvir” suas observações sobre a natureza humana. Os judeus são uma fonte inesgotável de informação e sabedoria. Obrigado Cesar.

  2. Estamos vendo isso aqui em pindorama o tempo todo.
    Rachadinhas não é nenhum crime; no máximo um ‘desvio’ de impacto médio.
    Corrupção?!!! Não temo o ‘cara mais onesto do mundo’ livre leve e solto?!!!
    Estamos falidos como sociedade e democracia só é entendida, para se ‘roubar ops!!! desviar’ sem consequência para o ‘colarinho branco’.

  3. Hannah Arendt, com sabedoria, fala da proximidade da filosofia e política, e isso é apenas óbvio, e somente os humildes pensadores entendem.

    Infelizmente, temos no Brasil apedeutas, como Luiz Inácio e Bolsonaro, metidos a malandros a serviço dos verdadeiros malandros que põem esses sem vergonhas que nunca estudaram para fazer o papel sujo que chamam de política.

    Política é coisa para pessoas sérias e comprometidas com causas nobres e não para gente que não tem caráter e nem vontade de trabalhar pelo bem comum.

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