Nesse ciclo paranoico, Jair Bolsonaro corre o risco de nem passar para o segundo turno

Charge reproduzida do Arquivo Google

Merval Pereira
O Globo

A pandemia que expõe aos olhos do país a inépcia, a falta de empatia e a corrupção nas entranhas do governo do presidente Bolsonaro, especialmente devido à CPI da Covid, foi a mesma que o poupou de manifestações populares mais vigorosas, devido ao receio de sair às ruas em manifestações políticas imprescindíveis  ao desencadeamento de um processo de impeachment.

O Centrão somente permitirá que um impeachment comece a ser debatido na Câmara se a popularidade de Bolsonaro cair a um ponto irreversível, como aconteceu com Dilma. A disputa regional em Alagoas entre o presidente da Câmara, Artur Lira e o relator da CPI, senador Renan Calheiros, impede que isso aconteça. A abertura do processo de impeachment será uma derrota pessoal de Lira.

RETOMADA – A aceleração da vacinação proporcionará uma retomada econômica, reduzindo a pressão sobre o presidente, mas facilitará a mobilização de grandes massas populares e aumentará o consumo de energia, o que poderá provocar um apagão em pleno ano eleitoral.

Não são nada promissoras as perspectivas para o governo brasileiro no último ano do mandato presidencial, e as pesquisas de opinião já indicam esse declínio de popularidade. Dificilmente os que hoje consideram Bolsonaro, segundo o Datafolha, autoritário, despreparado, desonesto, indeciso, incompetente, falso e pouco inteligente mudarão de ideia, e não apenas por falta de tempo para o presidente provar-se o contrário.

Por falta mesmo de capacidade de ser outro que não esse, que a percepção popular identificou tardiamente.

APENAS ANTIPETISTA – Sempre foi tudo isso, mas conseguiu enganar muitos, que se deixaram levar por promessas vãs, arremedos de honestidade, um liberalismo econômico que não combinava com sua postura anterior. Ser o antipetista exemplar bastou para que centenas de milhares de eleitores, que hoje rejeitam sua maneira grosseira de falar e de se comportar, e o retrocesso civilizacional que impõe ao país, o escolhessem.

Bolsonaro conseguiu arrastar o eleitorado do PSDB no sul, sudeste, centro oeste, tradicionais nichos tucanos que, a partir dali, se fortaleciam para enfrentar o PT, pelo menos no primeiro turno.

Enfraquecido desde o mensalão – nunca é demais lembrar que no primeiro turno de 2006 o tucano Geraldo Alckmin teve 41% dos votos -, o PT conseguiu manter-se no poder com um misto de populismo, fisiologismo e muito dinheiro desviado dos cofres públicos para bancar as campanhas eleitorais.

AÉCIO QUASE VENCEU – A partir de 2013, com as grandes manifestações de massa contra o governo Dilma, esse eleitorado de centro e centro-direita foi à busca de quem derrotasse o PT nas eleições presidenciais. O tucano Aécio Neves quase venceu a eleição de 2014, e Bolsonaro, que não passa de um Cabo Daciolo com um parafuso a mais, tornou-se a saída diante de um Alckmin amorfo em 2018 e um Ciro Gomes traído por Lula em favor de Haddad.

Quando Ciro tentou ser a alternativa aos extremos, já não havia mais tempo. Sua imagem de destemperado está sendo repaginada pelo marqueteiro João Santana, para que possa tentar assumir o papel de terceira via que não colou em 2018, porque ele ficou a meio caminho. O ambiente político naquela ocasião pedia sangue nos olhos dos candidatos, o que Bolsonaro tem de sobra.

TERCEIRA VIA – Hoje, o ex-presidente Lula surge nas pesquisas como a alternativa natural, mas elas mostram também que o caminho para uma terceira via nunca esteve tão aberto, com a possibilidade de Bolsonaro, que desmancha a olhos vistos, nem mesmo chegar ao segundo turno. Essa massa eleitoral que abandonou Bolsonaro, no momento passou-se na maioria para o PT, num movimento que nada tem de perene.

O mais provável é que a campanha presidencial apresente aos eleitores outras opções, enquanto Lula e Bolsonaro se digladiarão, retroalimentando a disputa de ódio que hoje já está em andamento.

Difícil imaginar que quem fugiu do PT como o diabo da cruz em 2018 volte a ele apenas para derrotar Bolsonaro. Só se for a única alternativa. Como foi Bolsonaro em relação ao PT. É preciso quebrar esse ciclo paranóico.

15 thoughts on “Nesse ciclo paranoico, Jair Bolsonaro corre o risco de nem passar para o segundo turno

  1. o PT conseguiu manter-se no poder com um misto de populismo, fisiologismo e muito dinheiro desviado dos cofres públicos para bancar as campanhas eleitorais.

    Só isso, Merval.?

    • Fico pensando a raiva que o Sr. passou escrevendo essa pequena linha sobre a Maior Organização Criminosa do Universo.
      Cadê o jornalismo deste Páis.?
      Cadê os jornalistas deste Páis.;?
      Cadê o Cabral..? ò pá.;

    • De repente, não mais que de repente morreu um violeiro! Lula pode estar-se sentindo o protagonista da moita de espinhos.
      Conta-se que, intercalado numa vasta planície, havia um oásis formado por arbustos espinhentos. Todos os dias passava ali um transeunte. Até que, numa dada ocasião, ele se defrontou com um touro bravio, que o atacou. Sem opção, o homem encaçapou-se moita adentro, sem sofrer um arranhão.
      Dali, em diante, o problema foi para o embrenhado vir fora. Uma caravana que lá margeava, ouviu um pedido de socorro; era o sujeito sitiado sem poder sair. Aí alguém teve a ideia de tocar fogo no tufo: o ilhado saiu em disparada.
      Moral da estória: um grande problema atual pode parecer pequeno, diante de outro maior que advier.
      Por analogia: Lula, a moita; Bolsonaro, o boi. Abatido o touro, a moita deixa de ser um porto seguro! E cumpre ressaltar que, uma vez na vida, o Capitão já serviu de refúgio a quem temia as investidas do bovídeo Lula/PT.

  2. Pois eu sonhei que o Idiota Mor, o tal Jair Covid, tinha morrido asfixiado. Mas de uma forma horrenda: com sua própria baba! juro por Deus que ouvi falar que isso já aconteceu – um idiota se sufocar em suas imbecilidades. Pode ser tudo bobagem mas também pode ser verdade.

  3. LULA E BOLSONARO SÃO DOSE PRA LEÃO, porque o resto é puxadinho dos me$mo$. Bolsonaro, Lula, Ciro, Dória, Leite, Mannetta e demais continuístas da mesmice das ditaduras partidária, militar, midiática e econômica, do continuísmo da mesmice do sistema apodrecido, com prazo de validade vencido há muito tempo, são uma espécie de McGregor do UFC, convencidos, papudos, bravateiros, mas assim que o Leão conseguir entrar no octógono eleitoral vai quebrar todos ele$ no cacete, eleitoral, é claro, no primeiro turno, e vai mandá-los todos para a tonga da mironga do kabuletê, com passagem só de ida, porque basta de tanta confusão, embromação, picaretagem política, perda de tempo e tempo perdido, chega dos me$mo$, fora todo$. https://www.uol.com.br/…/mcgregor-ataca-poirier-por…

  4. Outro bolsonarista arrependido, Vai morrer e não surgirá essa terceira via. Aproveitando a sugestão: Dê um golpe de mestre e pare de escrever tanta bobagem! Podia aproveitar, se aposentar e nunca mais escrever.

  5. A tal “terceira via” com um candidato viável é tudo o que o mito e o LuLadrão não querem. Aí o eleitor será lembrado e relembrado das roubalheiras do Mensalão e do Petrolão, será a vingança da Lava Jato. Eo mito também será cobrado por não ter feito nada e, quando fez foi só para acabar com a Lava Jato, começando pelo linchamento do do Sérgio Moro. Então pestistas e bolsonaristas querem tudo, menos um candidato que pode derrotá-los facilmente no segundo turno.

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