Nesse jogo de fantasia, falta a bola

Carlos Chagas

O embate entre a presidente Dilma e seu governo, de um lado, e as oposições, de outro, lembra uma partida de futebol onde os craques se esfalfam, entre correrias, chutes na canela, cabeçadas, pulos e dribles sem conta. A torcida, quer dizer, nós, a tudo assistimos entusiasmados, gritando slogans e distribuindo palavrões a torto e a direito. Até o juiz e os bandeirinhas suam a camisa, distribuem cartões amarelos e impõem sua autoridade.

Só que, na arquibancada, um menininho surpreende o pai, comentando estar faltando a bola. De repente, dão-se todos conta de que o pimpolho tem razão: não há bola em campo. Todo aquele esforço se faz por nada.

No caso, a imagem se aplica à tertúlia verificada há meses no país: governo e oposições se digladiam, ofendem e acusam, mas para que? Falta a bola, ou seja, o que pretendem para a sociedade, com tamanha algazarra?

Nem Madame apresentou até hoje um programa de metas e realizações para tirar-nos do sufoco, nem seus adversários revelam o que pretendem, se guindados ao poder. É claro que de um lado alegam a necessidade do ajuste fiscal, aumentam impostos e reduzem direitos trabalhistas. Do outro, denunciam o festival de corrupção que assola estruturas administrativas e instituições e acentuam que o adversário não sabe governar. Não sabemos, porém, quais as propostas de que dispõem para interromper a marcha do desemprego, recuperar as empresas privadas, evitar a inflação e retomar o desenvolvimento.

CADÊ A BOLA?

Falta a bola, capaz de dar sentido à farsa encenada pelos dois times. Inexistem proposições concretas e sucintas, em condições de dar sentido ao espetáculo. De lá e de cá, que obras públicas poderiam ser iniciadas de pronto, ampliando o número de empregos? Que sacrifícios exigir dos setores privilegiados, do tipo aplicação de parte do lucro dos bancos em atividades sociais? Imposto sobre grandes fortunas e estabilidade nos empregos? Proibição de remessa de lucros para o exterior, por tempo determinado? Duplicação do salário mínimo?

Em suma, inexiste um elenco de medidas de sacrifício para todos, com ênfase a categorias até agora beneficiadas pela crise. Estaria definido um objetivo para as partes em confronto. A bola, afinal, estaria em campo…

2 thoughts on “Nesse jogo de fantasia, falta a bola

  1. Que jogo ? Que oposições ? Naõ estaria ela brigando com seu próprio time ? Nem em casa ela manda. As oposições nem precisaram ainda entrar em campo. Acho que vai dar WO.

  2. Cansei de ouvir tanta besteira de pessoas que são brasileiros por acaso pois colocam acima do bem comum os próprios interesses,vaidade e tudo mais.Querem o poder pelo poder para tirarem proveito certamente financeiro como diz o proverbio a medida do T nunca enche.

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