Nesta década, a onda política sem precedentes veio abrir uma oportunidade histórica

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Manifestações populares de 2013 foram o marco da década

William Waack
Estadão

A década foi curta, parafraseando título famoso de livro de Eric Hobsbawm. Começou com a vitória do “dedaço” de Lula em 2010 (a primeira eleição de Dilma) e terminou com a onda disruptiva de 2018. Destaco essa onda, e seu resultado eleitoral, como o principal fato do período, sabendo muito bem que é impossível tomá-lo de forma isolada (mas nosso editor de Política, o Eduardo Kattah, disse que os colunistas só poderiam destacar um fato).

Ela alterou os rumos da política, destruiu figuras consolidadas, encerrou um período de capitalismo de Estado que produziu resultados catastróficos do ponto de vista econômico – mas, sobretudo, moral –, destruiu por período ainda imprevisível o chamado “centro” do eleitorado político, alterou o funcionamento do sistema de governo (com o Legislativo encurtando as prerrogativas do Executivo). Por último, expôs à sociedade o severo desafio que uma geração (a partir de 1988) não conseguiu enfrentar de forma satisfatória: o de diminuir a desigualdade, aumentar a prosperidade e encurtar a diferença que separa o País das economias mais avançadas.

ONDA DISRPTIVA – A natureza da onda é disruptiva, pois afetou a credibilidade de instituições centrais para o funcionamento da política nacional, e não foram só lideranças ou partidos estabelecidos. A onda disruptiva mexeu com fundamentos do estado de direito, como está demonstrado no embate entre setores do STF e a Lava Jato.

Colocou o País diante de uma encruzilhada complexa, que é definir quem, no fim das contas, estabelece o controle sobre a esfera da política. Jogou suas elites econômicas que se dizem “liberais” nas ideias diante da tarefa de que modelo adotar de funcionamento do Estado e suas decisões.

A onda arrasou a credibilidade de setores importantes da mídia, especialmente grandes grupos de comunicações. Acentuou pelas redes sociais o comportamento “tribal” de vastos segmentos da sociedade, demonstrando que a moderna tecnologia de informação não é sinônimo automático de “avanço” ou “progresso”.

CAUSA E EFEITO – As redes, ao mesmo tempo causa e efeito, tornaram ainda mais fechadas e excludentes as “tribos” políticas ou culturais que hoje nem sequer conseguem concordar sobre fatos, ou se dispõem a admitir fatos que não combinem com o que já pensam.

A onda tem menos o caráter de “revolução conservadora” do que alguns de seus principais beneficiados (começando por Jair Bolsonaro) gostariam. Na sua essência, ela traduziu uma enorme indignação e insatisfação populares com um “sistema” entendido como contrário a qualquer um que é honesto, trabalha e se esforça.

Partes integrantes do “sistema”, nessa percepção bastante disseminada, são imprensa, políticos, partidos, Legislativo, impostos exagerados e incompreensíveis, um conjunto sufocante de leis e regulamentos.

ENCRUZILHADA – A mesma onda expôs a difícil encruzilhada a que chegou o Brasil, país que se tornou velho antes de ficar rico. Falhou nossa tentativa de construir um Estado de bem-estar social apoiado em crescentes gastos públicos, que nem sequer uma carga tributária inédita entre economias de países comparáveis consegue sustentar. E expôs a necessidade de as elites pensantes encararem outra questão desagradável: qual a razão da nossa produtividade permanecer tão baixa durante tanto tempo?

Essa onda ocorreu também por causa de um fenômeno positivo de engajamento político de vastas camadas da sociedade. Há não só um interesse inédito do público por política, mas uma crescente percepção de que a dedicação à política traz resultados e mudanças, ainda que seja notória a frustração com a velocidade com que as transformações ocorrem. A onda disruptiva abriu uma janela histórica de oportunidade.

Quem sabe ela também reforçará a noção de que a realização dessa oportunidade não é automática, e só depende de nós.

7 thoughts on “Nesta década, a onda política sem precedentes veio abrir uma oportunidade histórica

  1. “Na sua essência, ela traduziu uma enorme indignação e insatisfação populares com um “sistema” entendido como contrário a qualquer um que é honesto, trabalha e se esforça.”

    -O jornalista conseguiu resumir em um só artigo o que levou o Bolsonaro ao poder. Não se tornou presidente por ser o “mais melhor”, mas por ser o “menos pior “que há décadas gritava contra o que estava aí, inclusive o monopólio da desinformação.

  2. Entre tantos charlatões políticos temporais, de plantão, oportunistas sempre prontos para dar o bote em espaço alheio, que, desde Junho de 2013, estavam tentando tirar proveitos golpista-ditatoriais e partidarista-eleitorais da gigantesca onda disruptiva inédita, que não surgiu por acaso, mas, isto sim, como consequência de uma pedra realmente nova atirada com personalidade no mar profundo e intenso da Internet, há cerca de 20 anos, no qual precipitou a nova onda, cercada em, 2010, 2014 e 2018, pela esquerda, até Bolsonaro pela extrema direita se perguntou em 2018: ” já que não tem piloto à vista, por que não eu, para ocupar e surfar essa onda rumo ao poder”, na qual se atirou de paraquedas e acabou caindo no ponto certo, que acabou sendo ocupado pelo cara totalmente errado, ou menos indicado, tendo em vista a marcha temporal natural da história do Brasil. E agora, quem é que vai tirar o pirulito alheio da boca da criança ?

  3. A onda disruptiva que se refere Waack, é um termo que descreve a inovação tecnológica, produto, ou serviço, com características “disruptivas”, que provocam uma ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias já estabelecidos no mercado.

    Concordo com esta inovação, pois as últimas décadas romperam com toda e qualquer possibilidade de desenvolvimento para o país, sufocado por uma organização política ditatorial e que diminuiu o poder do Estado, conforme relata o articulista, e que mediante leis elaboradas em benefício próprio, o parlamento nacional dificulta sobremaneira a busca pela diminuição, pelo menos, das imensas diferenças sociais que acusamos, e sem qualquer combate específico neste sentido.

    Se a eleição de Lula trouxe a esperança de o povo ser melhor tratado, considerado, o PT não só aumentou a carga tributária, como passou a roubar, explorar e manipular o povo e a nação como nunca antes acontecera no mundo.
    A década perdida que é esta, acarretou a desmoralização absoluta da política;
    Demonstrou o quanto a corrupção domina o parlamento brasileiro;
    Provou o desprezo dos governantes para com o povo;
    Escancarou o sistema de tal modo, que se pode afirmar com convicção plena, que os poderes constituídos se tornaram nossos ferrenhos inimigos porque impede o povo progredir, em face da ausência de políticas educacionais adequadas e valorizadas, que regatassem o alfabetismo absoluto e funcional, hoje o Calcanhar de Aquiles do povo brasileiro.

    Se a educação/ensino é um dos importantes entraves para o desenvolvimento, a corrupção brasileira porque impune, é a questão decisiva para que não haja educação/ensino, e classifica os poderes como castas, que devem viver nababescamente, receber salários milionários, enquanto o trabalhador é escravizado por mais de meio ano para pagar impostos, e que serão convertidos à manutenção dos privilégios, regalias e mordomias das castas citadas, na razão inversamente proporcional do aumento da pobreza e da miséria do cidadão brasileiro, e cujo analfabetismo é a sua maior característica!

    Se esta onda disruptiva foi a causa da eleição de Bolsonaro, pode-se afirmar que o atual presidente foi eleito mais para travar a continuidade das crimes perpetrados por Lula e sua quadrilha, que pelo retorno do conservadorismo e da própria plataforma do presidente, sabidamente modesto na competência, na falta de criatividade e total ausência de disposição para mudar o atual status quo reinante, e resgatar o establishment ou a ordem ideológica econômica, social e política, que se constitui uma sociedade ou Estado, haja vista que a ideologia contrária a de Bolsonaro passou a ser conhecida como corrupta, desonesta e altamente traidora do povo e país!

    Quanto à janela de possibilidades históricas que Waack mencionou sem citar um exemplo que fosse do que queria dizer, a menos que seja o povo tomar as decisões para melhorar a sua situação ou, então, de nos resignarmos à própria sorte, e o Brasil passar à História como o país que nunca soube o que seria progresso e avanços sociais, científicos e tecnológicos, porém remunerando melhor que qualquer outra nação do planeta os seus poderes constituídos, mormente o Judiciário e o Legislativo!

  4. A onda disruptiva que se refere Waack, é um termo que descreve a inovação tecnológica, produto, ou serviço, com características “disruptivas”, que provocam uma ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias já estabelecidos no mercado.

    Concordo com esta inovação, pois as últimas décadas romperam com toda e qualquer possibilidade de desenvolvimento para o país, sufocado por uma organização política ditatorial e que diminuiu o poder do Estado, conforme relata o articulista, e que mediante leis elaboradas em benefício próprio, o parlamento nacional dificulta sobremaneira a busca pela diminuição, pelo menos, das imensas diferenças sociais que acusamos, e sem qualquer combate específico neste sentido.

    Se a eleição de Lula trouxe a esperança de o povo ser melhor tratado, considerado, o PT não só aumentou a carga tributária, como passou a roubar, explorar e manipular o povo e a nação como nunca antes acontecera no mundo.
    A década perdida que é esta, acarretou a desmoralização absoluta da política;
    Demonstrou o quanto a corrupção domina o parlamento brasileiro;
    Provou o desprezo dos governantes para com o povo;
    Escancarou o sistema de tal modo, que se pode afirmar com convicção plena, que os poderes constituídos se tornaram nossos ferrenhos inimigos porque impede o povo progredir, em face da ausência de políticas educacionais adequadas e valorizadas, que regatassem o alfabetismo absoluto e funcional, hoje o Calcanhar de Aquiles do povo brasileiro.

    Se a educação/ensino é um dos importantes entraves para o desenvolvimento, a corrupção brasileira porque impune, é a questão decisiva para que não haja educação/ensino, e classifica os poderes como castas, que devem viver nababescamente, receber salários milionários, enquanto o trabalhador é escravizado por mais de meio ano para pagar impostos, e que serão convertidos à manutenção dos privilégios, regalias e mordomias das castas citadas, na razão inversamente proporcional do aumento da pobreza e da miséria do cidadão brasileiro, e cujo analfabetismo é a sua maior característica!

    Se esta onda disruptiva foi a causa da eleição de Bolsonaro, pode-se afirmar que o atual presidente foi eleito mais para travar a continuidade das crimes perpetrados por Lula e sua quadrilha, que pelo retorno do conservadorismo e da própria plataforma do presidente, sabidamente modesto na competência, na falta de criatividade e total ausência de disposição para mudar o atual status quo reinante, e resgatar o establishment ou a ordem ideológica econômica, social e política, que se constitui uma sociedade ou Estado, haja vista que a ideologia contrária a de Bolsonaro passou a ser conhecida como corrupta, desonesta e altamente traidora do povo e país!

    Quanto à janela de possibilidades históricas que Waack mencionou sem citar um exemplo que fosse do que queria dizer, a menos que seja o povo tomar as decisões para melhorar a sua situação ou, então, de nos resignarmos à própria sorte, e o Brasil passar à História como o país que nunca soube o que seria progresso e avanços sociais, científicos e tecnológicos, porém remunerando melhor que qualquer outra nação do planeta os seus poderes constituídos, mormente o Judiciário e o Legislativo!

  5. Enganam-se os que pensam que ainda não estão rolando dos dados da onda disruptiva, com jeitão de Revolução Redentora, que a qualquer momento virá a tona para liquidar a fatura aberta em Junho de 2013, à moda avisados vocês foram, com bastante antecedência, e nada fizeram para mudar de verdade o sistema podre, e agora basta de continuísmo, vamos fazer o que tem que ser feito, com vocês ou apesar de vocês, pelo amor ou pela dor, vocês decidem.

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