Nesta eleição, a internet enfim passou a ser usada como importante peça de campanha. Criou-se, para valer, o cabo eleitoral virtual.

Carlos Newton

Pela primeira na política brasileira, os partidos e candidatos usaram para valer a figura do cabo eleitoral virtual. Mobilizados pelas cúpulas partidárias, um número imenso de militantes, principalmente petistas, tucanos e verdes, durante toda a campanha acompanharam atentamente os sites e blogs de política, como a Tribuna da Imprensa, inundando-os com comentários altamente facciosos.

Foi um verdadeiro festival. Qualquer reportagem ou análise, a favor ou contra algum candidato, era logo seguida de diversos comentários enviados pelos militantes virtuais. Até Joaquim Roriz passou a usar esse sistema. Aqui no blog da Tribuna, tudo que sai contra Roriz recebe imediata resposta, quase sempre hilariante.

Alíás, desta vez fizeram tudo quanto é baixaria na internet, contra ou a favor deste ou daquele candidato. Os militantes virtuais foram pródigos e muito criativos, inclusive na bolação das mais estranhas teorias conspiratórias, principalmente envolvendo o governo Lula, que por si só já carregava tamanhas irregularidades que nem se precisava “criar” outras.

Em termos de baixarias, mesmo, nenhum candidato foi tão vilipendiado quanto Dilma Rousseff. Goste-se ou não dela, foi feio ver distribuída na internet, com foto e tudo, a matéria sobre sua suposta amante gaúcha, que estaria entrando na Justiça para exigir os direitos de companheira estável por 15 anos. Mas era fácil ver que se tratava de uma farsa. O “advogado” citado na “matéria”, Celso Langoni Filho, não existe na listagem da OAB nacional.

E não ficaram só por aí na internet. Alardearam também que Lula e Dilma teriam um caso e que esse seria o motivo do afastamento de D. Marisa Letícia, que não participou dessa campanha – “ela, que sempre foi vista ao lado de Lula, em todos os palanques das candidaturas dele”, diziam as fofocas distribuídas por e-mails.

Aqui no blog da Tribuna, os ataques de ambos os lados foram brutais. Basta conferir os comentários às matérias que abordavam a polêmica sobre a necessidade de haver controle sobre a imprensa, tese defendida pelo próprio presidente Lula. Os comentários têm sido marcados por um impressionante radicalismo, totalmente dispensável quando se vive em democracia plena.

E daqui para frente, no segundo turno, a tendência é de haver cada vez um maior fortalecimento da campanha política pela internet, o que seria até altamente democrático, mas desde que se criem mecanismos de proteção nos blogs e sites, para que os internautas só possam fazer comentários se estiverem usando seu próprio nome e endereço de e-mail, ao invés de se permitir acesso indiscriminadamente, sob qualquer pseudônimo, como acontece hoje.

E isso não seria censura, pelo contrário. Apenas acabaria com a covardia de quem se esconde atrás de pseudônimo e e-mail falso, para denegrir os outros. Liberdade de imprensa é isso aí, requer também responsabilidade. Caso contrário, paga-se caro na Justiça.

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