Neste Dia dos Pais, dois poemas que nos enchem de amor e saudades

Frase atribuída a Mario Quintana Carlos Newton

Para comemorar o Dia dos Pais, uma data que precisa ser alegre, embora em muitos casos possa ser triste, selecionamos hoje dois poemas relativos ao tema. Um deles, do gaúcho Mário Quintana, e o outro, do carioca Paulo Peres, que, ao trabalhar com o jornalista, cronista e poeta Rubem Braga, com ele aprendeu que a poesia é necessária.

AS MÃOS DO MEU PAI
Mario Quintana

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

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DIA DOS PAIS
Paulo Peres

Festejai, pai material,
Este dia especial.
Receba o carinho celestial
– Família, luz e amor –
Através à bênção do Pai Maior,
O Nosso Deus-Pai Espiritual.

10 thoughts on “Neste Dia dos Pais, dois poemas que nos enchem de amor e saudades

  1. Pai, quando você me fabricou
    Já no limite da idade fértil
    Viagra, então nem se falava
    Não sei como você acionou
    O gatilho da sua função erétil
    Teria sido milagre da cachaça
    Que segundo mamãe me falou
    Você bebia ao deitar com ela?

    Onde quer que o senhor esteja
    Vou-lhe revelar, não se assuste:
    Não vejo por nada lhe ser grato
    Melhor seria se Vossemecê
    Não me trouxesse pro mundo
    Assim eu estaria são e salvo
    Do caos deste inferno dantesco
    Onde a morte é certeza de tudo

  2. Pai, que pai? O do céu finge que não vê nem ouve, apesar das insistentes ave-marias. Tivesse ele ouvido não teríamos covid (quase que rima!). Os da Terra deixam muito a desejar. Não me refiro aos filhinhos de papai que têm tudo, mas á grande maioria dos desamparados.
    Fòssemos mais humanos, gentis, amorosos, em vez de poesia daríamos assistência aos que pouco têm neste dia. Hoje é mais um domingo como qualquer outro – mais nada!

    • À proporção que os valores vão sendo malbaratados ou superestimados, os motivos de desfazimento de lares reduzem ou reforçam em importância.
      Outrora, a razão crucial para uma separação conjugal era, sem comparativo, a questão da honra ferida.
      Atualmente, honradez e moral, só são evocadas, quando um “ofendido” pretende extorquir outrem por danos morais. Mas por causa da reparação monetária, não e?
      Outros fragelos desagregadores se somam aos preexistentes, nestes dias: disputa de comando entre os gêneros, perda do pátrio poder (sobre os filhos), inconformismo financeiro….. Este último é reforçado por apelos conativos, externos, que sugerem ser inferior, aquele individo incapaz de TER.
      Quando à agressão e ao vício, antes, desde o dia do casamento, uma mulher já começava apanhando de um bêbado e morriam juntos, criando netos. Hoje, as mulheres contam com instrumentos legais e entes governamentais bem como civis, aos quais pode recorrer, se não for masoquista.
      Por essas e outras, a convivência a dois vai-se tornando, a cada dia, um abraço entre porcos-espinhos.
      PS: um casal brigava para definir o cardápio do almoço: ela queria carne; ele, peixe. Para não irem às vias de fato, encontraram um meio-termo para agradarem a gregos e troianos: decidiram comer peixe-boi.
      Mais tarde, os agentes do Ibama bateram à porta. “Somos do Ibama, viemos apurar uma denúncia de abate ilegal de peixe-boi!” Meu senhor, peixe aqui só eu que sou uma piranha! “Sim, e o seu marido, encontra-se, em casa? Insistiu o agente. Claro moço, ele é a outra banda do peixe, o BOI! Explicou a esposa.

  3. O Dia dos Pais, assim como Dia das Mães, dos Avós, onde parabenizamos efusivamente os nossos entes queridos e amigos, também trazem recordações não lá muito agradáveis, é verdade.

    Paulo III, no seu poema, se ele me permitir que eu o denomine dessa forma, foi contundente, incisivo, e até se lamentou ter vindo a esse mundo.

    Normalmente, com exceção de de uma ou outra situação, os filhos têm queixa do pai.
    Seja pelo que fez ou pelo que não fez.

    Os casos mais comuns são os de agressão às mães, que os filhos não perdoam jamais, seguidos de bebedeiras.
    Mulheres que ficam desfiguradas de tanto apanhar, rosto marcado por socos, ossos quebrados de tanta agressão absolutamente inexplicável e injustificável sob qualquer aspecto.

    Certamente a bebida – e como está sendo comum! – é a causa mais corriqueira de lares desfeitos. Acho até que muito mais que a traição do pai com amantes.

    O ambiente em casa fica insuportável, até porque o sofrimento da mãe é revoltante, a ponto de ser meio comum o filho se atracar com o pai nesse momento.

    Enfim, nem sempre o pai merece ser cumprimentado pelo seu dia, a verdade é essa, pois trata-se de uma data onde muitos filhos não querem lembrar do pai, tanto pelo que ele foi quanto pelo que ele não foi.

    Outra má lembrança, diz respeito ao pai que abandona a mulher e filhos.
    Não bastasse esse ato imperdoável – não da separação, mas deixar de lado os filhos do primeiro casamento ou companheira -, o filho muitas vezes é completamente esquecido, como se o irresponsável não fosse o seu genitor!

    Também o pai severo, que bate, que machuca, que humilha, que quer mostrar uma autoridade que não tem à base da força, do amedrontamento.

    Lá pelas tantas, acredito que o sofrimento maior é ser filho, pois o pai que jamais aceitou o seu ou lhe destinou um mínimo de afeto, simplesmente o abandona, esquece, e vai viver outra vida.
    O filho não. A sensação de ter sido abandonado, desprezado, de o pai não ter lhe dado um mínimo de atenção, levará consigo por toda a sua vida esse mal-estar, esse desconforto, essa rejeição.

    Enfim, quero mudar os meus cumprimentos no dia de hoje, Dia dos Pais.
    Quero felicitar os filhos de pais que se orgulham, que gostam deles, que os ajudaram a ser alguém!
    Quero mandar um abraço forte aqueles filhos que amam seus pais, que os viram seus primeiros heróis na vida, e que seus exemplos de vida permanecem nas suas existências como o verdadeiro rumo a ser seguido.

    Quero deixar o meu carinho aos filhos cujos pais os ajudaram nas lições de casa, em brincar com eles, que lhes ensinaram a dirigir automóveis, que os levaram a estádios ver o time que torcem, a uma competição automobilística, a uma aventura, acampamento ou viagem inesquecível.

    Quero felicitar os filhos que tiveram pais, ricos, pobres, altos, baixos, feios, bonitos … não importa, mas que foram pais de verdade, que os levaram ao médico quando pequenos, aos dentistas, que os ajudaram na escola, que lhes ensinaram o bem, que os sustentaram quando criança, que lhes vestiram, deram de comer, que os agasalharam, que lhes deram um teto.

    FELIZ DIA DO FILHO, que foi abençoado com um PAI que assim deve ser chamado, PAI!

    Meu abraço aos articulistas, comentaristas e leitores da TI, tanto aos pais quanto aos filhos!

  4. 1) Peres e Quintana, dois grandes poetas.

    2) Licença … do Cancioneiro Popular Português:

    3) “Santo Antonio é o meu pai,
    São Francisco é meu irmão,
    Os anjos são meus parentes;
    Oh, que linda geração” !

    4) Bom domingo para todos (as).

  5. Uma singela poesia ao meu pai (do céu!):

    Há muito tempo sei
    De bem-aventuranças,
    Milagres, anjos em andanças,
    Por terras que nunca pisei.

    Onde estará esse deus justo,
    Sábio, milagroso, imparcial,
    Que pronmetia tudo aos pobres,
    Em troca da fé irracional?

    Mortos não ressuscitaram
    Não houve cura de cegueira
    E as mentiras que pregaram
    Não passam de puras asneiras

  6. E a nossa “tão querida ABL…” nega uma vaga em suas cadeiras para Mario Quintana …MAS dá lugar Roberto Marinho (me ajudem se eu estiver enganado….) HA..HA..HA.. Só mesmo neste Brasil com uma sociedade elitista corrupta poderia preterir um poeta e escritor do Naipe de MQ… ABL ..virou uma fossa de apaniguados puxa sacos e subservientes … vide as indicações para suas “cadeiras” só degenerados e gente ligada ao “sistema podre… segue abaixo o que publicou o D. Zen .. não se espantem …desta ABL pode-se esperar de tudo ..menos valorizar ESCRITORES de primeira linha … leiam e tirem suas conclusões ….

    ” ESPAÇO DEDICADO A COMENTÁRIOS DO COTIDIANO, MÚSICA, POLÍTICA E O QUE DER VONTADE.

    SEXTA-FEIRA, 22 DE MAIO DE 2009
    Mário Quintana e a desfeita da Academia Brasileira de Letras.
    O poeta gaucho, Mário Quintana, era admirado por vários intelectuais, muitos se tornaram seus amigos, entre eles: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira.

    Tantas celebridades, no entanto, não foram suficientes para levá-lo à Academia Brasileira de Letras, na, talvez, maior injustiça da história da academia. Com efeito, a ABL é conhecida por nem sempre escolher grandes escritores para ocupar suas cadeiras e, sem entender os meandros políticos da Academia, Quintana tentou se tornar imortal por três vezes, perdeu todas: para Eduardo Portella, ex- ministro da educação do General Figueiredo, em um arranjo político, até hoje, não muito bem explicado, depois, para Arnaldo Niskier, atual presidente da ABL e , finalmente, para Carlos Castelo Branco , o Castelinho, este um grande jornalista, mas sem histórico de escritor.

    Diante dos reveses, escreveu “Poeminha do Contra.”, uma resposta bem humorada e sarcástica ao injusto descaso dos imortais da academia.

    Poeminha do Contra

    “Todos esses que aí estão
    Atravancando meu caminho,
    Eles passarão… Eu passarinho!”

    O poeta desistiu definitivamente de tentar a cadeira na ABL, mesmo com a garantia de unanimidade dos votos dos colegas. O poeta gaucho expôs sua visão da academia com a seguinte declaração:

    “só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.” Se referindo à forte politização nas indicações de escritores para a academia.

    Ainda em relação à ABL, ele declarou: “ A academia não convida. A gente é que tem de candidatar-se, solicitar votos pessoalmente, arranjar pistolões. Há gente que não dá para isso. Eu também não” dando uma pista dos motivos da sua não indicação.

    A desfeita não impediu o reconhecimento do povo brasileiro, Quintana morreu, na sua querida Porto Alegre , no dia 5 de maio de 1994, aos 87 anos, como um dos poetas mais populares do Brasil.
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    POSTADO POR RICARDO MEIRA ÀS 21:17

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

    • E José Sarney? Quem escrevia para esse, eternamente plumitivo, eram seus irmãos, Evandro Sarney e “Ivanzinho(a)” Sarney; e Bandeira Tribuzzi.
      O ingresso do Zê Sarnê, na Academia Brasileira de Letras, em 17/07/1980, ocupando a cadeira 38, vaga por José Américo de Almeida, foi à moda bem brasileira: seu conterrâneo e literato, Josué Montello era o presidente da ABL. Ele enfiou Sarney na Academia, em contrapartida, o então presidente da República converteu o irmão de Josué em diretor-geral dos Correios.

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