Nicarágua e Costa Rica: litígio internacional por causa de obras no Rio San Juan

 Jorge Folena 

 Nicarágua e Costa Rica estão envolvidos em disputa jurídica internacional, levada ao Tribunal de Haia, na Holanda. 

Com a finalidade de ter melhor acesso ao Oceano Atlântico, a Nicarágua pretende aumentar o calado do Rio San Juan, que faz a fronteira destes dois países da América Central,  

A questão envolve também a ocupação da Ilha Calero, onde a Nicarágua está construindo um canal, mas que, segundo a Costa Rica, fica em seu território. Costa Rica alega que sua soberania foi agredida e que a obra executada pela Nicarágua trará graves danos ambientais ao país.  

Este tipo de disputa enfraquece a unidade entre os países latinoamericanos e impede a implantação de projetos comuns, necessários para o fortalecimento desses povos, porém todos temos conhecimento da enorme influência norteamericana sobre os países da América, constantemente divididos entre si e atrelados aos interesses comerciais e culturais dos EUA.

A República da Costa Rica é um pequeno país da América Central, que não tem exército. Entretanto, até por volta do ano 2000, na comemoração da sua independência, em 15 de setembro, os alunos de suas escolas desfilavam uniformizados como em verdadeiras paradas militares, como se fossem bandas marciais dos Estados Unidos da América do Norte. 

Há aproximadamente dez anos, os alunos do Liceu Sinai, na cidade de San Isidro, na província de Perez de Leon, sob orientação do professor de música Miguel Calderon Fernandez (47 anos, ex-decano da Universidade Nacional da Costa Rica, Sede Regional Brunca), resolveram não mais se apresentar no estilo tradicional, como tinham feito durante anos, quando se dava destaque aos estudantes mais bem dotados fisicamente, os quais, no estilo marcial, se exibiam com belos uniformes, como mostrado nos filmes ianques, num espetáculo cênico que nada tinha a ver com a cultura original do seu povo.  

Os alunos do Liceu passaram a priorizar a música e os trajes da sua região, feitos por eles, o que possibilitou o acesso e a participação de todos no evento. A partir daí, operou-se verdadeira transformação por todo o país, com os estudantes de outras escolas costarriquenhas buscando adotar o mesmo estilo naqueles festejos. 

A partir de 2008, o ministério da Educação passou a exigir que, nas comemorações da Independência, todas as escolas da Costa Rica se apresentassem de acordo com temas da cultura pátria. 

Este é um pequeno exemplo de superação do imperalismo e, na visão do professor Miguel Calderon, a maior consequência do movimento, iniciado pelos alunos, foi despertar neles a necessidade de tomar suas próprias decisões e, talvez, a compreensão de que é responsabilidade de todos escolher um melhor futuro para seu país.

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