Ninguém mais teme as ameaças de convulsão caso Congresso não obedeça Bolsonaro

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Charge do Montanaro (Folha)

Rosângela Bittar
Estadão

A nova explosão de agressividade de Jair Bolsonaro e sua militância é sinal de que não está dando certo o projeto de continuidade no poder a qualquer custo. Estão em perigo duas certezas que fundamentam a campanha eleitoral intensiva a que o presidente submete o País. Primeiro, o voto impresso. Perdeu apoio e sentido a fantasiosa desconfiança na urna eletrônica. Segundo, esfacela-se o mito de governo incorruptível, marca que ele próprio se atribui, contra todas as evidências.

Ninguém mais teme as ameaças de convulsão social caso Bolsonaro não seja obedecido. Uma intenção de golpe desmoralizada tanto pelo Congresso, que não deve votar a lei, quanto pela Justiça Eleitoral, que a aplicaria a contragosto.

VOTO IMPRESSO – Oficialmente, 11 partidos se manifestaram contra tal retrocesso. Bolsonaro terá que inventar outra maneira de deflagrar uma crise institucional caso seja derrotado nas urnas. O projeto de uma infinita recontagem de votos, com a indefinição eterna dos resultados, terá de esperar por novo pretexto. O modelo Trump não colou nos Estados Unidos e dificilmente dará certo no Brasil, embora a democracia, aqui, seja mais frágil.

Já o discurso de ausência de corrupção no governo choca-se frontalmente com a realidade, agora demonstrada tanto na CPI da Covid, como no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União.

O caso da vacina indiana Covaxin é exemplar de um dos métodos que o governo usa para sustentar sua propaganda enganosa: se descoberta uma armação, logo é desfeita antes que o crime se consuma. Depois da denúncia, age-se como se não tivesse sido urdida.

OUTRAS CORRUPÇÕES – Esta prática de desmanchar o malfeito só quando denunciado repete-se em outras situações suspeitas de envolverem corrupção. O escandaloso caso dos computadores do MEC até hoje é tratado com um silêncio constrangedor.

As “rachadinhas”, assíduas no rol de denúncias contra parlamentares da família presidencial, são esquecidas na lista de corrupção mas não apagadas. As ligações pessoais com empresas em intermediações relatadas na CPI da Covid, outro tipo de incidência irregular na folha corrida da atual administração.

Os processos do ex-ministro Ricardo Salles dispensam registro. O disfarce, neste escalão, é outro: quando o cerco está prestes a se fechar, Bolsonaro tira o indigitado do cargo, como se o sujeito não tivesse pertencido jamais ao governo. O ministro Rogério Marinho até hoje não explicou o rateio de um orçamento secreto entre a elite da base aliada. Nem os demais ministros que se utilizaram do mesmo expediente.

OUTROS INCIDENTES – A área de Saúde é emblemática por causa da pandemia que já tirou a vida de 515 mil brasileiros. Só no Tribunal de Contas da União há mais de 40 processos em tramitação, do kit covid à cloroquina, da compra de aventais à omissão na aquisição de vacinas.

Há três semanas, o TCU suspendeu uma compra superfaturada de tratores para a ICMbio. Mais do que licitação, tratava-se de uma “ata registro”, uma espécie de guarda-chuva: quem quiser adquirir o produto, adere, tornando desnecessárias outras licitações.

O negacionismo de Bolsonaro é um vício renitente e incide nestas operações suspeitas. Ontem mesmo, ele negou, candidamente, que tenha conhecimento do que se passa nos ministérios. Mas foi no seu governo que o País viu reduzir-se a capacidade de controle das irregularidades.

QUEDA NO RANKING – O Brasil piorou nos índices de corrupção entre os 15 países da América Latina acompanhados por instituições americanas e inglesas.

Entre os fatores negativos determinantes está uma recorrente mania de Bolsonaro: a tentativa de subordinação de instituições que deveriam ser independentes.

O dramático brado do ministro Onyx Lorenzoni contra os que denunciam casos de corrupção no governo Bolsonaro, jurando pureza administrativa há 30 meses, soou completamente falso. Canastrice pura.

11 thoughts on “Ninguém mais teme as ameaças de convulsão caso Congresso não obedeça Bolsonaro

    • Bolsonaro vive o mesmo dilema de Luiz Inácio, ou seja, ambos não nasceram para vida pública, e só estão aí para satisfazer a ganância de enricar a si e aos familiares.

      Vida pública é para quem tem a particular resolvida, e para homens que não estão nem aí para dinheiro.

      Vejam os casos de Vargas e Jango, faziam o que o país precisasse, segundo suas experiências e visões, pois eram ricos e não seria a roubalheira que lhes encantaria.

      O mesmo ocorreu com Leonel Brizola, embora nascido pobre, casou -se com mulher rica, bonita e inteligente, o que lhe permitiu ser autêntico em toda a sua trajetória política, e só não foi presidente por causa da traição de Luiz Inácio que entrou no processo eleitoral de 1989 para lhe atrapalhar e entregar o ouro vergonhosamente na mão de Collor. Quem não lembra disso? Só os esquerdoides, não.

      Não há como fugir da história, por mais que Luiz Inácio deixe de beber e Bolsonaro de parar de falar, os dois são conhecidos por todos nos brasileiros que honram as calças que vestem, e sabem que nenhum dos dois presta.

      Vivem como diabos alados de volta para seus reinos de mentiras e rachadinhas.

  1. Alem da TI, que assina o Estadao, Globo e Folha, quem mais da ouvidos a impren$a hiena? Como diz a musa e filosofa Malu, “o choro é livre”.

  2. Presidente é corrupto igual aos outros.

    Enganou a Deus e o mundo em sua campanha.

    O Dias foi preso.Está certo o presidente da CPI.O cara mentiu de mais.Perjurou, etc e tal.

    • Resta o suicídio coletivo de Bolsonaro e Familícia, como uma saída honrosa!
      -Que Ixtab, deusa maia dos suicidas, faça desse clã maligno possesso dela e leve todos à autodestruição simultânea!

  3. Que AZAR do AZIZ, mandou prender arbitrariamente o indicado do MUTRETA. A CPI circense vai seguindo seu destino.

    Agora, o presidente do circo vai ter ter que provar suas acusações a Polícia Federal, Forças Armadas e ao Funcionario do ministério da saúde. Ta lascado! Vexame ao vivo!

  4. “oficialmente 11 partidos se manifestaram contra o voto impresso” … baita mentira!

    Como sempre, o jornalismo de aluguel escreve o que lhe convém. Na verdade os donos de 11 partidos reuniram-se com ministros do STF/TSE, que fizeram “lobby” ilegal contra um PL em tramitação no parlamento. A pergunta que qualquer jornalista decente deveria fazer é: o que esses lobistas do STF/TSE ofereceram aos 11 caciques, em torca da sabotagem de um PL?

    E os ministros tem muito a oferecer:
    – eles decidem quem será ou não será candidato numa eleição;
    – eles julgam o que é legal ou ilegal numa campanha eleitoral;
    – eles contam os votos dos eleitores, contam numa sala secreta, por robôs (softwares) encomendados sob medida e que ninguém mais tem pleno acesso;
    – como juízes do STF eles decidem, entre outras coisas, qual política vai ou não vai pra cadeia.

    Se existisse um só jornalista decente na grande imprensa, ele estaria juntando lé com cré para descobrir o que os facinorosos ministros do STF estão oferecendo em troca da sabotagem do PL do voto impresso.

    A treta das fraudes eleitorais é tão grande que o STF (supremo tribunal de facínoras) recusou-se a cumprir uma lei, sem nenhum vicio constitucional, aprovada pelo parlamento em 2015. Além de não cumpri-la, posteriormente, teve o descaramento de declará-la inconstitucional. Esse desespero do TSE contra o voto auditável revela o quão corrupto é esse sistema de apuração secreta.

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