Ninguém no sofá neste domingo, dia 16!

Com respeito à ordem e amor ao próximo, uma manifestação pelo Brasil

Percival Puggina

Quem optar pelo sofá da sala em vez de participar da manifestação deste domingo, 16 de agosto, estará escolhendo sofrer a história em vez de contribuir para um futuro melhor.

Inúmeras articulações vêm ocorrendo em Brasília. Um dia a presidente convidou para jantar em comemoração ao Dia do Advogado altas personalidades do mundo jurídico e dos tribunais superiores, inclusive do STF (três compareceram!). Vêm-me à mente que o 11 de agosto é tradicionalmente conhecido como “Dia do Pendura”, um antigo costume pelo qual estudantes de Direito iam aos restaurantes e mandavam pendurar a conta. Qual a conta que se pretendeu pendurar no jantar do dia 11?

No dia seguinte, Lula se reuniu com Temer, Sarney, Renan Calheiros e lideranças do PMDB no intuito de “enfrentar a crise”. Enfrentar a crise, para esse específico grupo, significa conseguir que tudo fique como está, que é exatamente como tudo não pode ficar. Na sequência, a presidente foi distribuir benefícios no Nordeste. E, quinta-feira, reuniu-se com lideranças dos movimentos sociais. Foi durante esse ato que ela ouviu, sentada e calada, o presidente da CUT chamar seu exército às armas. Que armas?

As forças do conformismo interesseiro se movimentam nos bastidores. Suas preocupações com a situação nacional não são perceptíveis a olho nu.

MENTIRAS E MISTIFICAÇÕES

Vivêssemos sob as mesmas regras adotadas nas democracias estáveis, o governo já teria caído em novembro do ano passado quando se tornaram evidentes as mentiras e mistificações da campanha eleitoral. A suposta “legitimidade” do mandato presidencial é fruto de embustes que fizeram de bobo o eleitor.

As mesmas forças políticas que hoje chamam impeachment de golpe forçaram a renúncia de Collor, que deixou o cargo no dia 29 de dezembro de 1992. Menos de quatro meses depois, em 21 de abril de 1993, por determinação das disposições transitórias da Constituição de 1988, ocorreu o plebiscito sobre sistema e forma de governo. Jamais esquecerei a figura do militante ator Milton Gonçalves, na telinha da tevê, durante a campanha sobre o tema, afirmando que “No presidencialismo, você põe, você tira”. Era uma gigantesca inversão da realidade. É no parlamentarismo que se pode tirar o mau governante. O que ocorrera com Collor fora uma quase inacreditável exceção à regra. Mas era uma exceção ainda bem presente na memória das pessoas. Mentindo, fizeram o eleitor de bobo. Pois é, também, graças àquela fraude publicitária de 1993 que Dilma está amarrada ao cargo com uma aprovação de apenas 7%,  que só lhe proporciona vaia e panelaço.

LEGITIMIDADE

Aqueles que recusam a legitimidade ao impeachment como um processo constitucional, também recusaram legitimidade, poucos anos passados, ao que aconteceu nos impeachments de Manuel Zelaya em Honduras e de D. Fernando Lugo no Paraguai. Anseiam por parlamentos comprados, submissos, abastardados. Devem avaliar de modo muito positivo os legislativos de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, dos quais jamais se ouve falar porque aceitam a focinheira que lhes impõem os respectivos governos.

Não podemos deixar que convençam ou vençam. Munidos do que lhes falta – respeito à ordem, amor à paz, civilidade e compromisso com o bem do Brasil e de seu povo – vamos todos às ruas neste domingo!

11 thoughts on “Ninguém no sofá neste domingo, dia 16!

  1. Percival Puggina você acertou na mosca, qualquer país com democracia de verdade, as mentiras e mistificações enganando a maioria dos eleitores para se reeleger, seriam motivos suficiente para o impeachment da Presidente reeleita.

  2. Não sei não, senhor Percival..,.
    Pelo que, se viu nos últimos 3 dias na chamada grande imprensa, acho que, as mentiras continuarão como verdades absolutas.
    É VERGONHOSO, MUDARAM TOTALMENTE O FOCO DAS COISAS. ATÉ AS NOTICIAS SOBRE A OPERAÇÃO LAVA JATO ESTÃO SAINDO COM PEQUENO DESTAQUE.

    No geral, a impressão que se tem, é que foram todos convencidos, para não dizer algo mais pesado.

  3. O Blog Lava Jato 247 mostra o papel abjeto da Globo !

    “Fora do golpe, Globo pediu moderação a tucanos

    O vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, procurou nas últimas semanas líderes das principais forças políticas do país e integrantes do governo para expressar preocupação com o agravamento da crise e pedir moderação para evitar que ela se aprofunde ainda mais; ele esteve com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves e falou com o governador Geraldo Alckmin, e o senador José Serra; Marinho também se reuniu com os ministros Aloizio Mercadante, Edinho Silva e Henrique Alves, e com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), além do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e com a bancada do PT na Casa; em todos os encontros, ele demonstrou preocupação com a queda acentuada do faturamento dos grupos de mídia; desde então, houve uma mudança na forma como a TV e o jornal de propriedade de Marinho passaram a tratar o governo; neste sábado (15), na edição do Jornal Nacional, não foi feita qualquer menção aos protestos que ocorrerão neste domingo (16), atitude bem diferente das edições da véspera das manifestações do primeiro semestre

  4. Caro articulista, o senhor vai protestar contra quem??
    Contra os desmandos de 12 anos do governo do Partido da Petrebra´s, ou dos 30 anos da Carnificina Diaria do Partidão da Ética da Riveira Francesa de São Paulo.????
    Será que nos dois casos não caberia dois impitizinhos.???

  5. Sei não. O previsível Renan Calheiros, já trocou o seu direito de “primogenitura” por um prato de lentilhas.
    Agora passou a ser o “homem do planalto”, la no congresso. Tudo isso isso costurado por um político que a
    última vez que foi candidato a deputado federal, ficou só na suplência, o Michel Temer, mas que depois de arranjos políticos acabou assumindo e se tornando presidente da câmara.
    Pois é, nas mãos desta gente que nós estamos entregues.

  6. Esta frase de Percival Puggina vale por todo o artigo : ” É no parlamentarismo que se pode tirar o mau governante’. O que está faltando na reforma política é a instituição do Parlamentarismo pelo Congresso Nacional, que, depois de aprovado, deverá passar por um referendo nacional. Mas a única forma de não termos mais o dissabor de ter governantes como Dilma, que mentem até o dia da eleição sobre o que irão fazer, e no dia seguinte fazem o contrário. Se já tivéssemos instituído p parlamentarismo no Brasil, Dilma já teria caído a muito tempo, já teríamos tido outra eleição para o parlamento – e ainda com chance de votar um parlamento melhor que esta escória que os brasileiros colocaram no Congresso Nacional.

  7. “É no parlamentarismo que se pode tirar o mau governante.”: com todo o respeito ao Sr. , também acho que o presidencialismo já deu, mas com esse parlamento que aí está, Deus que “ataie”.

  8. Está na hora da campanha: “Parlamentarismo Já”. Vamos ver se o nosso Congresso aprova. Concordo plenamente com o Ednei; claro que havendo Parlamentarismo o Congresso tb se renova… e não tem essa coisa demorada de se esperar 4 anos…

  9. Boa performance: https://www.facebook.com/video.php?v=949322758442938&pnref=story

    Divulguei em meu face a fala da presidente Dilma Rousseff para debate, observados os seguintes critérios: 1. Respeito à autoridade e ao legítimo mandato outorgado pelo povo; 2. Menção aos temas avaliando seus impactos para o desenvolvimento do país e melhoria da população; 3. Evitar questões políticas, senão como reforço a reflexões e rumos para o país.

    Com prazer observo que, contrastando à depreciação pessoal e o pessimismo disseminados por opositores, Dilma mostra firmeza e serenidade ao expor problemas e apontar planos em quase 40 minutos de explanação, em que assegura que manterá intocáveis programas sociais e anuncia para breve nova etapa do ‘Minha Casa’, defende o Pré-Sal, além de ser enfática na questão da soberania.

    A presidente foi categórica afirmando que não se verga na resistência contra forças conspiratórias, recordando as enfrentadas pelo Presidente Getúlio Vargas. E homenageou o ministro Manoel Dias (PDT) por seu 77º aniversário. A cortina de fumaça da grande mídia encobre isto tudo.

    BRIZOLISMO X LULISMO – O rompimento se desenhou ainda em 2002, entre a vitória e a posse, mesmo assim Leonel Brizola deu seis meses de ‘estágio probatório’ e estendeu isto para um ano só rompendo efetivamente na virada de 2003 pra 2004. A entrega do BC para o banqueiro Henrique Meirelles foi estopim da crise e as ingerências de José Dirceu sobre o país, inclusive impondo a nomeação do ministro das Comunicações, Miro Teixeira, para satisfazer aos interesses das Organizações Globo e no mesmo tempo estimular divisionismos no PDT Nacional. Em apelo dramático, percebendo os ataques, nosso líder chegou a afirmar que “fora do PDT não há salvação” e que devíamos nos manter coesos em torno da sigla brizolista e das questões nacionais. Depois disso, jamais nosso partido voltou a apoiar Lula, eleitoralmente, embora tenha decidido – após amplo debate e mantendo a unidade como Leonel Brizola recomendou – retornar ao governo em 2007.

    EM CURITIBA foi grande a manifestação, com puxadas contra o governo: ‘Fora Dilma, fora Lula e fora PT’. Direcionada a galera em geral entrou no tom para o qual foi chamada. Não que concorde ainda com os aumentos nos impostos estaduais em 50% no ICMS, 40% no IPVA, além de taxação de 11% nos aposentados e pensionistas e o maior aumento de energia elétrica do país. É tudo questão de foco. Amanhece segunda-feira e poucos se importarão em conhecer como poderiam cooperar melhor.

    IMPEACHMENT – Não há elementos para aventar a hipótese do impeachment, nada além da conformação das cúpulas dirigentes (consenso). E ainda que houvesse fato determinante (causa legal), dependendo de como fosse direcionado por essas cúpulas, o maior dos elementos (acatamento popular) pode não encerrar necessariamente como planejam.

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