Ninguém reparou que a primeira-dama Adriana Ancelmo está totalmente distante do governador Sergio Cabral, neste momento tão difícil e dramático?

Carlos Newton

Desde o trágico acidente da queda do helicóptero em Porto Seguro, semana passada, ninguém explicou a ausência da primeira-dama, Adriana Ancelmo Cabral, que não viajou à Bahia junto com o marido e o enteado para festejar o aniversário do empresário Fernando Cavendish.

Somente na quarta-feira – cinco dias depois, portanto – é que a imprensa tocou no assunto, em reportagem de Fábio Vasconcellos no Globo, que dedicou ao assunto apenas uma simples frase: “A mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, desistiu do passeio e permaneceu no Rio”.

Mas por que ela não viajou para Porto Seguro, para ficar solidária à dor do marido e do enteado, nem foi vista ao lado de Sergio Cabral Filho nas primeiras cerimônias  fúnebres realizadas no Rio de Janeiro? É que o casamento também vai mal. Como dizia o cronista Ibrahim Sued, “em sociedade tudo se sabe”. E o que se comenta nos meios sociais da elite é que Cabral e Adriana estão praticamente separados.  

De repente, parece que tudo está dando errado para  Cabral, que aos 48 anos vinha fazendo uma carreira brilhante, tornando-se uma espécie de Rei Midas da política. Tudo em que tocava virava ouro. Ficou a tal enfeitiçado que desde a gestão passada entregou o governo ao vice Pezão, para mergulhar de corpo inteiro nos prazeres do circuito Leblon-Angra-Miami-Paris.

No primeiro ano de mandato (2007), até o mês de setembro, a média de Cabral era de 1 a cada 5 dias fora do Brasil. No mês de abril, por exemplo, chegou a permanecer mais tempo fora do país do que no Rio de Janeiro, Estado que hipoteticamente governa. De lá para cá, o fascínio pelo exterior prosseguiu.

Desde o primeiro mandato, sempre foi muito difícil vê-lo despachando no Palácio Guanabara, e a desculpa era de que o prédio estava em obras. Mas na vida tudo tem um preço. De repente, sua trajetória entrou em queda livre e Cabral mergulhou num buraco negro que parece não ter fim.

Apesar de não ser ligado a nenhuma religião, desta vez ele deu graças a Deus pelo feriado prolongado de Corpus Christi. Ganhou quatro dias para respirar e tentar recuperar as forças, procurar uma saída, dar um jeito qualquer, enfim. Mas a trégua de quatro dias nem chega a ser um cessar-fogo, porque a grande imprensa enfim colocou Cabral Filho na alça de mira.
O Globo montou uma equipe exclusivamente para vasculhar suas ligações com os empresários citados aqui no blog da Tribuna, e a Folha de São Paulo, mesmo com grande atraso, já começa a noticiar os efeitos políticos do acidente com o helicóptero em Porto Seguro. Ficam faltado apenas o Estadão e o Correio Braziliense, que não tardam a seguir a Tribuna e O Globo. E amanhã já começam a ser divulgadas as reportagens das revistas semanais, que vão mergulhar firme no assunto.

Realmente, o governador do Estado do Rio de Janeiro não está numa maré de sorte. Sua situação financeira é realmente invejável, pode viver sem trabalhar até o fim de seus dias, e não faltará dinheiro para ele e a família. O problema é o meteórico desgaste de sua imagem como político e como cidadão.

É um processo que não tem fim, porque cada reportagem puxa o fio de uma meada, e as denúncias vão se multiplicando. No momento, quem está na berlinda é a Delta Construções. Outras empresas estão na fila, aguardando. Especialmente as que pertencem ao famoso Arthur Cesar, o rei da terceirização no Estado do Rio, e que é defendido na Justiça pela própria primeira-dama Adriana Ancelmo. Que vai ter muiuto trabalho pela frente, não tenham dúvidas.

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