Níveis dos reservatórios não podem ser mudados por lei ou por decreto de Bolsonaro

Medida dá mais autoridade ao Ministério de Minas e Energia

Pedro do Coutto

Reportagem de Manoel Ventura, O Globo desta segunda-feira, revela que o governo deve editar Medida Provisória que tira poderes da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ibama na gestão dos reservatórios de usinas hidrelétricas.

Os reservatórios inspiram atenção extrema pois registram mínimos históricos e as usinas não podem operar com um nível inferior a 10%. É muito arriscado. O presidente da República deve ouvir a opinião de técnicos do setor antes de tomar providências administrativas. Sobretudo porque medida no papel não resolve o problema.

DELÍRIO POLÍTICO – Se o decreto ou uma lei pudesse mudar a realidade não haveria problemas no mundo. Não adianta mudar o critério de julgamento retirando dos órgãos gestores o poder de decisão, transferindo-o ao Ministério de Minas e Energia e, acreditando, segundo um delírio político, que tal ação pudesse solucionar a questão.

Isso de um lado. De outro, ao transferir os poderes na operação citada, o governo estaria supondo que os órgãos que hoje estão encarregados pela medida não são competentes em um momento de escassez de chuvas nas áreas em que estão instaladas as usinas hidrelétricas.

O governo terá que se deslocar para uma medida mais racional, acionando termelétricas, aumentando os custos da energia. Mas o problema é também de risco. Porque operar usinas com reservatórios com níveis arriscados será transferir esse risco a toda sociedade que não pode estar à mercê de um poder administrativo eventual. 

CÂMARA – O governo está pensando também em criar uma Câmara destinada a opinar sobre assuntos hídricos, formada, segundo a reportagem, pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e pelos  ministros da Casa Civil, do Desenvolvimento Regional, do Meio Ambiente e da Infraestrutura, a Advocacia-Geral da União e dirigentes máximos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da ANA, do Ibama, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Empresa de Pesquisa Energética.

Como se vê, vários cargos se acumulariam para resolver um problema fora da alçada de apreciação técnica. Mais uma atitude que reflete o descaminho do governo que aceita tudo em matéria de teoria. É necessária uma revisão de tal iniciativa, sob pena do governo cair em um absurdo maior do que o já se encontra. As indústrias têm motivo para preocupação, a exemplo do comércio e o setor de serviços. Enquanto isso, a população aguarda mais essa resposta de um governo que só contribui para aprofundar a crise. Não é por decreto ou por lei que a realidade pode ser mudada e a história universal tem exemplos em série sobre essa questão.

TERCEIRA FORÇA – Os jornais de segunda-feira colocaram em destaque a procura de um novo candidato, terceira força eleitoral, para disputar a sucessão marcada para outubro de 2022. Está difícil surgir um nome, talvez até pela impossibilidade de que se reveste a questão. É preciso que o terceiro candidato tenha ao menos alguma força para decolar rumo ao Planalto através das urnas democráticas.

No momento, o quadro está balizado: Jair Bolsonaro de um lado e o ex-presidente Lula de outro. O PDT decidiu se empenha junto a Ciro Gomes, possível candidato da legenda, para que ele não amplie seus ataques a Lula. O PDT age em função de um possível segundo turno colocando em confronto Ciro e Bolsonaro. Mas o confronto inicial de Bolsonaro não é exatamente contra Bolsonaro, mas contra Lula.

Ciro só decolaria nos grupos de esquerda com o apoio de Lula. O impasse continua e o caminho das urnas tem um seta apontando para Bolsonaro e outra para Lula da Silva. As urnas decidirão qual será o caminho.

8 thoughts on “Níveis dos reservatórios não podem ser mudados por lei ou por decreto de Bolsonaro

    • Vai ter?
      Já estamos em racionamente de água há anos aqui no Tucanistão.
      Todos os dias das 22:00 ás 6:00 hs as torneiras ficam secas.
      E veja que isso no Estado desgovernado por aqueles que dizem que “são” os mais preparados”, nós temos ideais”. nós sabemos governar”.
      E por fim, os aumentos dos Tucanalhas sempre batem nas Nuvens…..
      Uma conta simples de água (minino de 10mc) que era em torno de 60, 70 contos, hoje ultrapassa os 130,150 contos….

      • A torneira fica chupando e expelindo ar a noite toda; se você fechar o registro ( durante a noite), vai diminuir o tombo em 30%.

        PS: Se quiser fazer um teste; quando acabar a água, mergulhe a ponta da torneira em um copo d’água/ você vai ver a torneira chupando a agua do copo.

  1. Cada novo indivíduo que nasce, constitui-se um multiplicador de problemas em potencial: nem precisa ele agir, basta existir.
    A antropocidade é a soma das degradações exponeciais de cada um de nós.
    Um bebê que acabou de nascer, desde seu estágio de nascituro, ele já vinha antecipando o seu leque de danos ambientais: a mãe fazia pré-natal e dava gasto em medicamentos e assessórios médicos descartáveis. Tudo isso, inevitavelmente, teve de sair da natureza.
    Ao nascer, a interação do novo ser com o meio ambiente será mais predatória: ele vai passar a comer, vestir, tomar remédios e se converter em um produtor de lixos. Por causa dele cresce o consumo e a consequente resposta do setor produtivo: mais poluição e degradação do ecossistema. Uma vaca que fornece leite para o “neoterráqueo”, a bovídea, a exemplo do lactente, quando ambos soltam um peido ou um arroto, lá se vão dois inimigos da camada de ozônio: sulfeto de hidrogênio(H2S) e gás metano(CH4). Este último contribui também pro efeito estufa – e assim nutriente e nutrido vão tecendo as suas cadeias devastadoras.
    -Não espere que as pandemias façam o aterrador bio-despovoamento; você poderia começar, aí na sua cama mesmo, um planejamento familiar responsável, equilibrado e sem maiores traumas!

    • Sr. Paulo

      Agora imagine tudo isso multiplicado por 10
      Uma mulher que vive em uma favela com 10 filhos.
      Pior que coelho, a cada ano ela e o troglodita
      “faz” um filho…

      • É uma continha trivial para qualquer analfabeto: se eu sou pobre e me proliferou de filhotes, o que estou querendo, senão me tornar miserável? Exceto se eu estiver mal-intencionado: esperar que os governos repassem para mim, parte do dinheiro que eles arrancam dos otários trabalhadores, em forma de “bolsas naros”.
        Se a preguiça for fazer essa projeção simplista, passe a abservar a galinha: se ela tiver três pintinhos, é possível que possa protegê-los do gavião. Porém, se for mais de cinco crias, um ou dois vão virar jantar do rapineiro.

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