Nível dos “presidenciáveis” demonstra que há uma caveira de burro no Brasil

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Percival Puggina

Você já deu uma olhada nos nomes listados nas pesquisas de intenção de voto para as futuras eleições presidenciais? Pois é. Integram-nas alguns personagens da nossa cena política que jamais convidaríamos para um jantar em família. Outros há aos quais ninguém de bom senso confiaria a condução de uma microempresa familiar. Tudo indica, porém, que a nação entregará a um deles seu destino quando chamada – mais uma vez! – a escolher com base no inevitável e desesperado critério do mal menor. Caveira de burro, fatalidade?

Qual o perfil do presidente que desejaríamos ter? Honesto, competente, bem instruído nos negócios de Estado. Ademais, animado por um talento de estadista que lhe permitisse formular e sustentar soluções eficazes para nossas dificuldades sociais e econômicas.

COMUNICAÇÃO – Sem ser demagogo, teria que estar dotado de excepcional capacidade de comunicação, pois lhe caberia arregimentar a opinião pública num nível capaz de alcançar dezenas de milhões de votos. Para viabilizar sua campanha em âmbito nacional, esse varão de Plutarco precisaria arrecadar uma fortuna entre doadores interessados no bom desempenho da frondosa árvore do poder e totalmente desapegados de sua acolhedora sombra e saborosos frutos.

Chegado ao Planalto nos braços do povo lhe caberia a indispensável tarefa política de compor sua sustentação parlamentar, posto que com nosso pluripartidarismo ela nunca lhe adviria da própria legenda. E mais uma vez, seu envolvente talento e bom programa produziriam o sortilégio de implantar suas ideias em cabeças onde elas não ocupavam qualquer espaço.

IRRACIONALIDADE – Há mais de um século, renunciamos à superior racionalidade do parlamentarismo e começamos a procurar por esse sujeito. E a fé em que o encontraremos resiste a golpes e rupturas institucionais, suicídios e revoluções, num cortejo de débeis honestos, poderosos safados, ditadores, demagogos, oportunistas, corretores da nação, idealistas repetidores de péssimos chavões. Caveira de burro ou burrice do sistema?

Se a concentração de poder no governante e se a possibilidade de partidarizar o Estado e a administração pública são causa relevantíssima de incompetência e corrupção, por que não separar essas funções? Se é tão difícil conseguir apoio parlamentar para medidas inerentes a um determinado plano de governo, por que não fazer dele o tema das campanhas eleitorais, centrando na eleição parlamentar o maior interesse político?

E O RECALL? – Se parece tão apropriado dar a quem concede mandatos, ao eleitor, o poder de cancelá-los em caso de mau desempenho, corrupção ou infidelidade aos compromissos de campanha, por que não instituir o voto distrital com recall (que só é exequível nesse tipo de eleição)?

O presidencialismo brasileiro, com tão longa história de fracassos, se tornou um caso de fetiche. Nenhuma ideia na cabeça de um presidente se concretiza se não estiver antes na cabeça da maioria parlamentar. A importância da eleição do Congresso é uma obviedade que grita nas páginas da História!

11 thoughts on “Nível dos “presidenciáveis” demonstra que há uma caveira de burro no Brasil

  1. Esse negócio de nomes bons ou ruins, importa pouco se um estado é realmente democrata e capitalista de verdade, coisa que o Brasil nunca foi.
    A questão é a estrutura do estado.
    Pode-se colocar até Jesus Cristo para presidente, que Ele não conseguirá consertar este país.

  2. Sr. Percival,
    O grande Sr. Henry Maksoud – o único brasileiro que elaborou uma constituição – já previa no sistema de governo, inspirado na doutrina da escola austríaca de economistas que: todo candidato a cargo eletivo, só poderia concorrer mediante o registro de um plano de governo que deveria ser posto em prática obrigatoriamente; e o eleitor votaria no plano que julgasse melhor e não apenas na persona. É o que faz qualquer empresário quando precisa escolher para o seu lugar uma outra pessoa para tocar o seu negócio. O sistema foi chamado de DEMARQUIA. É o sistema mais aperfeiçoado que já foi concebido para colocar o Estado a serviço do cidadão, porém isso exige lideranças comprometidas com o País e o bem-estar do seu Povo.
    Todos os que procuram conhecer e estudar este sistema, rendem-se à sua consistência.
    SERIA O FIM DOS PARASITAS!

  3. Concordo com o texto do Percival.

    Acho, entanto, que nos partidos políticos a exceção dos partidos arruaceiros como o PSOL, PT etc., há nomes que podem, perfeitamente, administrar o Brasil com competência e segurança.

    No PSDB por exemplo, há nomes capazes de dá uma sacudidela no país, mas teimam com Chucho, Serra , Dória [os dois primeiros já foram derrotados], e não tem carisma, que é muito importante na campanha de um presidenciável.

    Mas….

  4. Todo candidato deveria apresentar um projeto de governo, para a economia, para o social e para financeiro, etc. Se eleito seria obrigado a cumprir a promessa de campanha de acordo com a sua proposta. Caso não cumpra, será destituído do governo, sem muitas delongas.
    Os marqueteiros fazem uma proposta de campanha para os candidatos, para ninguém botar defeito, mas depois de eleito a proposta vai para o lixo.
    Não se pode analisar um candidato a presidente, sem ter um currículo que demonstre credibilidade.
    Qual o candidato, que para dar o primeiro passo contra a corrupção, defende o fim do Foro privilegiado e defende a diminuição de parlamentares, nas duas casas? Existe um.

  5. Décadas e décadas de populismo terceiro mundista vindo do meio político brasileiro, principalmente da esquerda, levou a isso: POLÍTICOS SÃO ISSO MESMO!

    Faço uma pergunta para o pessoal do Tribuna da Internet:

    Para vocês o que seria um político de bom nível?

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