No Brasil, a imprensa esportiva é mais útil e menos militante do que a imprensa política

23 de agosto – Dia de luta contra as Injustiças | MULTIDATAS ...

Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Percival Puggina

No regime monárquico, a sucessão da chefia de estado é hereditária e o chefe de governo, eleito pela maioria parlamentar. As muitas monarquias constitucionais existentes são politicamente estáveis e proporcionam democracias mais qualificadas do que a nossa.

Outros regimes que separam a chefia de Estado da chefia de governo igualmente se beneficiam de estabilidade como mostram os exemplos, entre outros, da França, Itália, Alemanha e Portugal.

MAIORIA PARLAMENTAR – Nesses países, o chefe de Estado, que não governa, é eleito pelo voto majoritário da sociedade, mas o chefe de governo é eleito pela maioria parlamentar. Nós, não obstante as evidências proporcionadas pelos bons modelos, continuamos cruzando os séculos na boleia da mesma carreta vivendo a crise nossa de cada dia, junto com Argentina, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e tutti quanti. Se não for assim, não é democracia, cremos, contra os fatos e contra a história.

Quem nos vendeu semelhante disparate? Sim, porque é um disparate caber ao governo, depois de eleito, a tarefa de buscar (melhor dizendo: comprar) maioria parlamentar sem a qual não governa. E não basta montá-la no dia 1º de janeiro, tem que mantê-la no dia 2, no dia 3, no dia 4, no dia 5 de janeiro e a cada votação significativa do Congresso Nacional. A que preço?

SAI MUITO CARO – O preço inclui ministros e dezenas de milhares de cargos de livre nomeação providos por pessoas que nada entendem das tarefas que lhes são atribuídas e nas quais servem aos interesses de seus partidos. O preço inclui, também, o enorme equívoco da partidarização e a ideologização da administração e do Estado.

O eleito dessa forma, segundo essas regras, é, ao mesmo tempo, o chefe de Estado, o chefe de Governo e da Administração, coisa que nenhum país sensato adota. Parece que manda muito, mas, como vemos, se não comprar uma base de apoio, só faz o que o Congresso e o STF permitem. E se não se dão bem, não permitem coisa alguma.

Além disso, nosso sistema eleitoral estabelece um abismo entre as qualidades que se exigem para ter o voto e as qualidades que se requerem para governar. É caso raro encontrar tudo isso na mesma pessoa. Depois, nos queixamos por não termos estadistas.

SOMOS BURROS? – Por que isso acontece? Por que somos burros? Por que não há aqui quem conheça história? Ou quem tenha visão correta da política? Temos, sim, mas não é a visão correta da história, da política e da economia que elege um presidente.

Ficamos imaginando que as instituições da nossa República não funcionam, quando o que nos desagrada é exatamente o que decorre de seu funcionamento. Ministros do STF, congressistas de relevo, supostamente inteligentes, “tranquilizam” a população afirmando que as instituições estão funcionando. Sim, sim, é fato. E ao fazê-lo só produzem encrencas e geram crises desde 1889.

PODER MODERADOR – Como se resolve isso? Responsabilidade essencial das elites, tarefa de quantos tenham capacidade de análise, de estabelecer relações de causa e efeito, de entender a necessidade de haver um poder de Estado legitimado como moderador, com prerrogativas para dissolver o parlamento etc. As elites não têm o direito de querer solução se sequer conhecem o problema.

Qualquer cidadão brasileiro faz minuciosa análise de uma partida de futebol. Tem visão estratégica de um jogo, de um campeonato e de vários campeonatos simultâneos. Conhece a história de seu clube, seus melhores atletas, seus bons presidentes, comenta a escalação das equipes. Mas não sabe coisa alguma da história de seu País, não conhece seus estadistas, e é incapaz de fazer uma análise política com relações de causa e efeito.

Por quê? Porque, com as exceções de praxe, a imprensa esportiva brasileira é bem mais competente e menos millitante do que a imprensa política.

16 thoughts on “No Brasil, a imprensa esportiva é mais útil e menos militante do que a imprensa política

    • Na nossa República o governo depois de eleito precisa comprar maioria parlamentar sem a qual não governa. Mas o que garante no parlamentarismo à brasileira o chefe de governo eleito pela maioria parlamentar não tenha que comprar maioria parlamentar para governar? Desculpa minha ignorância.

  1. Não entendi.

    “um poder de Estado legitimado como moderador, com prerrogativas para dissolver o parlamento, etc”.

    Acho que Puggina está devaneando. Que poder absoluto seria esse? Que teria a prerrogativa de fazer qualquer coisa. Acho que essa ideia se aproxima de uma ditadura.

    • Ontem foi meu dia de vagabundo esquerdista; hoje, quando eu voltar do trabalho, eu te coloco um link de um “comando do exercito”, explicando direitinho, que quem dá há ultima palavra, é quem tem o poder (de fogo).

  2. Desta vez esse articulista errou feio. O meu esquerdopata preferido, é um tal de Trajano; nos comentários “esportivos” dele, o lula sempre é o melhor em campo; cobra o escanteio e corre na área para cabecear, e esse trajano sempre legitima o gol da bola que não entrou, e ainda marca o pênalti que ninguém mais viu.

  3. A futilidade e descrédito da mídia política residem no fato de as fontes, quando não pertecem diretamente a grupos políticos, estão a serviço destes, sempre pagas, por uma questão de sobrevivência. Com esse proselitismo sectarista ou comprado, a verdade vai pro beleléu.
    Outra tendência cruel, difícil de ser digerida, sobretudo, onde impera a pistolagem e o crime organizado, é esta: um Zé-Ninguém qualquer comete um delito, na vez de reportar o ocorrido, a primeira atitude do jornalixo, é buscar uma referência humana ou material para o delinquente: político, pessoas famosas, empresas….. Preferencial e maldosamente, se o referencial tiver uma reputação pública a ser preservada.
    -O cometedor não tem vida própria?
    -Não goza de individuação? -Seu sequenciamento genético, não diz que ele é uma unidade dentre bilhões? -Então, por que o vincular com outra pessoa que, na grande maioria das vezes, nada tem a ver com o desatino do infrator?
    Agora, tolerar aquela equipe esportiva de chatos da Band, precisa ter estômago de xengo. Talvez, por isso, que todo flamenguista não costuma perder uma programação!

  4. PERCIVAL A IMPRENSA DESPORTIVA É IGUAL A POILITICA,TEM LADO MANIPULAM INFORMACOES,VIDE A CORRUPÇÃO QUE CAMPEIA NO MUNDO NO QUE DIZ RESPEITO AO DESPORTO,FEDERAÇÕES ,CONFEDERAÇÕES,DIREÇÕES DE CLUBES,VENDA E COMPRA DE JOGADOS,LAVAGEM DE DINHEIRO…NO CAMPO DA POLITICA DIGO:UM SÓ MANDATO,SEM REMUNERAÇÃO O PROMETIDO NÃO CUMPRIDO PERDE MANDATO,TODA A ESTRUTURA DO PODER MUNICIPALESTADUAL E FEDERA L,CONCURSADOS DE FORA SO MINISTROS E SECRETARIOS COM BOA JUSTIFICATIVA…

    • Cadê o lendário Gerenciamento Participativo.
      A meu ver, o dinheiro mais maldito é aquele investido no aparelho da segurança pública: o mais ineficiente de todos, altamente corrupto, tirano, quase que totalmente impunível, autodefensivo via corporativismo pandemônico e onerosíssimo!

    • A carta é interessante, Meira, porém superficial, não aprofunda o debate, fica em perfumarias. A meu ver, os jornalistas ainda não se adaptaram à velocidade da internet. Mesmo assim, os jornais de papel continuam a ser importantíssimos. Ontem, assisti ao excelente film Post e fiquei comovido ao rever como era o jornalismo no meu tempo. Mas tem umas coisas que não mudaram e uma delas é citada na carta da editora – o jornal é o rascunho da História. A outra é a imprensa existe para defender os governados e não os governantes.

      Abs.

      CN

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