No Brasil, até o Partido Comunista defende menos impostos para empresas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Parece incrível o que está acontecendo, mas é verdade. Em vez de lutar por mais salários e empregos para os trabalhadores, o PCdoB assumiu a liderança no embate para reduzir substancialmente a reoneração das folhas de pagamento, obtidas em renúncias fiscais e previdenciárias legadas ao país pelo governo Dilma Rousseff. Há poucos dias, o Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, sustentou que tais renúncias somaram 270 bilhões de reais, que daria – chamei atenção para isso – para cobrir o alegado déficit do INSS. Mas vamos ao assunto concreto.

O Presidente Michel Temer enviou mensagem ao Congresso Nacional diminuindo de forma substancial essas exonerações. Exonerações, diga-se de passagem, à custa de todos nós, contribuintes de tributos. Para se ter uma ideia na parte previdenciária, as reduções dadas a empresas faziam com que pagassem de 1 a 4% sobre o faturamento, ao invés de 20% sobre a folha de salários. Muito bem. O projeto tramitou e seu relator foi o deputado Orlando Silva, do PCdoB.

RELATOR ATUANTE – O que fez Orlando Silva no substitutivo que apresentou? Simplesmente reduziu fortemente os percentuais de oneração que incidiriam sobre as empresas beneficiadas. Incrível.  Para escolher os setores que manterão os incentivos, o relator considerou três critérios: uso intensivo de mão de obra; com atividades que sofrem concorrência “desleal” com importados e setores cuja retirada dos benefícios pode acarretar na saída de empresas no País.

A pressão que ele está representando no Poder Legislativo levou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, a negociar uma solução diferente da proposta original do Palácio do Planalto.

ATÉ 2020 – Não é só isso. O deputado comunista colocou no seu substitutivo o ano de 2020 para o término do benefício para todos os segmentos empresariais. O governo queria extinguir as desonerações sobre 56 setores empresariais. O deputado do PCdoB discordou da iniciativa. Tanto assim que a reportagem de Adriana Fernandes, edição de ontem de O Estado de São Paulo destaca o processo de concordância entre o ministro Guardia e Orlando Silva para aprovação do texto final.

O Comunismo brasileiro parece ter mudado de lado, passou a defender vantagens, não para os trabalhadores, mas sim para os empregadores. Os benefícios foram surpreendentemente concedidos para reabilitar o nível de emprego do país. Nesse sentido não funcionou. O desemprego permanece na escala de 13 milhões de pessoas que perderam os postos de trabalho.

MAIS FRACASSO – A desoneração também não influiu um centavo no aumento da receita pública. Portanto, fracassou.

Por falar em fracasso não se pode deixar de acentuar a derrocada do próprio PCdoB que, do lado do trabalho transferiu-se para o lado do capital

Não está sozinho nesse movimento, claro. Está aliado às forças conservadoras com assento no Parlamento. Sinal dos tempos. O Comunismo brasileiro transformou-se num partido capitalista nacional.

6 thoughts on “No Brasil, até o Partido Comunista defende menos impostos para empresas

  1. Com mais essa o trabalhador está ferrado, pobre Brasil, virou republiqueta democradura, com 220 milhões de escravos, os politiqueiros, campeões da esculhabanção que reina soberana.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, neste Artigo ” No Brasil, até o Partido Comunista defende menos Impostos para as Empresas”, a nosso ver, é muito duro na crítica de que: Assim, o P C do B transferiu-se do lado do Trabalho, para o Lado do Capital.

    O Governo DILMA ROUSSEFF, em meio a maior Recessão Econômica desde 1929, queda do PIB de -8% em 2015 e 2016, e Deficit Fiscal Federal que atingiu -9% do PIB, (hoje estamos com Deficit Fiscal de -5% do PIB), tentou medidas anti-cíclicas como as Desonerações de Impostos e Previdenciárias, para naquelas alturas, reduzir o crescimento do Desemprego. “Recuou-se os Arfe, junto aos Beques, para evitar Catastre” ( NENÉM PRANCHA).

    O Congresso Brasileiro tem um Corpo Técnico fabuloso e de muita experiência, e eles orientaram o Relator Dep. Fed. ORLANDO SILVA, P C do B, a nosso ver, da melhor maneira.

    No que voltarmos a prosperidade, forte crescimento Econômico, e voltaremos a médio Prazo (+- 4 anos), tenho certeza que os Partidos Comunistas voltarão a Defesa convencional do TRABALHADOR.

    E é desse embate de ideias entre a Esquerda e a Direita que o Trabalhador ganha o máximo POSSÍVEL.

    Não esqueçamos de pagar uma Mensalidade de R$ 20 para não deixar nosso Editor/Moderador do bom TRIBUNA DA INTERNET onLINE, “morrer de magro”.

    CEF – Lotéricas

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    Muito Obrigado.

  3. 1) As ex-querdas brasileiras trocaram de lado, bem disse a então senadora Heloisa Helena, na primeira reeleição do ex-presidente Lula.

    2) É a síndrome de Estocolmo… a vítima apaixona-se pelo sequestrador…

    3) Não confio mais nelas ex-querdas, só querem os poderes e bons empregos…

    4) Descansem em paz.. O povo ficou órfão de bons líderes…

    5) Eu disse “bons líderes”, outros tipos de líderes tem muitos por aí… fazem até acordo com Maluf e outros que tais…

  4. “O Comunismo brasileiro parece ter mudado de lado, passou a defender vantagens, não para os trabalhadores, mas sim para os empregadores…. amigos do governo. ” é muito importante fazer esse complemento. Os comunistas defendem apenas seus amigos empresários, a lava jato está ai pra mostrar.

  5. Sobrecarga tributária é uma ditadura com penas pecuniárias. O corpo e alma poupados pela opressão da ditadura institucionalizada; é o mesmo corpo e alma que se autotorturam para pagar a cascata de impostos impostos a cada cidadão.

  6. Pedro do Couto, você que vem correndo profissionalmente desde o início do ano 1950 ainda acredita em comunismo ou comunistas no Brasil? Esse comunismo que aí está é tão falso que apresenta Prestes que era do PCB como se ao PC do B tivesse pertencido. Os comunistas que existem cabem dentro de uma Kombi. Não sabem nem da existência de Marx.

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