No Conselho de Segurança da ONU, o importante é o poder de veto, que só cinco países detêm. E não pretendem atribuir esse direito a nenhuma outra nação.

Carlos Newton

O comentarista Frederico de Oliveira levanta a seguinte questão: “Caro Carlos Newton, você simplesmente discordou e desqualificou a intenção do Estado Brasileiro manifestada no discurso de Dilma. Eu discordo de sua opinião, diga-se de passagem, mas meu comentário se deve à falta de análise para sustentar seu texto. Por que é “sonho de uma noite de verão” o Brasil pleitear um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU? Acho que você precisa justificar, como jornalista. Acostumei-me à Tribuna da Imprensa e fiquei exigente na leitura.”

Não existe nada mais importante na política internacional do que o poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Desde a criação das Nações Unidas, somente cinco países detêm esse poder: Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China, os únicos que têm assento permanente no Conselho de Segurança. Os outros dez países variam, os integrantes vão mudando a cada dois anos.

O que o Brasil pleiteia é que haja uma “reforma e ampliação” do Conselho. Quando o Brasil fala em “reforma e ampliação”, comete uma redundância, porque o único pleito concreto do Brasil é a ampliação do número de membros permanentes. Ninguém tem coragem de detalhar a “reforma”, que seria atribuir o direito de veto aos novos membros permanentes. Ou seja, o Itamaraty pretende que, além de Estados Unidos, Inglaterra, França, Rússia e China, o Conselho de Segurança passe a ter outros integrantes permanentes, entre eles o Brasil.

Os Estados Unidos até admitem a hipótese de ampliação e já anunciaram apoiar a transformação da Índia em membro permanente (quanto ao Brasil, nenhuma palavra ou sinal de incentivo, até agora, apenas “simpatia e apreço” pela reivindicação brasileira). E por que Washington aceitaria outros membros permanentes? Apenas por uma política de boas relações, porque existirem outros membros no Conselho de Segurança, sejam temporários ou permanentes, não muda nada nem significa nada.

O importante é ter o poder de veto. No Conselho são 15 membros, 5 permanentes e 10 provisórios. Se 14 votaram a favor de uma decisão, tipo ocupação do Iêmen por tropas da ONU, e um só dos cinco permanentes votar contra, ou seja, vetar, estamos conversados.

Imaginar o Brasil lá no Conselho de Segurança, com poder de veto, é mais do que sonho de uma noite de fim de verão; é um delírio completo. As grandes potências jamais abdicam dos poderes conquistados. Por que fariam isso em homenagem ao Brasil? Por fim, Frederico, integrar o Conselho de Segurança como membro permanente, sem poder de veto, não significa nada.

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