No desespero, a defesa de Temer vai retardar ao máximo o julgamento no TSE

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Sem apoio, Temer está completamente isolado

Paulo Celso Pereira e Carolina Brígido
O Globo

Diante do agravamento da crise política, o presidente Michel Temer já se prepara para tentar alongar o quanto puder o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para começar no próximo dia 6, sobre crimes eleitorais cometidos pela chapa que compôs com a ex-presidente Dilma Rousseff. Embora integrantes do governo adotem uma visão otimista de que, apesar da perda de apoio na Corte ao longo da última semana, ainda haveria votos para a separação da chapa e absolvição do presidente, esses mesmos interlocutores do presidente admitem que esta maioria pode se desfazer até a data do julgamento. Para isso, bastaria que mais um dos sete ministros mudasse de lado, já que na contagem do próprio governo três dos sete ministros já estão contra Temer.

A cassação da chapa de Temer no TSE passou a ser vista como uma das saídas possíveis para a crise política atual. O presidente se recusa a renunciar, porque avalia que o gesto seria visto como uma admissão de culpa, e as outras duas possibilidades que poderiam tirá-lo do cargo, um processo de impeachment ou a aceitação de denúncia criminal no Supremo Tribunal Federal, ainda se arrastariam por meses. Assim, a condenação no TSE é vista como a melhor possibilidade para um desfecho rápido para a crise, que permita a troca de comando para a continuidade da agenda das reformas.

ADIAMENTOS – Temer, no entanto, já tem a estratégia para resistir a isso. Seria neste cenário de perda da maioria no TSE que o esquema para protelar o julgamento entraria em cena. O adiamento seria feito através de questões de ordem, pedidos de discussões preliminares e outros recursos disponíveis aos advogados. O cenário ideal para Temer continua sendo que algum ministro peça vista — ou seja, solicite que o julgamento seja interrompido por prazo indefinido para analisar melhor o caso.

O Planalto nutria esperança de que o ministro Napoleão Nunes Maia pedisse vista logo no início do julgamento. No entanto, essa hipótese se tornou improvável, diante da pressão que paira sobre o tribunal por conta da delação da JBS.

TRÊS DIAS – A previsão no TSE é que o julgamento da chapa dure três dias. Já a defesa de Temer tentará fazer com que a análise do caso, que se inicia em uma terça-feira, ultrapasse o prazo de uma semana. Neste caso, caberia então à articulação política do governo executar a segunda parte da estratégia: mostrar que o Planalto tem capacidade de aprovar as reformas, uma tarefa dificílima. Um eventual alongamento do julgamento, portanto, teria, nesta avaliação, o poder de mostrar aos ministros do TSE uma mudança no cenário político.

As duas primeiras semanas de junho, justamente quando o julgamento estará ocorrendo, são consideradas decisivas para a votação das duas reformas mais importantes do governo, a trabalhista e a previdenciária. Na última semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que pretende colocar a reforma da Previdência em votação no plenário da Casa entre os dias 5 e 12 do próximo mês. Pelo calendário do Planalto, a reforma trabalhista também poderia ser analisada no Senado no início do próximo mês.

ESTACA ZERO – Se no TSE o governo já contabiliza três de sete votos contra Temer, no Congresso a tarefa também é complicada. Antes mesmo da delação da JBS, o Planalto reconhecia que apesar das intensas negociações com deputados ainda havia grande dificuldade para chegar aos 308 votos necessários para aprovar a reforma da Previdência na Câmara. Isso antes da delação-bomba da JBS. Essa articulação, segundo integrantes da equipe econômica e de líderes do governo, voltou à estaca zero após a revelação da gravação entre o empresário Joesley Batista e o presidente.

No Senado, a reforma trabalhista, que era considerada relativamente fácil de ser aprovada, inclusive sem alterações, se transformou no alvo preferencial da oposição.

No Congresso, a avaliação é que o governo dificilmente conseguirá escapar de uma condenação. O Planalto, no entanto, busca aproveitar a falta de unidade em torno dos nomes de potenciais sucessores para Temer como forma de tentar se reerguer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuem é inocente não tem medo de julgamento, especialmente quando o presidente do Tribunal é seu amigo há mais de 30 anos. E, assim, a carreira de Michel Temer vai chegando ao final de forma patética e desonrosa. Foram apresentados à Câmara mais 13 pedidos de impeachment, o massacre é incontrolável, as pesquisas mostram que a aprovação de seu governo continua caindo e ele tenta fingir que ainda comanda a tropa, como se fosse um Napoleão de hospício, como se dizia antigamente. É triste constatar que Temer perdeu completamente a dignidade. (C.N.)

7 thoughts on “No desespero, a defesa de Temer vai retardar ao máximo o julgamento no TSE

  1. “É triste constatar que Temer perdeu completamente a dignidade.”

    É ÓTIMO constatar que Temer perdeu completamente a dignidade.

    Um farsante corrupto a menos no caminho da prosperidade, da ordem, do progresso.

    • Concordo. Mas não entendo por que somos tão exigentes com o Temer e quase não falamos das contas que o excelência Inácio e a digníssima Dilma têm no exterior (70 e 80 milhões de dólares respectivamente). Isso é dinheiro que cego não conta. No entanto, porque ele é ignorante rasteiro e ela uma tresloucada, calamos nossos canhões contra eles.
      Atirem também neles, atirem no Gilmar Mendes, no Toffoli, no Lewandowsky, no Jucá, no Renan. Mas não, o Temer é a bola da vez, especialmente para os vermelhinhos mortadelas.

  2. Tanta prepotência, achar-se no comando, realizando bom trabalho, avançando o Brasil…

    Alô turma da psicanalise!?!
    Essa negação da realidade,medo? Prevenindo-se de enrosco com a justiça?
    Ou tem mais patologia por trás disso? Sei lá, apanhar da mulher? Urgência de imperar sobre tudo e todos, fome de sucesso, ganhar um cavalo branco e beber nas águas do Ipiranga…
    Michelsinho ficaria ofendido??

    Já acharam os ‘tarja preta’ que mantém esse maluco nessa onda??

  3. A política no Brasil está de tal jeito, que ficando Temer ou saindo Temer, quem entrar não deve mudar quase nada, ou nada. O trabalhador brasileiro vai continuar levando uma f….. amarga, sem beijo.

  4. O comportamento deste cidadão e de sua defesa serve como uma ressonância magnética ou um exame de DNA que diagnostica em carater incontestável um câncer ou outra doença qulquer , ou seja , serve para comprovar como ele é amoral .

  5. Antigamente no congresso nacional existia as bancadas dos banqueiros, ruralistas, FIESP, evangélicos, sindicalistas etc, agora com a unificação so existe uma bancada dos corruptos e vagabundos.

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