No desespero, Bolsonaro teve de recorrer a Moro para enfrentar Lula e o Supremo

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Charge do Lézio Junior (Diário da Região)

Carlos Newton

Excelente reportagem de Gustavo Uribe, na Folha de S. Paulo desta segunda-feira, dia 11, anuncia que, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, o ministro de Justiça, Sérgio Moro, está se contrapondo ao Supremo Tribunal Federal, ao defender que o Congresso aprove uma emenda constitucional que possibilite prisão de condenados em segunda instância, como ocorre em todos os outros 195 países-membros da ONU, à exceção do Brasil, depois do julgamento do STF na semana passada.

A notícia confirma a denúncia da Tribuna da Internet sobre a existência do pacto entre os três Poderes, que o presidente do Supremo, Dias Toffoli, propôs dia 4 de fevereiro, ao discursar perante o Congresso Nacional, na abertura do ano legislativo.

“FALSA JUSTIFICATIVA” – Este pacto, concebido sob justificativa de possibilitar a aprovação das reformas necessárias à recuperação da economia brasileira, acabou sendo desvirtuado para inviabilizar a Operação Lava Jato e possibilitar a impunidade de criminosos envolvidos em corrupção, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

O envolvimento do chefe do governo se concretizou devido à atitude do ministro Toffoli, no dia 16 de julho, quando aprovou uma inacreditável liminar em favor de Flávio Bolsonaro, determinando a suspensão de todos os inquéritos e processos abertos com base em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), da Receita Federal ou do Banco Central. Foi uma decisão ousada e irregular, porque o ministro a expandiu para todos os casos semelhantes, e isso não é permitido aos magistrados, que devem se ater à petição da parte.

Com essa absurda amplitude da liminar, dois dos beneficiados foram o próprio Dias Toffoli e o amigo Gilmar Mendes, cujas esposas estavam sendo investigadas por irregularidades nas contas bancárias e/ou declarações de renda, sem falar na mesada de R$ 100 mil que Toffoli recebia da atual mulher.

BOLSONARO REFÉM – Com a blindagem do filho Zero Um (Flávio) e a notícia de envolvimento do Zero Dois (Carlos) em “rachadinhas” na Câmara do Rio, publicada em junho na “Época” pelas repórteres Juliana Dal Piva e Juliana Castro, Bolsonaro ficou refém de Toffoli e do Supremo, e não pode mais criticar a atuação dos ministros.

Para justificar esse estranhíssimo silêncio de Bolsonaro foi então espalhada a notícia de que o presidente e seus ministros, “por orientação do Planalto”, não deveriam se manifestar sobre o julgamento que determinou o início do cumprimento da pena somente após esgotados todos os recursos — o chamado trânsito em julgado. Trata-se de mais uma falsa justificativa, tipo Piada do Ano, porque o presidente não pode ser controlado pelo Planalto. O que tem de ocorrer é justamente o contrário – ele comandar o Planalto, pois chefe de governo não pode ser liderado por ninguém.

NAS MÃOS DE MORO – A reportagem de Gustavo Uribe destaca que o ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato virou peça fundamental na estratégia do Planalto para enfrentar Lula. É uma grande verdade, porque Bolsonaro está inteiramente dominado, devido à necessidade de blindagem dos filhos Zero Um e Zero Dois.

O fato concreto é que o amor aos filhos falou mais alto do que a missão de servir à Pátria. Vergastado por Lula, que não vai lhe dar sossego, e sem poder criticar o Supremo, que no dia 20 vai julgar o mérito da liminar da impunidade assinada por Toffoli, só restou a Bolsonaro recorrer a Moro, um ministro que ele vinha tentando diminuir e boicotar, e assim confirma-se o ditado de “nada como um dia atrás do outro”.

Aliás, Bolaonaro nem precisava ter pedido esse apoio a Moro, porque desde a libertação de Lula o ministro da Justiça está empenhado em revidar à altura as acusações do ex-presidente petista.

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P.S. 1 –
Além de Moro, também o general Augusto Heleno tem saído em defesa do governo. Mas nos últimos meses o ministro do Gabinete da Segurança Institucional tem falado tantas bobagens que já está totalmente desacreditado. Como dizia Abraham Lincoln, o general conseguiu enganar todos por algum tempo, porém já não engana mais ninguém.

P.S. 2Na verdade, entre todos os envolvidos neste imbróglio, apenas um trava o bom combate – o ex-juiz Sérgio Moro, que realmente luta pelo interesse público. Quanto aos demais, apenas defendem os próprios interesses. (C.N.)

11 thoughts on “No desespero, Bolsonaro teve de recorrer a Moro para enfrentar Lula e o Supremo

  1. CN. Diante da “agenda” 2ª instância, porteiro da Barra da Tijuca foi esquecido; delação de Valério na Veja sobre Celson Daniel idem; e foi resgatada a operação Castelo de areia para bater no STJ de Eliana Calmon afim de mascarar e entrar na gaveta a Lava Toga sobre Toffoli e Gilmara Mendes… Gostaria muito de ler CN (TI) escrever sobre estes assuntos.
    Abraço fraterno!

  2. Onde está este tal pacto, ninguém sabe, ninguém viu. Tem identidade ou CPF? Esse assunto de segunda instância é mais uma piada. Ninguém ri, pois não tem a menor graça. Querem saber a verdade? São cláusulas pétreas:
    A forma federativa de Estado;
    O voto direto, secreto, universal e periódico;
    A separação dos Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário;
    Os direitos e garantias individuais.
    Sim, os direitos e garantias individuais, mesmo que seja a garantia do direito de roubar e não ser preso. O direito de pagar bons advogados com o fruto do ilícito e se livrar da preventiva ou temporária. Quem encravou isso na Constituição em 88, não foi um primário, não foi um Zé Ninguém, muito menos, remunerado com ajuda de custo apenas. E$$a c-gada elaborada pela Assembleia “Prostituínte” , tem pedigree e foi meticulosamente calculada, jamais sem as bençãos do Judiciário brasileiro. Fruto da total ausência de vergonha na cara ou temor quanto as instituições do país. Demonstra o quanto ainda teremos de lutar para termos brasileiros sérios e patriotas onde mais precisamos ter.

    • No entanto, seu Peçanha, o resultado foi 5 x 5 com desempate do ignóbil e notório petista Toffoli. Se a lei é assim tão clara, por que 5 juizes foram contra. Meu caro, minha decepção com o tal Direito é tanta que meus filhos estão proibidos de escolher essa droga como profissão – aceito que eles sejam até padres (o que não está mais na moda) mas adivogadu NUNCA!

  3. Todo o foco agora é no impeachment de Gilmar Mendes
    Se queremos efetivamente mudar o país com uma pauta concreta e atingível, é no ministro do STF mais anti-Lava Jato que devemos nos focar

      • Indícios há, mas ele proíbe que se investigue. Conseguiu suspender a investigação e tirar do cargo um servidor da Receita que investigou movimentação atípica dele e da esposa, proibiu que se investigue Verdevaldo (talvez haja gente das relações dele implicada no pagamento), proibiu que se investigasse o escritório que defende Paulo Preto, solto 2 vezes por ele. O tal escritório chamou a atenção da PF pela remessa de 3 mi e 700 para um escritório – deve ser correspondente – em Lisboa(!!). Coincidência, não? Leia o pedido de impeachment dele feito pelo professor Modesto Carvalhosa. Está tudo isso e mais um pouco lá.

  4. Na república 171, só se elege presidente aquele que no momento da eleição, ou do golpe, conforme as circunstâncias, aparentemente, tem mais condições de segurar a vaca para a velha e nova bezerrada de ouro continuar mamando à vontade, como já disse o HoMeM. Vale dizer, sob o teto da dita-cuja, que já transpira decadência terminal por todos os poros, são as tais elites delinquentes, capturadas pelo Ministro Barroso, que dominam os conjunto da sociedade, dão as cartas e jogam de mão, e que fazem do Brasil um país extremamente corrupto, como já disse um certo PGR. E quanto a Moro, que abandonou a toga para aderir a isso que ai está, está ministro de Bolsonaro apenas como trampolim para chegar à teta vitalícia que é o STF. Em assim sendo, não há como negar o interesse próprio, a atuação em causa própria. O diabo é que não falta muito para da dita-cuja desabar de podre, por si só, sobre todos, culpados e inocentes, e é isso que vai acontecer, a menos que Deus intervenha, direta ou indiretamente, e a transforme numa confederação, como tem lhe pedido o HoMeM, há mais de 20 anos, porque do resto não há mais nada de bom a esperar.

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