No desespero, governo tenta acordo para aprovar a urna auditada por amostragem

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Charge do Dum (Arquivo Google)

Lauriberto Pompeu
Estadão

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), declarou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso pode ser analisada pelo plenário da Casa no final da próxima semana. Para que o texto seja aprovado, precisa ser levado a plenário e obter o apoio de ao menos 308 deputados.

No entanto, segundo o parlamentar, será necessário construir um acordo e alcançar um “meio termo” para que a PEC – rejeitada nesta quinta, 5, pelos integrantes da comissão especial sobre o tema – seja de fato levada para análise de todos os deputados.

UM MEIO TERMO – “Tem pressões do Judiciário que se refletem nos partidos. O ideal é um meio termo”, declarou Barros ao Estadão, reconhecendo que há resistência à iniciativa. O placar da votação na comissão especial foi folgado: 23 votos contra e 11 a favor.

Uma das sugestões analisadas para diminuir as resistências é retirar do texto o trecho que estabelece a análise de 100% dos votos impressos, o que representaria o retorno da contagem manual. Deputados do Centrão defendem que a auditoria seja feita por amostragem, sem especificar, no entanto, como se daria esse processo.

Em maio, durante a primeira audiência pública da comissão especial sobre o tema, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) se mostrou simpática à ideia. Ela é a autora da PEC original sobre o tema.

EM 10% OU 15% – “Não acredito que devemos ter 100% de recontagem, mas 100% de urnas com impressora e voto impresso. A recontagem pode se dar em 10%, 15%, caberá a este Congresso determinar”, declarou. Apesar disso, a ideia não esteve no relatório rejeitado na comissão especial.

Barros declarou que ainda não há um meio termo definido e que isso ainda está sendo construído. Na mesma linha do líder do governo Jair Bolsonaro, o relator Filipe Barros (PSL-PR) avalia que o texto pode ser votado no plenário da Câmara mesmo tendo sido rejeitado na comissão especial, já que a decisão do colegiado não tem caráter conclusivo, apenas opinativo.

“O presidente da comissão, deputado Paulo Martins, e a deputada Bia Kicis conversaram com o presidente (da Câmara) Arthur Lira e, publicamente, ele próprio sinalizou que essa possibilidade existe, de ser avocado para o plenário”, afirmou Barros.

AFIRMAÇÕES GOLPISTAS – A PEC do voto impresso é uma das principais bandeiras políticas do presidente Jair Bolsonaro, que já deu declarações consideradas golpistas ao dizer que “ou fazemos eleições limpas ou não temos eleições”.  O presidente tem afirmado de forma reinterada que sem esse mecanismo as eleições serão fraudadas. Ele também repete, sem nunca ter apresentado qualquer prova, que teria vencido a eleição de 2018 já no primeiro turno e que o deputado Aécio Neves (PSDB) venceu a disputa de 2014, algo que o próprio tucano disse não acreditar. 

A proposta é criticada por especialistas e pelo próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, que enxerga um retrocesso no sistema eleitoral do País. Essa postura do magistrado fez dele o alvo principal dos ataques do presidente Jair Bolsonaro nos últimos tempos.  

Nessa escalada de críticas, Bolsonaro afirmou nesta semana que sua luta não é contra o TSE ou o STF, mas apenas contra Barroso, que, segundo ele, “se arvora como o dono da verdade”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já sugerimos aqui na TI a amostragem usada em outros países que têm urnas eletrônicas Em cada mil juntas eleitorais, uma delas teria sistema duplo – voto eletrônico e voto por escrito, a ser colocado em urna de lona. Na apuração, os resultados das duas urnas são confrontados e têm de ser iguais. Simples assim. E ninguém mais reclama de nada. (C.N.)

3 thoughts on “No desespero, governo tenta acordo para aprovar a urna auditada por amostragem

  1. Em primeiro lugar, consta que esse tipo de amostragem já existe para um número de urnas. Em segundo lugar, quero registrar que só há uma palavra pra definir o deputado corrupto Ricardo Barros: CANALHA.

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