No dia em que país ultrapassou 400 mil mortes, Bolsonaro diz que não estar preocupado com a CPI da Covid

Bolsonaro ignora números alarmantes e opta pelas cortinas de fumaça

Daniel Carvalho
Folha

No dia em que o Brasil ultrapassou as 400 mil mortes por Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse não temer a CPI no Senado e que está trabalhando “a todo vapor”. Em sua live semanal, o presidente nesta quinta-feira, dia 29, mencionou rapidamente “um número enorme de mortes”.

“Lamentamos as mortes, chegou a um número enorme de mortes agora aqui, né?”, indagou durante a transmissão. Cerca de quatro minutos depois, mencionou a chegada de carretas com oxigênio e, então, falou da comissão parlamentar de inquérito que começou a funcionar no Senado na última terça-feira, dia 27.

“A TODO VAPOR” – “A gente continua trabalhando a todo vapor. Não estamos preocupados com essa CPI. Nós não estamos preocupados”, afirmou Bolsonaro. O Senado, por sua vez, fez um minuto de silêncio, na tarde desta quinta, para homenagear os mais de 400 mil mortos.

Durante a live de Bolsonaro, as TVs mostravam a chegada do lote de 1 milhão de vacinas da Pfizer em Campinas (SP), com a participação de três ministros do governo. O presidente não mencionou a chegada dos imunizantes em sua transmissão que, desta vez, durou mais de uma hora.

Por outro lado, ele usou a live para criticar medidas restritivas, atacar governadores, em especial o de São Paulo, João Doria (PSDB), falar mal da imprensa e de ONGs, defender a exploração de terras indígenas, lamentar a morte do fundador do PRTB, Levy Fidelix, elogiar o coronel Ricardo Nascimento de Mello Araújo, presidente da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e fazer campanha pela exploração do nióbio.

HIDRELÉTRICA – Também falou sobre sua intenção de construir uma hidrelétrica em uma reserva indígena em Roraima, no vale do rio Cotingo, e anunciou sua previsão de viagens pelo país, inclusive pousando em algum garimpo de ouro.

“Pretendo, se não for desta vez, numa próxima, com o helicóptero, obviamente, aterrissar num garimpo. Nós não vamos prender ninguém, não vai ser uma operação para ir atrás de garimpo irregular. Quero conversar com o pessoal como eles vivem lá”, afirmou Bolsonaro.

O presidente é favorável à legalização do garimpo de ouro. “Qual a minha ideia? Logicamente você tem que legalizar a extração, o garimpo de ouro, tem que legalizar. Uma vez legalizando, gostaria eu de ter, junto a pelotões de fronteira um posto da Caixa Econômica Federal para a gente comprar ouro.”Na live desta quinta, Bolsonaro também falou das eleições de 2022.

VOTO IMPRESSO – “É a hora de você se preparar para ajudar a mudar o destino do Brasil. Você pode mudar o destino do Brasil se você trabalhar corretamente”, afirmou. O presidente também defendeu o voto impresso, que agora vem sendo chamado por bolsonaristas de “voto auditável”.

Em mais um capítulo de sua campanha para colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, Bolsonaro acusou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de sonegar informações dos pleitos.

“DEVER DE FAZER” – “É que o TSE não faz. Acabou as eleições, o TSE tem que disponibilizar no site todas as seções do Brasil. Eu que voto lá na escola Rosa da Fonseca, em frente à Primeira Divisão do Exército, lá na Vila Militar do Rio de Janeiro, eu tenho que votar, estar aqui em Brasília [e], a partir das 20h, eu quero acessar, eu quero ver se a tripa que alguém que ficou lá tirou a fotografia e mandou para mim por zap, eu quero acessar ali, entrar no site do TSE, o TSE tem o dever de fazer, e quero saber se bate a fita do TSE com a fita do papel que foi afixada lá”, afirmou.

“O TSE sonega essa informação. Não quero aqui culpar os ministros do TSE. O TSE, como instituição, sonega isso daí. A lei diz que a apuração é pública e ponto final”, afirmou o presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A opção de Bolsonaro ao ignorar milhares de mortes, mostrando-se completamente alheio ao números alarmantes não é estratégia e sim reflexo da mais completa falta de argumentos diante da sua notória incapacidade de gerir uma nação ou de se sensibilizar com a dor do outro. Em qualquer país sério, um gestor sequer ousaria fazer piadas a esmo, pelo menos em sinal de respeito aos que perderam os seus entes, aos que sofrem com o desemprego, aos que não enxergam saída a curto prazo. Mas aqui, enquanto não é posto para fora do Planalto, Bolsonaro continua a fazer da Presidência o seu palco. Até quando ? (Marcelo Copelli)

14 thoughts on “No dia em que país ultrapassou 400 mil mortes, Bolsonaro diz que não estar preocupado com a CPI da Covid

  1. De certa forma BOÇALnaro é a parte visível (materialização) da Sombra dos seus eleitores-cúmplices e apoiadores.
    .
    (“Sombra”, entendida sob a ótica junguiana.)

    • Batista pegou pesado, agora.

      Foi buscar os arquétipos de Jung, para enfatizar o conceito que tem dos que votaram em Bolsonaro, denominando-os de “eleitores-cúmplices”.

      Não explicou o significado de Sombra, conforme Jung define, pelo fato que o objetivo de Batista é rotular as pessoas que deram o seu voto para o ex-deputado federal.
      E, quanto pior, melhor.

      Pois bem, a título de esclarecimento, a tal de “sombra” não seria exclusiva de quem votou em Bolsonaro, pois todos nós temos as nossas!

      De modo a comprovar o que digo, eis a frase de Jung a respeito deste arquétipo que utiliza:

      “Infelizmente, não há dúvida de que o homem não é, em geral, tão bom quanto imagina ou gostaria de ser. Todo mundo tem uma sombra, e quanto mais escondida ela está da vida consciente do indivíduo, mais escura e densa ela se tornará. De qualquer forma, é um dos nossos piores obstáculos, já que frustra as nossas ações bem intencionadas.”
      – Carl Jung –

      Pois bem:
      Aos que se arrependeram de ter votado em Bolsonaro, as suas sombras não escurecem mais as suas vidas;
      aos que somente acusam e nada fizeram para impedir a vitória de Bolsonaro, as suas sombras são mais densas e escuras, impossibilitando que mesmo as ações bem intencionadas não passem de meras frustrações!

  2. Ora bolas! Se ele não se importou com a avó – de Michele e sua por afinidade – que morava miseravelmente numa favela; que acometida da Covid. desmaiou em praça pública; que foi socorrida por outros favelados; que foi internada em hospital público , vindo a falecer, sem receber uma única e derradeira mensagem de seus famosos e mefistofélicos netos. Será que a infeliz vovozinha foi enterrada como indigente?

  3. Ficou proibido pela Oposição morrer de:
    1ª) Cardiopatia isquêmica
    2ª) Acidente vascular cerebral (AVC)
    3ª) Doença pulmonar obstrutiva crônica
    4ª) Infecções das vias respiratórias inferiores
    5ª) Alzheimer e outras demências
    6ª) Câncer de pulmão, traqueia e brônquios
    7ª) Diabetes mellitus
    8ª) Acidentes de trânsito
    9ª) Doenças diarreicas
    10ª) Tuberculose

    Só covid19 é permitido o óbito no país.

  4. O leilão da CEDAE, que ocorre hoje na Bovespa, segue o ritual tradicional da privataria, em curso há 30 anos:

    – Entrega-se ao privado a parte lucrativa (distribuição) por uma ninharia e mantém-se estatal a parte não-lucrativa (captação e tratamento), encarecendo E precarizando os serviços, de modo a privatizar os lucros e socializar os prejuízos;

    – o BNDES gerencia e financia a privatização, num verdadeiro escândalo em que o Estado, em vez de receber pela alienação do patrimônio, paga e muito caro por ele. Mas, claro, alega-se que quem dá prejuízo são os funcionários públicos, os aposentados, as pessoas que querem viver 130 anos…

    – Horas antes, alguns tribunais vetam o leilão para conseguirem algum “por fora” dos grupos privados beneficiários, no que são prontamente atendidos e o leilão é imediatamente liberado. Mesma coisa com a Alerj, que vetou o leilão não por consciência cívica mas para barganhar vantagens particulares;

    – Os “compradores” se comprometem com uma série de “investimentos sociais” que, ao fim e ao cabo, representarão apenas lavagem de dinheiro pelas ongs deles e sangramento das finanças públicas via subsídios cada vez maiores para manter tarifas sociais ou impedir subidas acachapantes de preços ao consumidor, impostas pela vontade dos grupos beneficiários em conluio com a respectiva agência reguladora. Subsídios esses que sempre são pagos de uma ou outra forma pela população mas não seriam necessários se a administração fosse de fato pública/estatal;

    – Sindicalistas e partidos de esquerda fazem todo um auê de véspera, com cartazes “Diga não à privatização da Cedae”, “água não é mercadoria” etc., mas do dia seguinte em diante ninguém mais toca no assunto, ninguém fala em reverter a privataria, como se o serviço privatizado já fosse assim desde os tempos de Noé;

    – Resultado: para a minoria financista e politiqueira beneficiada, mais acumulação sem produção. Para a maioria, mais espoliação, mais desemprego, mais pobreza, mais miséria, mais doenças.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1574549069409008

  5. Felipe Quintas (via Facebook)

    Na cabeça dos anarco-mises liberaloides que desgovernam o Brasil, as verbas públicas não servem para construir uma fábrica, uma escola, uma ponte ou para comprar uma vacina decente (Sputnik ou Coronavac, apenas), mas servem para financiar privataria, com o povo pagando para seu patrimônio ser subtraído.

    Há quem diga que isso é ciência econômica. Eu tenho certeza que, se for ciência, é a da bandidagem, do parasitismo e da velhacaria.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1574580369405878

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