No embate entre EUA e Irã, o drama da população civil, a principal vítima da guerra

Resultado de imagem para protestos no ira este sabado

Milhares de manifestantes pedem que não haja guerra

Roberto Nascimento

A derrubada do Boeing que decolou da capital iraniana nas primeiras horas da quarta-feira, ainda escuro em Teerã, rumo a Kiev, capital da Ucrânia, tendo como causa vários erros humanos. Os responsáveis pelos dois disparos de mísseis de curto alcance supunham que estivessem sofrendo um ataque americano, em represália à disparada de mísseis iranianos de longo alcance contra as bases americanas em Bagdá, capital do Iraque, quatro horas antes.

Bem, esse breve resumo indica que nem os Estados Unidos e tampouco o Irã se debruçaram sobre as causas e efeitos, a probabilidade e a severidade de seus respectivos atos no contexto da guerra propriamente dita, que envolve a seara social, geopolítica, militar e humana.

AS CONSEQUÊNCIAS – Nem Irã nem EUA avaliaram as consequências, o perigo da escalada militar em cada ação, o risco inerente, e o gerenciamento dos efeitos do confronto bélico sobre as vidas humanas, especialmente das populações civis.

A decisão do presidente Trump, ao ordenar o atentado ao general Quassim Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, em um ataque cirúrgico na terça-feira retrasada, por um superdrone nos arredores do aeroporto de Bagdá, causou gigantesca comoção no Irã. Milhares de iranianos foram às ruas chorar a morte de seu líder militar.

No decorrer do funeral de Suleimani, na terça-feira, 56 iranianos morreram e 86 ficaram feridos. Nas imagens aéreas, pode-se observar o aglomeração humana sem precedentes. Novamente não foram avaliados, os riscos inerentes às grandes multidões e a probabilidade de uma tragédia humana.

DERRUBADA DO BOEING – No tocante ao acidente aéreo, com toda certeza o sistema de defesa aérea iraniano estava em alerta naquela madrugada e esperava um contra-ataque americano. Logo, os militares iranianos estavam submetidos a um intenso estresse, justamente um dos maiores causadores de erros humanos, sempre considerados nas análises de acidentes aeronáuticos.

O erro de avaliação indica falta de Gerenciamento de Crise, pois não havia zona de exclusão aérea e as bases iranianas não foram informadas sobre a decolagem do jato ucraniano. Todas essas circunstâncias devem ser levadas em consideração na análise do caso, por envolverem o risco na tomada de decisão, no caso agravado pela insuficiência tecnológica. Uma aeronave comercial de grande porte, em processo de decolagem, jamais poderia ter sido confundido com um ataque aéreo.

ERROS DOS EUA – É claro que os EUA também erram em suas guerras. Lembremos que um abrigo de idosos foi bombardeado pelos americanos quando invadiram Granada para derrubar o ditador no poder.

Quanto à tragédia ocorrida no Irã, seus efeitos estão longe do epílogo. No fim de semana, milhares de iranianos foram às ruas protestar contra a derrubada da aeronave, pedindo a renúncia do atual líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei , sucessor do célebre Aiatolá Komeini, o líder revolucionário que derrubou o Xá Reza Pahlevi, em 1979, e implantou a República Islâmica, que completou 40 anos da mudança do regime.

Ao que tudo indica, haverá uma escalada da insatisfação popular no Irã, fruto da grave crise econômica e social causada pelas sanções econômicas decretadas por Donald Trump, objetivando a derrubada do regime iraniano. Esperemos os próximos capítulos desse drama que o mundo está vivendo no cenário do Oriente Médio.

12 thoughts on “No embate entre EUA e Irã, o drama da população civil, a principal vítima da guerra

    • Sr. Alex,
      Não se trata de bem ou mal, certo ou errado, esquerda ou direita, a questão posta em comento são os fatos. Os EUA nomeou o Irã como Estado inimigo, cujo objetivo é derrubar o regime teocrático dos Aiatolás. Não existe justiça na Terra, só no Paraíso.
      Quem sofre são as populações do Irã, do Iraque, da Somália, do Iêmen, do Afeganistão.
      Ninguém está preocupado com as pessoas nessas guerras.

  1. O artigo é pura tergiversação, tentando mil justificativas para a criminosa derrubada do avião com a metade ou mais de passageiros iranianos.

    Com um regime, que sufoca a maioria da população com seus bons e velhos castigos como punir minorias assassinado-as a pedradas, o Irã é além disso, como o foi a URSS, um país terrorista.

    Aliás, muito dessas práticas hediondas foram apendidas no império do terror socialista citado, que instruía e treinava terroristas com o fim da destruição do ocidente capitalista e democrático.

    • Sr. Mário, enfim um comentário a ser discutido de maneira educada.
      No entanto, ouso discordar. Primeiro, que fatos não são tergiversação é o que e, nada mais. Se você observar melhor tem uma crítica forte na derrubada do avião, pela falta de gerenciamento da crise
      Segundo, que o assunto em tela não tem nada parecido com direita ou esquerda. O regime teocrático do Irã é de direita.

  2. Se os EUA não tivesse assassinado uma das figuras mais importastes do Irã, esse erro poderia não ter acontecido.
    Onde há iminência de guerra, ou guerra, na grande maioria das vezes, está lá os americanos envolvidos direta , ou indiretamente.
    Trump agora nomeou o Irã como terrorista e que ia atacar a embaixada dos EUA. Parte dos políticos americanos não acreditam nas palavras do Trump. Governos americanos sempre usaram de mentiras, como foi no caso do Iraque para atender seus impulsos de dominação.
    Já não basta a dominação de todo continente americano com apoio de seus admiradores incondicionais

  3. Nas guerras modernas a população civil é a que paga a conta, invariavelmente. E havendo outra guerra esta regra não vai ser diferente, o povo sofrido do Irã vai pagar mais uma vez pelo governo que tem.

  4. Não dá para falar da ditadura iraniana, nossa inimiga, e esquecer da democracia saudi-arábica, nossa amiga.

    “Pelo menos 100 pessoas foram executadas na Arábia Saudita desde o início do ano, de acordo com uma contagem baseada em dados oficiais divulgados pela SPA. No ano passado, o Estado do Golfo, rico em petróleo, cumpriu pena de morte de 149 pessoas, segundo a Anistia Internacional, que disse que apenas o Irã é conhecido por ter executado mais pessoas”

    https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/2019042313742655-execucoes-arabia-saudita/.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *