No escândalo dos Transportes, já apareceu até um gerente que montou uma empresa para atender aos empreiteiros. É uma espécie de Antonio Palocci, em nova versão.

Carlos Newton

No setor dos Transportes, a corrupção chegou a tal ponto que nem causa espanto a notícia de que Cleison Gadelha Queiroz, demitido da função de gerente de licitações e contratos da Valec, estatal do setor ferroviário vinculada ao Ministério dos Transportes, é um dos donos de uma prestadora de serviços a empreiteiras.

Ele é sócio e administrador da FC Transportes, com sede em Brasília. Seu parceiro no negócio é Fernando de Castilho, analista de infraestrutura da mesma estatal, e que ainda não foi exonerado. Aliás, se a presidente Dilma Rousseff continuar demitindo integrantes da quadrilha que domina o ministério, o último a sair terá de apagar as luzes do prédio.

O Planalto considerou “grave” o fato de os dos empregados da Valec atuarem no setor da construção civil. Mas o ex-gerente de licitações e contratos da Valec alega que não existem conflitos de interesses entre sua atuação como empregado público e empresário do setor de obras.

Segundo Queiroz, a FC Transportes não disputa licitações e nem faz serviços em qualquer construção que envolva recursos federais, apenas tem caminhões basculantes que são alugados a construtoras. Ele ressalva também que a FC não recebe dinheiro público, como se isso fosse uma boa desculpa para descaracterizar tráfico de influência.

A Receita Federal, porém desmente a informação e revela que a empresa dos funcionários da Valec trabalha com “serviços de operação e fornecimento de equipamentos de transportes e elevação de cargas e pessoas para uso em obra e terraplanagem”. Na Junta Comercial do Distrito Federal, consta que ela tem também uma filial no Tocantins, Estado no qual há obras da Norte-Sul e, futuramente, haverá da Oeste-Leste, duas das principais ferrovias do país.

Como se vê, Queiroz é uma espécie de Palocci em nova versão. Assim como o ex-ministro da Casa Civil, ele acha que tráfico de influência não é ilegal. Alega que o Estatuto do Servidor proíbe que funcionários da União atuem na gerência ou administração de empresas privadas, mas a regra não vale para empregados públicos contratados por meio da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), caso de Queiroz na estatal, era só o que faltava.

A FC Transportes foi criada em março de 2007, cerca de um ano e oito meses depois de Queiroz ser nomeado como gerente de licitações e contratos da Valec. Castilho também já presidiu mais de uma “comissão especial de licitação”, de acordo com registros no “Diário Oficial da União”.

A empresa trabalha como subcontratada de outras empreiteiras. Por isso, é impossível rastrear no sistema federal de gastos se houve algum pagamento para ela. Mas já surgiram testemunhas de que a realmente empresa atuou em obras da Ferrovia Norte-Sul – empreendimento sobre o qual Queiroz tinha enorme influência.

Uma das testemunhas contra Queiroz é um funcionário da própria FC. Ele confirmou que a empresa trabalhou na ferrovia. A outra testemunha é a atual gerente de vendas de uma concessionária de caminhões de Gurupi, da qual Queiroz disse ter adquirido seus veículos, para alugar às empreiteiras que trabalham nas ferrovias.

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