No Legislativo, no Executivo e no Judiciário, o Carnaval começou ontem e vai durar praticamente 11 dias. Como diz Caetano Veloso, são podres poderes…

Carlos Newton

Como todos sabem, o Carnaval só começa oficialmente no sábado, mas para os políticos o bloco já está nas ruas. O Senado, formado pelos mais velhos e experientes, que deveriam dar  exemplo de austeridade, fez exatamente o contrário: antecipou o feriadão.

“O Carnaval no Brasil é uma tradição. Nunca ninguém resiste a esse desejo de participar”, justificou José Sarney, presidente do Senado, informando que a antecipação do feriadão foi decidida em conjunto com os líderes partidários.

Ontem, quarta-feira, que é o dia mais importante para os trabalhos, o esvaziamento já começara. A Mesa do Senado não realizou votações em plenário e liberou os parlamentares a retornar antecipadamente aos seus Estados, sem cortes nos salários.

Pela manhã, houve trabalho normal nas comissões, mas a sessão da tarde teve participação apenas de 10 dos 81 senadores, embora 60 deles tenham registrado presença na Casa. Como as votações vão ser retomadas somente no dia 15 de março, o “feriadão” do Senado será de 11 dias, já que na quarta e na quinta-feira depois do Carnaval as sessões plenárias serão dedicadas exclusivamente a pronunciamentos. Assim, como não há votações, nenhum parlamentar vai ter os dias não trabalhados descontados do salário mensal de R$ 26,7 mil.

A justificativa para o encerramento precoce dos trabalhos foi a dificuldade de se encontrar passagens aéreas para as principais capitais do país, principalmente no Nordeste. “Eu não conseguiria voltar amanhã, não tinha voo. A nossa pauta também está em dia no Senado”, argumentou o líder do PT, o pernambucano Humberto Costa.

Essa débil justificativa significa que na verdade os senadores não se consideram cidadãos como os outros, que precisam reservar passagem sempre que viajam. Eles, não. Querem chegar no aeroporto e ir embarcando. O pior é que eles podem marcar passagem facilmente e sem burocracia. Basta ordenar a um asessor que o faça, no próprio prédio do Congresso Nacional, onde todas as grandes empresas aéreas brasileiras mantêm agências. Simples assim.

Na Câmara Federal, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores, tudo igual. Hoje não haverá plenário. O mesmo fenômeno de esvaziamento acontece no Judiciário e no Executivo, por todo o país. No Tribunal de Justiça do Rio, onde estive ontem, estacionei bem em frente à entrada. Havia vagas em abundância.

Como diz Caetano Veloso, esses representantes do povo – no Executivo, no Legislativo e no Judiciário – só sabem exercer “podres poderes”.

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