No máximo, palpites

Carlos Chagas

Em entrevista à Jovem Pan, José Serra definiu a função que Fernando Henrique Cardoso terá em seu governo, caso se eleja: nenhuma. Perguntado, o candidato explicou que quem foi eleito  duas vezes  presidente da República não deve fazer parte de outro governo. O sociólogo não participará de sua administração, mas sempre poderá dispor-se a dar bons palpites…

Passado com boa educação, o “chega-pra-lá” define a disposição de Serra de governar sem tutelas nem tutores. Mantém e por certo manterá excelentes relações com o ex-presidente, até admitindo palpites, ou seja, menos do que conselhos, jamais participação.  Só isso.

A disposição do candidato é de governar somando, isto é, reunindo quantos pretendam trabalhar pelo país. Reconhece para o PT o papel de oposição e evita previsões sobre o PMDB, cuja maioria apóia Dilma Rousseff. É cedo para montagens sobre o leque de apoio político-partidário, mais ainda para a composição de seu governo, tendo em vista a incógnita das eleições. Se for eleito, não admitirá barganhas nem troca de cargos por respaldo parlamentar.

Animais: no mínimo na jaula

Quem quer que venha a ocupar a presidência da República precisará enfrentar questão que o governo Lula ignorou: o combate à violência e à criminalidade crescente. Longe de se constituir numa tarefa exclusiva dos estados e municípios, trata-se de função do governo federal, a começar pela proposta de leis capazes de extinguir as facilidades com que bandidos são postos em liberdade, geralmente para reincidir.

Brasília anda traumatizada pela revelação de que um animal, condenado por pedofilia  a 14 anos de reclusão, depois de passar cinco anos na cadeia  estava em regime de prisão semi-aberta, tendo seviciado, matado e enterrado seis meninos, na periferia da cidade. Identificado e preso pela polícia, esse monstro partilhará dos benefícios de inúmeros recursos e poderá, quando menos se esperar, voltar às ruas para praticar o mesmo tipo de crimes.

Afastando-se por contrária à natureza a pena de morte, o mínimo a esperar seria a  prisão perpétua, sem qualquer tipo de benefício. Alegar direitos humanos nesse e em milhares de outros casos equivale a tripudiar  sobre a sociedade.

A Copa e as eleições

Há quem relacione futuros resultados da Copa do Mundo com as eleições presidenciais. No caso da vitória do selecionado brasileiro, um clima de euforia nacional poderá favorecer ainda mais a popularidade do presidente Lula e uma suposta transferência maior de votos para Dilma Rousseff.  A recíproca também será verdadeira.

É sempre bom lembrar certas ironias da História. Em 1970 o então presidente Garrastazu Médici acertou na previsão do escore entre Brasil e Itália, que terminou 4 a 1 para nós e marcou a conquista do tricampeonato mundial. Seguiram-se meses em que a   multidão, no Maracanã ou no Morumbi, aplaudia de pé o ditador, com sua presença anunciada pelos auto-falantes. Isso apesar da repressão, da tortura e da censura. Depois, a natureza seguiu seu curso, mas se tivéssemos tido eleição para Imperador, nos meses posteriores, o risco seria da transformação do Brasil numa monarquia.

Em compensação, o Brasil foi derrotado em 1974 e 1978, anos em que estava no poder o general Ernesto Geisel, por sinal queixoso de “não ganhar nem Copa do Mundo”.  Popularidade, não teve em momento algum de seu governo.

Guardadas as proporções,  a Copa poderá, em junho,  influenciar o pleito de outubro.

A razão da candidatura

Plínio de Arruda Sampaio será dos poucos marxistas apostólicos católicos romanos. Não esconde essa condição, responsável por longo exílio nos anos do regime militar. Deputado federal em diversas legislaturas, será o candidato do PSOL à presidência da República.

Perguntado porque irá concorrer, tendo em vista a evidente derrota, responde com sincero argumento: pela oportunidade de poder apresentar idéias e propostas para o Brasil, nos debates que a mídia promoverá no período de campanha. Pela sua coerência e pelos conhecimentos  adquiridos ao longo de muitas décadas, corre o risco de ser aplaudido como vencedor em quantas tertúlias as telinhas apresentarem, mesmo sem a contrapartida dos votos.

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