No mínimo, o máximo de concessão

Helio Fernandes

A proposta de Lula era de 540 reais. Mandou medida provisória com a advertência-intimidação: “Se passar disso eu veto”. Era pura bravata, sabia que não seria aprovado com ele presidente. Se aumentassem, diria: “Não foi culpa minha, falei que vetaria”.

Vieram emendas, alterando a medida provisória. Surgiu o 560, o Ministro do Trabalho falou em 570, foi criticado dentro do próprio governo. Os sindicatos naturalmente pediram (deviam exigir) 580, silêncio total.

Aí o PSDB tentou se aproveitar da situação, “arredondou” a proposta: 600 reais. Mas o grupo Aécio protestou, “não podemos fazer oposição ao país”, o PSDB se retirou de campo.

Assim que Lula deixou o governo, veio Mantega e contrariou o ex-presidente, apesar de ser ministro dele duas vezes, antes e agora: “Acima de 540 Dona Dilma veta”. Não era ingratidão com Lula, preservação de Dona Dilma. Imaginem uma aprovação mais alta, a nova presidente tendo que contrariar os trabalhadores logo no início do mandato.

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PS – Mas aí encontraram a fórmula dela não vetar nem aceitar. Se acertaram em 545 reais, não é nem 1 por cento de aumento, não ultrapassou a casa de 0,9 por cento.

PS2 – Assim a popularidade de Dona Dilma não é atingida. O preço da impopularidade é preservado pela eterna comodidade.

PS3 – Mais ou menos como a frase de Aldous Huxley, utilizada pelo Brigadeiro Eduardo Gomes na campanha presidencial de 1945.

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