No mistério da vida, Lya Luft poeticamente desdenha de seu destino

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Site Poemas & Canções

A professora, escritora, tradutora e poeta gaúcha Lya Fett Luft, no poema “Não sou Areia”, fala de suas convicções e de seu destino, transformados num mistério que ela não leva a sério.

NÃO SOU AREIA
Lya Luft

Não sou areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
não sou apenas a pedra que rola
na marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

3 thoughts on “No mistério da vida, Lya Luft poeticamente desdenha de seu destino

  1. DE Jenny Joseph – trad. Lya Luft

    Usar púrpura quando envelhecer
    Estou avisando

    Quando envelhecer vou usar púrpura com
    chapéu vermelho, que não combina
    nem fica bem em mim.

    Vou gastar a pensão em uísque e luvas de verão
    e sandálias de cetim – e dizer que não temos
    dinheiro para a manteiga.

    Vou sentar na calçada quando me cansar e devorar
    as ofertas do supermercado, tocar as campainhas
    e passar a bengala nas grades das praças
    e compensar toda a sobriedade da
    minha juventude.

    Vou andar na chuva de chinelos, apanhar flores
    no jardim dos outros e aprender a cuspir.

    A gente pode usar camisas horríveis e engordar,
    comer um quilo de salsichas de uma vez
    ou só pão com picles a semana inteira
    e juntar canetas e lápis e bolachas de
    cerveja e coisas em caixinhas.

    Mas agora temos que usar roupas que nos
    deixem secos, pagar aluguel, não dizer
    palavrão na rua e ser bom exemplo
    para as crianças.

    Temos de ler o jornal e convidar
    amigos para jantar.

    Mas quem sabe eu devia treinar um pouco agora?
    Assim os outros não vão ficar chocados demais
    quando de repente eu for velha e usar
    vestido púrpura.

    Jenny Joseph em
    Quando envelhecer vou usar púrpura,
    tradução de Lya Luft

  2. Lya Luft já publicou mais de 25 livros, entre romances, coletâneas de poemas, crônicas, ensaios e infantis, além de receber vários prêmios literários….
    Não sou de areia, poema extraido de Perdas e Ganhos, livro que ela escreveu para instigar e instigou mesmo.

    Não sou a areia…
    Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela. Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra. Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou mistério.
    Amo livros, poemas e crônicas da grande Lya Luft

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