No momento, quem disser que ganha Dilma ou Serra, está mentindo ou fingindo de analista. E nos estados, ainda mais difícil qualquer exame a respeito de nomes, nessa injustificável coincidência de mandatos.

Chico Alencar:
“Rio de Janeiro, cidade que me seduz, de dia falta água, de noite falta luz”. A marchinha de carnaval “Vagalume”, composta por Vitor Simon e Fernando Martins em 1954, está mais atual do que nunca. Os serviços básicos do Rio estão em crise. A energia, depois da privatização da Light, parece vagalume, com constantes apagões. E água nas torneiras tem faltado como há muito tempo não se via, apesar da propaganda governamental com a “nova” Cedae. Só superaremos esse desrespeito constante com muita luta. Estimule seus vizinhos a fazer o mesmo: cobrando junto, melhora.

Comentário de Helio Fernandes:

Perfeito, Chico, só se consegue mudança, só se obtém o que deveria ser obrigatório, só se conquista o que o cidadão-contribuinte-eleitor tem o direito de receber pela reciprocidade dos impostos, LUTANDO.

E como você diz muito bem, “juntos”, porque os adversários (os governos, todos eles) então se intimidam e fazem alguma coisa, embora coloquem uma parte muito grande desses recursos nas meias ou em contas bancárias daqui ou dos paraísos fiscais.

Temos que insistir na luta, no plano municipal, estadual e federal (nacional). Mas temos também que chamar atenção, sempre, mesmo correndo o risco de parecer repetitivo: o fracasso do sistema político-eleitoral, (com evidentes reflexos e consequencias sobre os governos) começa com a falta de representatividade, Os candidatos não são escolhidos pelo cidadão, mas só esses podem ser votados.

Já relacionei 10 ou 15 itens que devem ter prioridade nessa REFORMA PARTIDÁRIA. Mas jamais será feita, pois o comando pertence (e pertencerá até onde posso vizualizar) à mesma cúpula que domina o país nos 121 anos da República.

Hoje vou mostrar a burrice (será apenas isso?) colossal da COINCIDÊNCIA dos mandatos. O Brasil é o único país do mundo ocidental, que realiza todas as eleições no mesmo dia. (Excetuada a eleição municipal, chamada de “eleição solteira”).

Não é apenas pelo fato do cidadão ser obrigado a votar ao mesmo tempo em presidente e vice, governador e vice, senador (agora 2, o suplente não tem voto, vem na “carreata”), deputado federal, deputado estadual.

O mais grave nessa constatação, e que passa a ser gravíssimo, se do total de inconveniências, tirarmos dois pontos importantíssimos. (E nem levaremos em consideração, a exaustão e a preocupação do cidadão-contribuinte-eleitor em fazer tantas escolhas ao mesmo tempo).

1 – Se todos os países do mundo ocidental, fazem as eleições nas datas mais diferentes, respeitando apenas o tempo dos mandatos, por que só o Brasil insiste em acumular tudo no mesmo dia? Só o Brasil estaria certo e todos os outros errados?

Vou citar apenas o exemplo dos EUA (presidencialismo também), embora na França, os ministros precisem ser referendados pelo Parlamento. Quando Mitterrand não obteve a maioria da Câmara para governar, precisou fazer a famosa COABITAÇÃO com Chirac. Um presidente socialista, um primeiro-ministro conservador. (Reacionário).

Dois anos depois Mitterrand retomou a maioria, Chirac foi demitido. Mas logo pela primeira vez se realizava a eleição de prefeito de Paris, Chirac se elege, só que não afetava nem comprometia o governo socialista.

Nos EUA as eleições são separadas. Todos, vá lá, quase todos acompanham a escolha do presidente, não existe a luta por palanques. E apesar de muitos acreditarem que na Matriz existe bipartidarismo, mais de 50 partidos são registrados, só que não têm votos.

Além do voto independente. Apesar de apenas 1 congressista não pertencer ao Partido Democrata ou republicano. Os governadores são 50, e existem 10 ou 12 datas para as escolhas. Que são datas estaduais, sem nenhuma interferência da Casa Branca. Os senadores, importantíssimos, com mandatos de 6 anos, eleições de 3 em 3 anos, SEM SUPLENTES.

2 – Um verdadeira excrescência, farsa e falcatrua, é a “COINCIDÊNCIA” de mandatos. Agora mesmo podem relacionar o número de cidadãos, em todo o Brasil, que exercendo mandatos parlamentares, não podem disputar cargos executivos. Se perderem, ficam fora da vida pública.

(Como ficou Heloisa Helena em 2006, como ficará neste 2010 Marina Silva, que seria reeleitíssima para o Senado. Terá 4 ou 5 por cento dos votos, bravura cívica elogiável. Se não houvesse a COINCIDÊNCIA, continuaria servindo ao país. Ou disputando a Presidência, em outra data).

***

PS – O melhor exemplo (ou um dos exemplos) é o próprio Chico Alencar. Poderia ter tentado várias vezes a eleição para governador, se não ganhasse ficaria sem mandato, 4 anos depois teria que voltar à Câmara.

PS2 – Perdido esse tempo de militância-representatividade, voltando ao mesmo lugar. Enquanto isso, várias nulidades, e pior que isso, praticantes do “enriquecimento ilícito”, ocuparam os cargos. Tragédia para os cidadãos dos 26 estados. (Sem falar no drama da corrupção capital, perdão, da capital).

PS3 – Gostaria de ver o Chico Alencar como governador. Não garanto, é claro, que seria a redenção do Estado do Rio. Mas tem credenciais que raros podem apresentar por aqui.

PS4 – É participante, tem convicções, gosta de trabalhar, está sempre presente. E infelizmente tendo que ser colocado no alto das escolhas, não rouba nem deixa ninguém roubar. Sobre isso, nenhuma dúvida.

PS5 – E o fato de não ser CORRUPTO, nada a ver com problema de ÉTICA, de MORAL, de DIGNIDADE. Trata-se de preservação dos dinheiros do cidadão. Se o governador tem que fazer uma obra que custaria, digamos, 1 bilhão e gasta 3, visível: com o mesmo dinheiro poderia construir 3 obras iguais.

PS6 – Cidadãos como Chico Alencar e outros, deveriam ter a chance de governar. Com a COINCIDÊNCIA, ficam passando e repassando o mesmo cargo, sem poderem aproveitar o que aprenderam durante o trajeto.

PS7 – Nos EUA, a única eleição de COINCIDE: a de deputado federal (chamado de congressista). Eleito pelo VOTO DISTRITAL, apenas 2 anos de mandato. 425 deputados para uma população de 300 milhões. Nós com 513 para 200 milhões. Que República, perdão, QUE INVEJA.

PS8 – Ia esquecendo a Light, que explorou o Brasil a vida inteira, ganhando fortunas. Falida, foi comprada pelo “presidente” Geisel, pagando uma fortuna. Isso em 1978. Depois, FHC DOOU, DE GRAÇA, a uma estatal da França. Disse que energia “NÃO PODE SER ESTATAL”. Na França pode

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