No programa do PSB, assessoria participou demais; no Banco do Brasil, presidente prestou atenção de menos

Pedro do Coutto

 

São duas reportagens publicadas no Globo, edição de segunda-feira 1 de setembro. A primeira de Flávio Ilha, que entrevista o candidato a vice Beto Albuquerque, considerando que a coordenação do programa do partido desafinou em algumas questões sensíveis ao eleitorado. A segunda, sem assinatura, revelando que o Ministério Público Federal de São Paulo abriu investigação contra o presidente do banco do Brasil, Aldemir Bendine, por suspeita de ter, por intermédio do ex-motorista, destinado quantias em dinheiro para empresários.

 

As denúncias contra o atual presidente do BB começaram na Folha de São Paulo que, na manchete principal de uma das edições da semana passada, revelou que Bendine fora multado pela Receita Federal em face de erro em sua declaração no Imposto de Renda. Acrescentou que ele pagou multa sem recorrer.

 

Os dois fatos criaram situações sensíveis, o primeiro para a equipe da candidata Marina Silva, refletindo nas intenções de voto para a sua candidatura. O segundo, para a presidente Dilma Rousseff , que terá de pedir explicações públicas ao presidente do Banco do Brasil, porque a sombra a coloca numa posição de constrangimento, com reflexos no eleitorado.

 

Em dois artigos anteriores, eu havia chamado atenção para atuação da assessoria de Marina Silva. Foram duas entrevistas a Folha de São Paulo. A primeira de Maria Alice Setúbal, a segunda de Eduardo Giannetti. Ambos falaram como se fossem eles os candidatos às urnas de 2014, e não a própria Marina Silva. O terceiro fato foi este que aconteceu com o programa partidário. A assessoria foi além da candidata.

Na realidade existem PHD’s nas assessorias político-partidários. Mas PHD é para ajustar as ideias dos candidatos aos planos econômicos, financeiros, sociais. Não para se sobreporem as visões próprias dos titulares das legendas. Não foi o que aconteceu no prisma social quanto ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Para tal hipótese se concretizar é necessário a aprovação de emenda constitucional e não somente lei complementar. Como se vê, por exemplo, há necessidade dos assessores terem conhecimento, além de suas especialidades da legislação em vigor do país. O que não foi observado. O reflexo foi ruim. Inclusive, sob o aspecto religioso. Afinal de contas, as religiões católica e protestante são contrárias ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se tal hipótese estivesse em lei como os sacerdotes poderiam proceder?

BANCO DO BRASIL

 

Quanto ao desempenho de Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, o Palácio do Planalto já deveria ter se antecipado e pedido explicações sobre as reportagens da Folha de São Paulo e o pagamento da multa a Receita Federal, pois não é cabível que o presidente de uma instituição extremamente importante possa ter sido multado pela Receita Federal e o caso tenha ficado restrito às matérias publicadas na imprensa, agora acrescido de uma acusação formulada por um seu ex motorista.

Enfim, os debates entre os candidatos, equívocos e omissões que tenham cometido vão ter seu reflexo medido nas próximas pesquisas do Ibope e Datafolha.

3 thoughts on “No programa do PSB, assessoria participou demais; no Banco do Brasil, presidente prestou atenção de menos

  1. Caro CN quem escolheu, indicou e nomeou o Presidente do BB foi a Dilma/PT+Lula. Logo, por qualquer ângulo que olhemos, chegaremos a conclusão que a conivência ou incompetência são da Dilma/PT+Lula.

    Como não acredito na incompetência da dona Dilma/PT+Lula, só nos resta a conivência. Ela é tão exacerbada que a presidente declarou guardar debaixo do colchão R$152.000,00. ISto é uma indicação que a presidenta não confia nem nas instituições governamentais ou nos órgãos administrados por seus companheiros indicados por ela mesma.

    Isto é uma indicação que este governo é uma típica “Reunião de Bacana”:
    Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão
    Não, não fica um
    Se gritar pega ladrão
    Não fica um meu irmão
    Se gritar pega ladrão
    Não, não fica um…

  2. Parece que as coisas estão ficando mais quentes, depois do Paulo Costa, agora é o Youssef que está querendo cantar….(…)…
    A decisão de Paulo Roberto Costa de contar o que sabe parece ter inspirado seu amigo Alberto Youssef.

    Os advogados do doleiro também começaram a negociar uma delação premiada com o Ministério Público. A chance de acordo, porém, não é das maiores.

    Os procuradores temem que, se a conversa avançar, Youssef quebre compromissos contidos nos termos da delação. Não seria a primeira vez.

    Depois de ser preso em 2003, o doleiro afirmou que abandonaria seu ramo predileto, o das negociatas. Deu no que deu.

    Por Lauro Jardim

  3. Quando candidatos continuam debatendo e aceitando sugestões aos seus “planos de governo”, fica clara e transparente a falta de estudos anteriores. E as convicções, inexistem.
    Idéias e propostas deveriam estar pronta, pelo menos de algumas áreas, muito antes das campanhas.
    Durante o processo eleitora, ficam sendo apenas “ajustes” que antes de melhorem propostas, representam “acordos” para apoios.
    E o país vive ao sabor dos negócios e sem projeto de nação e estado.

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