No Rio, máfia dos ônibus distribuía R$ 6 milhões por mês para deputados

Com o advogado, Barata chega à Polícia Federal

Gabriel Barreira

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como “Rei dos Ônibus”, e Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas (Fetranspor), admitiram a existência do que os procuradores da Lava Jato chamam de “Caixinha da Fetranspor”, que arrecadaria até R$ 6 milhões por mês para pagar vantagens indevidas a políticos. O esquema começou há 20 anos e, segundo os réus, beneficiou o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, que teria recebido da caixinha por cinco anos.

O ‘Rei dos Ônibus do Rio’ afirmou que o fluxo de caixa dois se aprofundou na última década com a bilhetagem eletrônica. Isso porque a empresa que administra o maquinário cobrava 3,5% dos valores das passagens para a manutenção do sistema, mas 1% deles era trocado por dinheiro em espécie e redistribuído para políticos.

PICCIANI – “Havia um acordo de pagamento para o deputado Jorge Picciani. O objetivo exatamente, a forma de pagamento, eu não sei precisar. Mas realmente o Jorge Picciani, como presidente da Alerj, teria que ter essa contribuição porque os projetos todos passam pela Assembleia”, afirmou.

“O deputado Jorge Picciani foi presidente da Assembleia por vários mandatos e, como presidente, era uma pessoa-chave para proteção (do setor) do transporte e pudesse evoluir em projetos que fossem para o benefício de todos”, disse Barata, explicando que, inicialmente, o que chama de “contribuição” era doação de campanha.

“Realmente existia um caixa gerado pela Fetranspor para pagamentos a agentes públicos no sentido de tentar melhorar o sistema de transporte.”

SEM PROBLEMAS – “O objetivo da geração desse caixa dois era contribuir com agentes públicos para atingir esse objetivo [de não criar problemas para as empresas de ônibus]”, prosseguiu.

Lélis Teixeira também confirmou, pela primeira vez, a existência da caixinha da Fetranspor, mas disse que não participava das negociações. Ex-presidente, ele disse que era técnico, mas soube da existência de vantagens indevidas por Jorge Picciani e Paulo Melo.

Lélis garantiu também que Edson Albertassi recebeu as vantagens através de rádios de sua família no interior, inclusive por ser presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj. Tanto esta comissão quanto a de Transportes, segundo ele, eram importantes para a Fetranspor ter “boas relações”.

6 thoughts on “No Rio, máfia dos ônibus distribuía R$ 6 milhões por mês para deputados

  1. “No Rio, máfia dos ônibus distribuía R$ 6 milhões por mês para deputados…Caixinha da Fetranspor”, que arrecadaria até R$ 6 milhões por mês para pagar vantagens indevidas a políticos. O esquema começou há 20 anos .”

    – Se quisesse, ELE estaria podre de rico!

  2. Cada esquema de ladrões dentro do seu “quadrado”. Em ‘suna”, como diria nosso querido motoboy, o roubo é regional, centralizado mas também compartilhado.
    O esquema do roubo, que era restrito a alguns facínoras, foi
    TROPICALIZADO!

  3. Para os “iguais” desses marginais eles “não oferecem perigo a Nação e tem que ficarem soltos, bem livres para continuarem com seus delitos” , nem precisa imaginar quem disse isso e deu “habeas corpus” a seus “amigos íntimos” ! Tristes Trópicos onde a imoralidade impera com a impunidade sob o comando dos “plausíveis caras de pau sócios/cúmplices dos destruidores do Rio de Janeiro e do Brasil” !!!!

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