No rumo da inadimplência, o mundo deve o dobro do que produz a cada ano

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Charge do Adão Iturrusgarai (Arquivo Google)

 Pedro do Coutto

Como disse em artigo anterior, o repórter Sérgio Tauhata revelou na edição de quarta-feira do Valor, 12 de abril, que a dívida global dos países do mundo, incluindo e populações atinge a soma estratosférica de 237 trilhões de dólares, de acordo com os dados do Instituto de Finanças Internacionais. Para se dimensionar esse valor enorme, basta compará-lo com o Produto Bruto Mundial, que em 2017 oscilou em torno de 100 trilhões de dólares, em números redondos. O montante da dívida explica as razões da concentração de renda do planeta, com destaque para o caso do Brasi,l objeto de reportagem de Cássia Almeida, O Globo de quinta-feira.

Se calcularmos o efeito dos juros anuais sobre a dívida mundial global, vamos nos deparar com outra soma assombrosa. Se a média anual de juros fosse a adotada pelos EUA teríamos a incidência da taxa de 1,5% em cima dos 237 trilhões de dólares, o que significaria aproximadamente 6 trilhões de dólares a cada doze meses. O PIB do Brasil é de 6,6 trilhões de reais o que aproximadamente significa 2 trilhões de dólares.

PROPORCIONALIDADE – Nesse ponto destaca-se uma proporcionalidade  O Brasil produz por ano 6,6 trilhões de reais, e tem uma dívida interna bruta de 4,5 trilhões de reais. Os EUA possuem uma dívida interna de 3 trilhões de dólares, o que representa apenas 15% do PIB do país.  Assim, enquanto a relação dívida interna-produto bruto, nos Estados Unidos é de 15%, a relação no Brasil é de mais de 70%. Esse resultado acentua ainda cores mais fortes ao impulso concentrador da renda em nosso país. E tal processo, como Cássia Almeida acentuou, atinge sobretudo os mais pobres.

E, a meu ver, o ciclo só poderá ser rompido a partir do momento em que a renda do trabalho poder ser reajustada acima da taxa inflacionária, enquanto a renda atribuída ao capital financeiro estivesse empatando com índice de inflação. Mas tal condição é impossível de ser alcançada, uma utopia que atravessa os milênios e que vai muito além dos 2018 anos da era cristã.

FACE SOCIAL – Jesus Cristo, maior figura da humanidade, dividiu o tempo entre antes e depois dele. Deixou uma mensagem eterna no sentido de valorizar o ser humano. Suas palavras, assim, permanecem eternamente atualíssimas. Mas a face social do mundo é outra questão.

O fato predominante na realidade é o esforço não muito aparente de concentrar a renda e não  distribui-la pelo menos em 1% a/a. Este ponto de vista, claro, contraria a mão de tigre do mercado pesando sobre o destino do planeta. O pesquisador francês Thomas Piketti, na sua obra “O Capital no Século XX”I focaliza o tema e critica o peso do capital financeiro na problemática social.

LEIS DO MERCADO? – É curioso verificar-se que a elite dos economistas refira-se sempre às leis do mercado. Percebe-se que se trata do mercado financeiro, mais do que atividade econômica produtiva de alcance mais amplo.

É isso. Aproveito para agradecer o comentário-artigo de Flávio José Bortoloto neste site, edição de quinta-feira.

16 thoughts on “No rumo da inadimplência, o mundo deve o dobro do que produz a cada ano

    • Foi Assim que os EUA entraram na crise de 2008, achando que dívidas não importam, déficits não importam, são só números e os EUA são superpoderosos, ..
      O problema maior é que hoje as grandes potências enfrentam uma falência moral e intelectual. Uma falência econômica seria só um reflexo disso.

      • Uhmm… deixa ver: falência moral amarrada com falência econômica.

        Neste caso o Brasil nem moral deve ter, certo?

        Por outro lado, crise (2008) é uma coisa, e crise na riqueza é outra.

        A Venezuela é o segundo país mais rico do mundo, tomando petróleo como ‘asset’, logo deveria ter uma condição de vida (social, etc.) à altura da riqueza debaixo da terra. Não tem. 40 a 70 mil Venezuelanos entopem Roraima.

        Então acho que o artigo simplesmente é um ‘nonsense’ e não quer dizer nada com nada.

        Sopa de letrinhas.
        A propósito, você compraria dólar americano para garantir o futuro, se moeda fosse a escolha, ou a ‘la moneda’ Venezuelana?

        • Com tanto endividamento, o dólar americano está devorando o seu futuro, não garantindo.
          Talvez fosse melhor comprar Yuan. Em breve a economia chinesa será maior que a americana. Isso se o mundo sobreviver à atual crise na Síria, é claro.

          • Meu filho foi a China recentemente a negócios. Foi comprar a moeda chinesa. O BB não vende. E aí?

            Tentou um banco particular, e a pessoa indagou, ‘hã?’. Outro, mais atencioso disse, melhor comprar dólar americano. Assim fez.

            Vamos ver. Tenho outro amigo que trabalha na área de petróleo. A sede é em Houston, TX. Metade do que ele fatura fica por lá mesmo. O imposto é mais barato.

            E a outra parte? Investe em imóvel. Mas mesmo aqui ele ainda compra um pouco de dólar. Teve que fazer uma cirurgia emergencial, cara. E aí? Ora, vender dólar é mais fácil em uma emergência do que abrir mão de bens imóveis. A propósito, não é necessário colocar bens imóveis em nome de laranja nos EUA. Isso é coisa de ‘brazilianus’ com um fisco fungando no cangote.

            Eu até ia comentar o restante de seu artigo, mas acho que você tem um certo pendor de raciocínio pelo viés da esquerda, e presumo que de moeda e economia você não manja.

            Quanto a ideologia, parabéns.

            Use a equação:
            moeda + democracia = lastro. Só existe no Mundo Ocidental, com a exceção de pouquíssimos na Ásia. A China está excluída.

            PS. Meu filho voltou chocado: “a China é excelente para fazer negócios. Quanto à ética, ainda estão milenarmente atrasados.”

            Ele prefere Singapura onde vai residir: lá são chineses amestrados pelos britânicos.

    • Nem sempre e não tão assim:

      – O Patrão ouro não o fazia assim!

      O fato que todos escondem, uns por doutrinação keynesiana e outros por má índole mesmo, é que são os governos que consomem quase toda a poupança que deveria servir para investimento e financiamento de quem produz.

      Governo mal produzem um pequeno percentual do correspondente ao que consomem.
      Isso só é possível porque governos não precisam oferecer contrapartida àquilo que EXPROPRIAM da população produtiva.

      A recessão é quando o custo para se trabalhar e produzir é demasiado elevado, obrigando a que se reduza a produção para provocar escassez e assim permitir cobrir os custos de produção.
      – É como alguém abrir uma comércio e o valor do aluguél (impostos) elevar-se a níveis insuportáveis: o negócio terá que elevar seus preços ou ser fechado.
      O aumento do custo para produzir se dá exatamente porque o governo quer consumir cada vez mais e assim TOMA para si (pela ameaça armada) grande parte dos bens e serviços produzidos, fazendo com que o que sobra deva cobrir todos os custos de produção elevando o preço e reduzindo a quantidade e consumidores.

      – A inflação é exatamente a mesma coisa, só que não se faz pela ameaça armada que se esconde nos impostos, mas pela via da “FABRICAÇÃO” de dinheiro (digitação) a fim de consumir cada vez mais dos bens produzidos na sociedade. Assim, a inflação gera recessão lentamente, dada sua dinâmica.

      A inflação pela fabricação de moeda sem lastro foi maquiada através do mercado futuro das opções.
      Neste mercado o dinheiro fabricado é usado para negociações no futuro através de uma camuflada CORRENTE da FELICIDADE ou PIRÂMIDE. Não retornando ao mercado a moeda “emitida”. Porém seus detentores vão acumulando/renovando créditos para um pretenso futuro.

      Ou seja, os governos consomem hoje e empurram para o futuro a compensação não só com dívida, mas também com compras futuras com sua moeda falsa (fabricada do nada).

      Essa bomba, quando estourar, vai ser destruição total para especuladores e muitos vão empobrecer e a confiaça quebrada. No salve-se quem puder, a população em geral irá pagar esse pato com quebradeiras encadeadas. Exatamente como o rompimento da corrente ou pirâmide.

      Enquanto dinheiro falso comprar bens falsos a inflação não vai aparecer, mesmo com a emissões de moeda sem lastro.
      …mas quando não for mais possível, aí………………..

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a Dívida Mundial, ( o montante de Crédito Mundial Privado e Público, em Moeda Nacional ou Estrangeira, da Economia Mundial, US$ 237.000 Bi, em relação ao PIB Mundial US$ 100.000 Bi, e constata que devido aos JUROS, principalmente os COMPOSTOS, dos 3 Setores da Economia, o Agro-Pecuário, o Industrial, e o de Serviços do qual o principal componente é o FINANCEIRO ( Bancos, Financeiras, Fundos de Investimentos, Seguradoras, etc), é o que mais está crescendo em relação aos demais, concentrando demais a Renda/Riqueza criando um desequilíbrio.

    Em seguida o grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa estrategicamente as consequência disso, constatando que o Setor Financeiro é como o Futebol Moderno que paga altíssimos Salários para os Jogadores Estrelas, +- 1% deles, e paga Salário Baixíssimo para os 99% que jogam no Interior, o que tende a concentrar a Renda e manter muito baixo o Consumo.
    Também o Setor Financeiro é o que mais está destruindo Empregos com a Internet/Informática, o que implica em pressão de Baixa Salarial Geral.

    É claro que na Economia Moderna operada em Fiat Money, na verdade Depósito em Conta Bancária (+- 97% do Crédito Mundial), o CRÉDITO é o sangue do Corpo Econômico, e quanto mais sangue melhor, porque ele cria Poder de Compra que gera EMPREGOS/PRODUÇÃO/IMPOSTOS, mas esse Crédito é limitado pelo Salário dos Trabalhadores e a Renda das Empresas, e quando chega no Ponto de Saturação, acaba a expansão, acaba a produção de “sangue” e a Economia fica anêmica.
    Por isso é importante, como bem explica o grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO que os Salários/Aposentadorias subam sempre anualmente no mínimo a Taxa de Produtividade da Economia que gira hoje em torno de 2,5% aa acima da Inflação de Preços.

    O Economista THOMAS PIKETTY em seu famoso Livro ” O Capital no Século XXI ” explicita esse desequilíbrio do crescimento muito desigual para maior, do Setor FINANCEIRO, e propõe solução: Basicamente maior Taxação no Setor Financeiro e maior REGULAÇÃO dele. O problema é Força Política para executar isso.

    É verdade que os Bancos Centrais, e o Banco Central dos Bancos Centrais, o BIS ( Bank for International Settlements) com Matriz na Suíça, tem consciência desse desequilíbrio e tenta Administrar isso, porque sabe que esse desequilíbrio, ( crescimento exagerado do Setor Financeiro em relação ao Setor Agro-Pecuário e principalmente INDUSTRIAL, ( FORDISMO) que foi o que deu maior Padrão de Vida ao Povo em geral, que criou a grande Classe Média e a Produção/Consumo de massa, se não for checado, dará sem dúvida, no futuro não muito a frente, relevância a Teoria MARXISTA e a Luta de Classes.

    Se esse desequilíbrio se amplia continuamente, ou o CAPITALISMO paga uma Renda Mínima Mensal a cada Pessoa ( Homens, Mulheres, Crianças) independente de estar Empregado ou não, ou o velho SOCIALISMO MARXISTA ( Propriedade Estatal dos Meios de Produção, Escolhas Comunitárias e Planejamento Central da Produção), especialmente garantindo um Emprego para cada Pessoa, que parecia totalmente superado, voltará a ter grande APELO.

    • Sinto ter que informa-lo que quando o governo TOMA recursos da sociedade via impostos, ele usa estes impostos para consumo próprio, expandindo-se em busca de mais Poder.

      SIm, quando governos crescem e melhor remuneram seus funcionários, maioria de inúteis, ele esta SUGANDO bens e servições produzidos pelos PAGADORESde impostos para serem CONSUMIDOS pelos RECEBEDORES de impostos. Isso empobrece grande parte dos que produzem e enriquece os PARASITAS estatais que apoiarão mais Poder e mais impostos para o Estado (eles mesmos).

      – Os governos não cobram impostos porque precisam de dinheiro, NÃO!

      – Os governos poderiam simplesmente digitar em suas contas tanto quanto desejassem de dinheiro (isso geraria inflação galopante).

      – Governos cobram impostos para que aqueles que investem, trabalham e produzem bens e servições úteis, NÃO POSSAM CONSUMIR TUDO QUEPRODUZEM ATRAVÉS das TROCAS entre si.

      Se todos ermanecem apenas com a capacidade de consumir MENOS do que PRODUZIRAM, são os governos que CONSUMIRÃO a diferença.

      Se os governo cobrarem 100% de imposto, os que produzem nãoconseguirão consumir nada, pois não terão o dinheiro para adquirir bens e serviços produzidos por outros. Assim os governos poderiam consumir tudo, 100%, sem causar inflação.

      Ou seja, IMPOSTOS EMPOBRECEM aqueles que trabalham e produzem bens e serviços úteis.

      A existência do dinheiro apenas facilita as trocas entre bens e serviços produzidos pelos que investem, trabalham e produzem.
      O dinheiro NÃO É VALOR, não é BEM e nem SEVIÇO, mas apenas UM MEIO de TROCA.

      Se quem pode fabricar dinheiro (ou passar cheques sem fundos) adquirir a maior parte dos bens e serviços disponíveis, os que produzem ficarão POBRES porque não poderão consumir, mesmo tendo muito dinheiro nas mãos. na verdade os preços subirão generalizadamente na tentativa de cobrir os custos tanto quanto para adequar quantidade de dinheiro com quantidade de bens e serviços disponíveis.

      Se quem tproduz esta pobre porque paga muito imposto, a tendência é haver pouco investimento e somente investimentos mais seguros. O risco assusta mais e com isso todos perdem. Mas os parasitas estatais, como a velha nobreza, consumirá a maioria do que é produzido, guiando-se por esse parâmetro como se em VANTAGEM.

  2. Nesse ponto destaca-se uma proporcionalidade O Brasil produz por ano 6,6 trilhões de reais, e tem uma dívida interna bruta de 4,5 trilhões de reais. Os EUA possuem uma dívida interna de 3 trilhões de dólares, o que representa apenas 15% do PIB do país. Assim, enquanto a relação dívida interna-produto bruto, nos Estados Unidos é de 15%, a relação no Brasil é de mais de 70%.

    ESTOU ESTRANHANDO ESSES NUMEROS DA DIVIDA AMERICANA. JÁ VI QUE A DIVIDA DOS EUA ULTRAPASSA O PIB DELES, A VANTAGEM PARA ELES É QUE A ROLAGEM DA DIVIDA É BARATA, POIS OS JUROS BÁSICOS DE LÁ AGORA ESTÃO ACIMA DE 1% A.A. , MAS PASSARAM BOA PARTE DO TEMPO ABAIXO DISSO. ALGUÉM PODERIA ESCLARECER ISSO?

  3. Pequenas correções:

    – O IIF (Instituto de Finanças Internacionais) informou que a dívida financeira global atingiu 237 trilhões de dólares, exatos, 3,16 vezes o produto produzido pelo planeta (produto global) que é de 75 trilhões de dólares. Como se vê, não vai faltar dinheiro e poder para esse sistema financeiro satanista transformar o nosso mundinho em um verdadeiro reino do inferno que é essa nova ordem mundial (NOM) dirigida por débeis mentais como George Soros!

    – O PIB norte americano é de US$18,6 trilhões. Sua dívida pública bruta é de US$19,6 trilhões, isto é, 105,4% do que aquele país produz. Sob esse aspecto parece que o Brasil leva vantagem em relação aos EUA, já que a nossa dívida bruta é de R$4,9 trilhões. Ocorre, porém, que os juros que o Tesouro americano paga é, agora, de apenas 1,5% a.a., enquanto o Tesouro brasileiro paga, agora, 6,5% a.a.

    – Thomas Piketti identificou bem o problema da anomalia financeira mundial e o surgimento do que Olavo de Carvalho chama de METACAPTALISTAS. Ocorre que Piketti esqueceu-se de mostrar a ajuda de governos comunosocialistas, que governam com o pulso firme do Estado, regulando a economia e se intrometendo nos rumos econômicos do seu país, criando reservas de mercado e subsidiando cartéis, monopólios e oligopólios de empresas comensais do poder, o que gera o endividamento monstruoso de seus países para com essas instituições financeiras satânicas, que passam a dirigir o rumo infernal desses países como é o caso latente do Brasil. Isso Piketti, que é economista keynesiano (comunosocialista) não disse e nem vai dizer, é claro.

    – Por fim, não há lei de mercado que resista à intromissão de governos keynesianos que sugam os recursos das empresas e da população com tributos extorsivos e, de quebra, promovem o desequilíbrio no mecanismo da livre concorrência com regulação excessiva e criação de reservas de mercados. Nenhuma economia de mercado resiste a tais governos. Nenhuma!

  4. Saúdo o retorno do grande Escritor de Economia e Finanças Sr. WAGNER PIRES , que tantos e tão bons Artigos escreveu. Ganha, e ganha muito o Tribuna da Internet, com seu retorno. Sempre admirei a clareza do seu pensamento e tudo embasado nos Números. Nunca o Sr. WAGNER PIRES teve preguiça de pesquisar as Tabelas, os dados, o Orçamento Federal, etc, o que dá muito trabalho. Abração.

  5. A dívida americana é de aproximadamente 20 trilhões.

    Ressalte-se que Obama, em oito anos, DUPLICOU a dívida americana.

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