No Tom Jobim, esperar as malas é algo angustiante. E na Copa, como será?

Pedro do Coutto

Retornando de uma viagem à França no início da semana com minha mulher Elena e minha filha, mais do que a viagem de onze horas Paris-Lisboa-Rio, cansou a espera pela liberação de nossas malas através de uma esteira rolante superada no tempo e no espaço. É um sistema de trabalho que ficou décadas atrás da era moderna de que são exemplos os aeroportos do mundo desenvolvido. Foi demais.

O vôo 185 da TAP aterrizou às 6 horas e 30 minutos. Foi o único avião a chegar àquela hora. Estava lotado, mas pensem se no mesmo momento estivessem descendo no Tom Jobim vários outros. Esperamos uma hora e quinze minutos, mas não fomos os últimos a recolher a bagagem. Imagine-se a mesma situação de morosidade, por exemplo, na Copa de 2014. As informações são difíceis, falta pessoal especializado e, sobretudo, bem treinado. Treinado para as coisas que concretamente acontecem. Porque  treinar para as teorias não adianta nada.

Exasperante também o trânsito, congestionamentos nas saídas, inclusive na linha Vermelha. Um problema que ninguém soube identificar exatamente no Túnel Rebouças paralisou o tráfego expresso para a Zona Sul. Resultado: parte acentuada da corrente de veículos deslocou-se para o centro da cidade. Nada foi feito para enfrentar a emergência. Aliás falar em emergência é um pouco exagerado. Porque tais situações se repetem infinitamente sem solução.

Poder-se-á dizer que o problema é de volume de carros e ônibus e, como tal, insolúvel. É possível. Mas o que não tem cabimento é a Prefeitura deixar de tentar resolver. Esta omissão tem que estar superada em três anos. Caso contrário, a Copa de 2014 corre sério risco de fracassar, pelo menos no Rio de Janeiro. O Brasil e o Rio têm grande responsabilidade. Foram o país  e a cidade que sediaram a primeira Copa, a de 50, realizada no pós segunda  guerra mundial. O governador Sergio Cabral deve voltar sua atenção para o Aeroporto Tom Jobim. O qual, inclusive, recentemente classificou de caótico. É fato. Descemos às seis e meia. Chegamos em casa três horas depois. É demais. O tempo perdido fala por todos os que já foram atingidos pela deficiência do aeroporto e do trânsito.

Um outro assunto. Em Paris, leio o jornal Liberation e acompanho reportagem da jornalista Soazig Quermener sobre o início da campanha eleitoral na França para a sucessão de Sarkozy, marcada para maio de 2012. Na frente, de acordo com as pesquisas, Marine Le Pen, da Frente Nacional ultra conservadora, liderada historicamente por seu pai, Jean Le Pen.

Ela está em plena ação, 24 a 23 sobre Sarkozy e depois um vazio, pois o Partido Socialista, que venceu com Mitterrand e perdeu com Lionel Jospin e Segolene Royal, ainda não se fixou em nenhum nome. Deve estar esperando as eleições comunais, ema espécie de primárias do quadro nacional. Entretanto, a reeleição de Sarkozy é extremamente difícil.

Soazig Quermener destaca, com base em pesquisa do instituto IFOP/JDD, comentada também por Bruno Jeudy, que o atual presidente encontra-se em baixa em matéria de opinião pública. Tornou-se o presidente mais impopular da história da França, pelo menos após a  liberação de 45 e a redemocratização do país. Setenta e um por cento o consideram entre ruim e muito ruim. Apenas 29% o aprovam.

A visão que se generaliza é a de que não consegue resolver problema algum. Não assume posições nítidas. Omite-se, acham os franceses. O desgaste é tão grande que o primeiro ministro François Fillon é mais popular que o presidente da República. Quarenta e oito por cento o aprovam. Cinquenta e dois o desaprovam. Diferença muito grande comparada a posição de Sarkozy. Se alguma empresa pesquisar os serviços do Tom Jobim vai encontrar panorama igual ao que envolve o presidente francês.

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