Nomeação de Cristiane transforma-se em uma comédia chapliniana

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso que aconteceu e que está acontecendo em torno do Ministério do Trabalho, no caso da nomeação e posse de Cristiane Brasil para assumir o cargo. A comédia do gênero que mais se adapta à questão é o filme “Tempos Modernos”, no qual o dono da fábrica vive às tontas com os empregados, entre eles Carlitos, não conseguindo chegar a lugar algum. É famosa na história do cinema a sequência em que um dos operários, Chaplin, fica preso nas engrenagens de uma máquina movida por correntes.

Nas edições de hoje, os quatro grandes jornais do país, O Globo, Folha de São Paulo , Estado de São Paulo e Valor, destacam o caráter principal do episódio que culminou na tarde de terça-feira, com realce para reportagem de Letícia Fernandes e Juliana Castro, O Globo. Vamos por etapas.

TRABALHO ESCRAVO – Primeiro, o ex-ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira editou portaria revivendo o trabalho escravo no Brasil. Na sequência imediata, a ministra Rosa Weber, do STF, suspendeu a validade da matéria. No terceiro episódio, Ronaldo Nogueira foi substituído por Pedro Fernandes. Mas José Sarney intrometeu-se e conseguiu que Michel Temer anulasse a nomeação. O PTB, de Roberto Jefferson, indicou então a deputada Cristiane Brasil, sua filha.

Tudo pronto para a posse, cadeiras colocadas no salão do Planalto, porém o juíz Leonardo da Costa Couceiro, da 4 Vara Federal de Niteroi, decidiu suspender a investidura de Cristiane, porque fora ela condenada em ações trabalhistas movidas por empregados seus, motoristas. Não assinou a carteira e num dos casos não pagou as indenizações. Em outro caso parcelou o pagamento, mas estes não foram saldados por ela, e sim por uma assessora.

AGU RECORRE – O Presidente Michel Temer recorreu através da AGU, mas o recurso não foi aceito. A Advocacia Geral da União, então, decidiu bater às portas do Supremo Tribunal Federal. Em recesso o plantão é ocupado pela Ministra Carmen Lúcia. O Ministro Gilmar Mendes, portanto não poderia receber o recurso. Até o momento em que escrevo Carmen Lúcia não havia ainda se pronunciado.

Terminou a maratona? Não. Letícia Fernandes e Juliana Castro descobrem e publicam que além de não pagar indenizações, a deputada Cristiane Brasil também não recolheu as contribuições que pela lei é obrigada a fazer para o INSS.

JEFFERSON INSISTE – A narrativa chapliniana continuou, com Cristiane Brasil e Roberto Jefferson sustentando que a posse deve ocorrer. Michel Temer propôs que o presidente do PTB indicasse outro nome. Mas Roberto Jefferson se recusou a fazê-lo. Ele não abre mão da nomeação de sua filha, apesar de a investidura caber ao presidente da República. Um corre-corre de amarga comédia que só encontra paralelo na sátira de “Tempos Modernos” em relação ao desempenho do poder. Famosa também no filme a sequência da caminhada de um longo lote de cordeiros seguindo para o local de abate,

Os episódios levam à gargalhadas em face da insistência do PTB e da vacilação de Michel Temer.

UM OUTRO ASSUNTO – O Estado de São Paulo na edição de ontem, publica com destaque reportagem de Adriana Fernandes revelando que em dez anos o país perdoou 176 bilhões de reais devidos por empresas. Assunto importante, Escrevo sobre ele amanhã.

2 thoughts on “Nomeação de Cristiane transforma-se em uma comédia chapliniana

  1. Prezado jornalista: Reside na constatação óbvia da sonegação das empresas, quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias do trabalhador para os cofres do INSS, como o fator principal do propalado déficit da autarquia, que diferentes governos tentam imputar aos aposentados, que segundo os economistas estão vivendo além da conta, portanto, contribuindo com o desequilíbrio atuarial.

    Incrível, fantástico e extraordinário, que um parlamentar, seja o primeiro a sonegar e não é a única, a Sra .Cristiane, trata-se de regra geral. O empregado é descontado na folha e o valor fica com a empresa. Configura-se apropriação indébita, crime tipificado no Código Penal, porém, nada acontece nesse país, que pune exemplarmente o cidadão e é leniente com empresários inescrupulosos.

    Para salvar suas excelências do patriarcado empresarial, os governos acenam com parcelamento das dívidas, geralmente de 180 meses sem juros e correção monetária. Uma benesse com um dos lados da moeda. Nesses grupos de devedores contumazes, estão bancos, empreiteiras(sempre elas), comércio, indústria, etc….

    É ou não é um absurdo, o que acontece nesse país que a LEI não é cumprida e não acontece nada? Acontece sim, as reformas contra os trabalhadores, que acabam tendo que pagar a conta sem ao menos ter almoçado.

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