Nomeados para impedir corrupção, militares acabaram alvo de denúncias na CPI da Covid

Charge do Duke (domtotal.com)

Jussara Soares e Paula Ferreira
O Globo

Escalados com o argumento de que evitariam irregularidades, militares que ocupavam postos de comando no Ministério da Saúde estão no olho da crise que atinge o governo, ao lado de políticos do Centrão. Além do ex-ministro Eduardo Pazuello, que é investigado, pelo menos quatro oficiais que passaram pela pasta foram envolvidos nas denúncias feitas aos senadores na CPI da Covid.

A teia de relações entre esses nomes fragiliza a estratégia do governo de tentar localizar a crise em servidores ligados ao Centrão e lança desconfiança sobre um dos seus principais grupos de sustentação. A citação de militares em negociações suspeitas para compra de vacinas causa constrangimento no Exército e alerta integrantes da comissão.

SEM DISTINÇÃO — “A CPI tem obrigação de investigar todos, desde que tenha fatos determinados. Não é uma questão de militar ou não militar. Investigamos qualquer pessoa, seja do presidente a qualquer outro funcionário que tem algum indício de envolvimento com coisas erradas” — disse o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

O vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), foi na mesma linha: “Ocorreu uma aliança entre velhos negociantes com novos negociantes. Vamos avançar em todas as direções que a investigação apontar”.

Ao chegar no Ministério da Saúde ainda como secretário-executivo em abril do ano passado, Pazuello recorreu aos colegas que fez ao longo de sua atuação no Exército para ocupar cargos estratégicos na pasta. O principal argumento era que os militares, além de especializados em logística e preparados para enfrentar uma guerra como a pandemia, estavam no local para evitar irregularidades no ministério. O órgão, um dos maiores orçamentos do Executivo, é alvo da cobiça de políticos.

E FORAM CHEGANDO… – Foi assim que o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa acabou sendo indicado para assessor do Departamento de Logística (DLOG) da pasta, então comandado por Roberto Ferreira Dias. O diretor estava no cargo desde o início do governo com a bênção do ex-deputado Alberto Lupion (DEM-PR) e do atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Na última semana, o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, apontou Blanco como o homem que abriu as portas para ele no ministério. Segundo o PM, o tenente-coronel também esteve presente no jantar em um restaurante de um shopping de Brasília, em 25 de fevereiro.

Na ocasião, Dias teria pedido propina para levar adiante uma negociação para a compra de vacinas. Dominguetti relatou o caso em entrevista à “Folha de S.Paulo” e depois confirmou à CPI, em um depoimento cercado de contradições.

ERA UM APRENDIZ – Dias, que será ouvido na CPI na próxima quarta, nega as acusações. Em nota, o ex-diretor, exonerado na última quarta-feira, afirmou que Blanco foi colocado no departamento para aprender a função dele. Dias diz que Blanco chegou ao restaurante acompanhado de Dominguetti.

Três dias antes desse encontro, o tenente-coronel abriu a empresa Valorem Consultoria em Gestão Empresarial, em Brasília. Blanco havia sido exonerado do ministério em janeiro. Interlocutores de Blanco afirmam que o militar aguarda os desdobramentos para se manifestar.

Em seu depoimento, Dominguetti ainda envolveu outro militar da pasta. O PM, ao ver uma foto, apontou o coronel da reserva Alexandre Martinelli, ex-chefe da Subsecretaria de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde, como a terceira pessoa presente no encontro. Disse, porém, que precisaria vê-lo pessoalmente para ter certeza. Martinelli nega e afirma que estava no shopping em um café.

CASO COVAXIN – Outros dois militares foram envolvidos nas suspeitas de irregularidades na aquisição de vacinas: o tenente coronel Alex Lial Marinho, e o coronel da reserva Marcelo Bento Pires.

Segundo relato do chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, à CPI, Marinho e Pires teriam pressionado para dar andamento ao processo de compra da vacina indiana Covaxin, mesmo sem o aval da área técnica. Essa vacina foi a mais cara contratada pela pasta e teve o trâmite mais rápido.

Os militares citados eram subordinados à Secretaria Executiva, comandada na época pelo coronel Elcio Franco. Hoje ele é assessor especial da Casa Civil e tem como missão justamente rever os atos da gestão Pazuello para preparar a defesa na comissão. O GLOBO procurou os militares citados na reportagem. Martinelli negou as acusações, Lial Marinho não foi localizado e os demais não responderam.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa esculhambação tem de acabar o mais rápido possível. O Brasil precisa que os militares voltem a ser a reserva moral do país. No entanto, está acontecendo o contrário. (C.N.)

18 thoughts on “Nomeados para impedir corrupção, militares acabaram alvo de denúncias na CPI da Covid

    • Quem usava o codinome “Daniel”, segundo o Wikipedia?

      “José Dirceu iniciou sua militância política no movimento estudantil em 1965, ano em que iniciou seus estudos de Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,[14] sendo vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) no período de 1965-66, um ano depois do início do Regime Militar.[1]

      Em 1966, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ajudou na formação paulista das chamadas “Dissidências”, em São Paulo a sigla era “DI-SP” (esta organização acabou tendo enorme afinidade política com o grupo de Carlos Marighella, que mais tarde viria formar a Ação Libertadora Nacional). No entanto, Dirceu nunca fez parte dos quadros da ALN.

      Em 1967, Dirceu era conhecido pelo codinome de “Daniel”, presidiu a União Estadual dos Estudantes (UEE-SP), firmando-se como líder do movimento estudantil paulista contra o então vigente Regime Militar, da qual é hoje presidente de honra.”
      https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Dirceu

        • Agora, que é o lagosta a que Bolsonaro se refere? Pelo que o presidente disse na semana passada eu achava que era o Barroso, mas pelo que ele esta dizendo no Twitter, “sexo com traficantes”, aí pode ser o Moraes do PCC. Isso será a controvérsia da semana.

          • Parece que o tal “Daniel” esta chantageando não apenas um lagosta, mas três. Kkk… ja comprei a pipoca, a semana promete.

      • Mais um usando a Wikipédia???!!!

        Por que Renato e Marcelino não recriminam essa atitude do Eliel como fazem comigo??!!

        Então a questão é somente encher o meu saco?

        Ora, vão pastar os dois, e convidem-se para o banquete de alfafa, capim e ervas daninhas!

  1. Para haver impeachment só está faltando o mais importante: inventar, criar um bom nome para sintetizar em uma palavra abstrata o emaranhado de intenções escusas do que está acontecendo.
    Por exemplo o “mensalão”. Sintetizou uma ideia de que havia pagamentos mensais sem determinar o motivo e os destinatários.
    Outro exemplo: “Pedaladas Fiscais”. Ninguém sabe o que seriam. Mas todos se convenceram de que de ser um crime pior do que pedofilia!
    Aceito sugestões para titular este novo movimento para o impeachment.

  2. Frases escritas em para-choques de caminhões:
    “Na estrada da vida não tem retorno”.

    Filosofia pura, refinada, e com a simplicidade de gente que labuta na boleia de um veículo pesado, seja de rodado simples, trucado, carreta, e até treminhão.

    Dito isso, o desejo de Newton, que os militares voltem a ser reserva moral deste País confronta a sabedoria popular, a sequência da existência humana, hoje muito mais voltada para ter dinheiro que ser honesta, correta, proba, decente e íntegra!

    Logo, se os militares comeram da fruta proibida, a corrupção, o gosto incomparável irá se alastrar nas FFAA, pois todos irão querer saborear esta iguaria, ainda mais sendo oferecida por ex-colegas e pelo presidente desta republiqueta.

    A verdade é que a corrupção vem tomando conta do Brasil, e de forma inexorável.
    Legislativo é a sua representante legítima;
    Executivo segue seus passos;
    Judiciário, simplesmente livra da cadeia os maiores ladrões que operam contra o País e povo.

    Por que as instituições militares não dariam continuidade à corrupção, se estariam isoladas neste combate desigual?

    A Nação brasileira não tem mais como impedir que a corrupção siga o seu rumo, de nos desintegrar como Pátria, País, Nação e Estado.
    Se nossas autoridades e poderes constituídos estão à mercê deste mal insidioso, que oferece vantagens extraordinárias e poder financeiro sucumbem às suas tentações, jamais teremos a devida limpeza ética e moral tão necessárias.

    A questão se resume ao povo, que recebe pela cara esses comportamentos devassos, deletérios e criminosos, que usam nossos impostos para enriquecimento ilícito, ocasionando que, a cada ano, aumentam a pobreza, miséria, desemprego, analfabetismo e violência!

    Se existe uma solução – nessas alturas, e assim como nos encontramos é impossível -, afirmo que nos resta a divisão territorial!!!

    O Brasil poderia se dividir em cinco outros, sem maiores problemas.
    Uma vez quebrado o poder central, que comanda um território continental e variado em usos e costumes, tradição e história, então haveria como controlar bem mais a desonestidade que atualmente.

      • Credo, mas que dificuldade usar a lógica!!!

        Che, antes de postares o teu comentário dá uma lida, não custa.

        Uruguai, Paraguai e Bolívia têm corrupção, porém em muito menor escala!

        Já ouviste falar na Honduras?
        Costa Rica?
        Belize?
        El Salvador?
        Guatemala?

        Países pequenos, logo, não se tem notícias de corrupção que temos no Brasil, hoje devidamente implantada nos poderes constituídos!

        E qual seria a tua ideia para diminuir a corrupção, Ronaldo, uma vez que discordas da minha sugestão?
        Deixar como está?
        Solução de continuidade?
        Virar às costas para este mal?

        Vamos lá, quero saber a tua ideia ou, por acaso, não tens nenhuma??

        Bom, o negócio é atazanar, e não debater temas sérios, que exigem a participação de quem se interessa pelo povo e País.

        No teu caso, a tua atenção se prende a Lula e a quadrilha que ele comanda, travestida em partido político, um tal de PT!

  3. NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Essa esculhambação tem de acabar o mais rápido possível. O Brasil precisa que os militares voltem a ser a reserva moral do país. No entanto, está acontecendo o contrário. (C.N.)

    Sr. Newton

    Não se faz mais General como antigamente…
    O lombo de bacalhau falou mais alto.

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