Nós e o imponderável

Carlos Chagas

Um povo que superou o impacto de duas bombas atômicas é forte o suficiente para enfrentar terremotos, tsunamis e vazamento nuclear em suas usinas. Os japoneses já sofreram o insofrível, precisando render-se  aos americanos na Segunda Guerra Mundial.
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A gente fica pensando o que seria do Brasil caso vivêssemos tragédias iguais. Os deslizamentos na serra fluminense ou as enchentes em Santa Catarina, antes, demonstraram ânimo suficiente de nossa parte, ainda que nem de perto possam ser comparadas as situações. Deveríamos dar graças a Deus por nossa inclusão privilegiada  no planeta, mas seria bom estarmos preparados para o imponderável.  Pode constituir-se  apenas em  questão de tempo vir o país a ser atingido por forças rebeldes da  natureza, senão daqui de baixo, quem sabe lá de cima, na forma de um meteoro gigante ou um cometa.�
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Não se trata de previsões tresloucadas, mas, apenas, de prevenção.  O elemento básico em toda catástrofe ou desgraça de proporções monumentais é o ser humano. A população, que necessita estar preparada. Aqui a coisa emperra, apesar de alguns avanços verificados nos últimos anos através da criação de órgãos  de Defesa Civil e congêneres, existentes em todos os municípios.  O que os prefeitos estão devendo é empenho. Eles e os governos estaduais e federal.

Adianta  pouco decretar Estado de Calamidade depois que uma delas, bissextamente, nos atinge. Necessário se torna treinar o povo para qualquer eventualidade, à maneira dos passageiros de transatlânticos que durante as longas viagens enfrentam pelo menos uma simulação  de naufrágio, sabendo para que convés correr e em que barco salva-vidas posicionar-se. Como agir e porque agir torna-se essencial.�
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Num país cheio de outras prioridades, não faltará quem rotule como bobagem essas cautelas. Infelizmente, só até o dia em que se tornar imprescindível responder  a uma desgraça de proporções imensuráveis, como os japoneses estão fazendo.�

FALTA OXIGÊNIO AO   DEM

O senador  José Agripino assume hoje a presidência do DEM, partido posto em frangalhos desde o tempo em que se chamava Frente Liberal. Nos idos da sucessão do último governo militar, insurgiu-se o grupo mais respeitável das bancadas situacionistas. Para evitar a vitória de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral,  formaram a dissidência que apoiou Tancredo Neves. 

De Aureliano Chaves a José Sarney, Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Edison Lobão, Hugo Napoleão  e Jorge Bornhausen,  entre outros,  tornaram-se credores  do regime democrático logo instaurado. Apesar de inspiradores da política neo-liberal adotada por Fernando Collor e por Fernando Henrique, foram lentamente postos à margem, para não  falar em defecções.
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Hoje, o  DEM é um partido posto em frangalhos, trilhando a avenida do desaparecimento. Falta-lhe oxigênio para continuar empolgando sequer os mais empedernidos conservadores.
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Fazer o que? Há quem sustente, em sua minoria pensante, que a primeira iniciativa seria desvincular-se dos tucanos. Tentar agir em separado, não mais a reboque do PSDB.  Até aproximar-se do governo Dilma, jamais em busca de nomeações, benesses e favores, como outros fazem, mas pelo fato de que a presidente da República desenvolve uma política econômica afinada com o programa do DEM.�

DE VOLTA AO PASSADO

Nesse período de reciclagem dos partidos derrotados no último  outubro, os tucanos também sofrem. Obrigam-se a fazer oposição ao governo Dilma quando, no fundo,  gostariam de estar aplaudindo sua política econômica. Afinal, julgam-se os pais da compressão do salário mínimo,  dos cortes de gastos públicos e da desoneração das folhas de pagamento das empresas. O diabo é que não dá, e não dando, ficam atrás de fantasias e ilusões. 

Uma delas poderia ser uma espécie de transfiguração de um de seus  maiores líderes, o ex-governador José Serra, aquele que em 1964 presidia a União Nacional dos Estudantes e até discursou no comício do dia 13 de março. Uns poucos passos à esquerda talvez inflassem o partido, apesar do risco de entrarem em estado de choque personalidades como Fernando Henrique Cardoso e Tasso  Jereissati. Alguma coisa precisa ser feita para recuperar o PSDB, só que ninguém sabe o quê…  �

OBJETIVOS OCULTOS

Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula,  e José Maranhão, ex-governador da Paraíba, pretendem ser nomeados para  vice-presidências da Caixa Econômica Federal. Orlando Pessutti, que por seis meses  substituiu Roberto Requião no governo do Paraná, quer uma diretoria do Banco do Brasil.  São todos do PMDB,  derrotados em outubro e em busca de compensações. A pergunta  é  que  contribuição poderão levar aos dois estabelecimentos financeiros federais. Na verdade, muito pouca. Imaginam, mesmo, formar bases de influência política para retornarem nas próximas eleições.

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