Nos golpes de 1964 e 2016, a mesma violência de classe

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Ilustração do Duke ( O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Entre o golpe de 1964 e o golpe de 2016 há uma conaturalidade estrutural. Ambos são golpes de classe, dos donos do dinheiro e do poder: o primeiro usa os militares, o outro, o Parlamento. Os meios são diferentes, mas o resultado é o mesmo: um golpe com a ruptura democrática e a violação da soberania popular.  Vejamos o golpe de 1964. René Armand Dreifuss, em “1964: A Conquista do Estado, Ação Política, Poder e Golpe de Classe”, deixou claro: “O que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar”.

O assalto ao poder de Estado foi tramado pelo general Golbery de Couto e Silva utilizando-se de quatro instituições: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), o Grupo de Levantamento de Conjuntura e a Escola Superior de Guerra (ESG). O objetivo era “readequar e reformular o Estado” para que fosse funcional aos interesses do capital nacional e transnacional. Eis o caráter de classe do golpe.

O assalto ao Estado se deu em 1964 e em 1968, com repressão, tortura e assassinatos. O regime de segurança nacional passou a ser o regime de segurança do capital.

RADIOGRAFIA – Para o golpe de 2016 temos uma minuciosa investigação do sociólogo e ex-presidente do Ipea Jessé Souza, “A Radiografia do Golpe”. Jessé desvela os mecanismos que permitiram à elite do dinheiro ser a “mandante” do golpe realizado em seu nome pelo Parlamento. Portanto, trata-se de um golpe de classe parlamentar.

Jessé enfatiza que “todos os golpes, inclusive o atual, são uma fraude bem-perpetrada dos donos do dinheiro, que são os reais ‘donos do poder’”. Quem compõe essa elite? É a elite financeira, que comanda os grandes bancos e fundos de investimento e que lidera outras facções de endinheirados, como a do agronegócio, a da indústria (Fiesp) e a do comércio, secundada pelos meios de divulgação que distorcem e fraudam sistematicamente a realidade social como se fosse “terra arrasada e país falido” (é exagero), escondendo os interesses corporativos por trás da fraude golpista.

O motor do processo, reafirma Jessé, é a voracidade da elite do dinheiro de se apropriar da riqueza coletiva com outros sócios, como a mídia ultraconservadora, o complexo jurídico-policial do Estado e parcela do STF (pense-se em Gilmar Mendes).

NO SENADO – O processo de impeachment foi parar no Senado. Este promoveu a destituição da presidente por crime de responsabilidade fiscal. Juristas e economistas, além de testemunhas, negaram a existência de irresponsabilidade. A maioria dos senadores já havia tomado previamente a decisão de depor a presidente.

A conversa entre Romero Jucá, então ministro do Planejamento, e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado, que foi vazada, revelou a tramoia: “Um grande acordo nacional com o Supremo para estancar a sangria da Lava Jato”, livrando do braço da Justiça 49 de 81 senadores indiciados ou metidos em corrupção. Dessa forma, com exceção dos defensores de Dilma, decidiram depor uma mulher honesta e inocente.

UM GOLPE – Condenar sem crime é golpe. Golpe de classe e parlamentar. Golpe significa violar a Constituição e trair a soberania popular por força da qual Dilma Rousseff se elegeu com 54 milhões de votos.

Ontem, em 1964, e hoje, em 2016, seja por via militar, seja por via parlamentar, funciona a mesma lógica: as elites econômico-financeiras e a casta política conservadora praticam a rapinagem de grande parte da renda nacional, contra a vida e o bem-estar da maior parte do povo, submetido à pobreza.

 

33 thoughts on “Nos golpes de 1964 e 2016, a mesma violência de classe

  1. Uma comparação pelo inverso.
    Em 1964, o golpe foi do estado militar contra o governo eleito.
    Já, em 2016, foi um contra-golpe da democracia, através de sua representação parlamentar legitimamente eleita, contra um governo golpista. Só um insano, comprometido até a raiz do cabelo, para tamanha desfaçatez.
    Quem deu o golpe foi Dillma e o PT. Se associaram a ala podre do PMDB e mentiram ao povo para renovar o mandato. Manipularam dados e informações, esconderam e revelaram a verdade somente após as urnas falarem.
    Dilma pedalou e mentiu o tempo todo. Se fosse acusada de todos os crimes praticados, teria de estar presa, antes mesmo do julgamento final.
    Uma “mulher honrada e de mão limpas”. Quem diz isto, está com a mente tão embotada que não consegue diferenciar ética e moral.
    Dilma irá para a cadeia, sem pedais e sem decretos. Os crimes que praticou e pelos quais ainda não responde, são tantos e tão grandes que não podem mais ser escondidos ou corrigidos.
    Esquizofrênica ou não, terá o justo lugar que merecem aqueles que, no uso de cargos de poder, os utilizam para beneficiar a si e aos seus.
    As mãos de Dilma,. longe de limpas, estão sujas pela lama que envolveu seu governo e suas decisões.
    O resto, bem o resto é conversa de senis e/ou bêbados.

    • Caro Antonio Carlos Fallavena,
      Não sou militar e nem filho de militar.
      Mas gostaria de perguntar e, sobretudo que alguém me responda, quem mais matou gente de bem e do bem no Brasil, o regime militar instaurado tendo em vista o obscurantismo vivido pela nação brasileira nos idos de 1964 a 1972 com a tentativa da implantação de um regime comunista do tipo cubano, soviético, coreano do norte ou a dupla Lula e Dilma em 14 anos de (des)?

        • Prezado João Belem
          Esperando ter entendido teu comentário, acredito que na democracia, governos também eliminam pessoas. Nos regimes militares, o uso da tortura até a morte, é algo mais explorado. No entanto, a falta de ações governamentais em áreas básicas ou a sua realização equivocada, a curto, médio ou longo prazo provocam a eliminação de pessoas. Na primeira, a fotografia mostra tudo. Já na segunda, o fato vai sendo mostrado aos poucos, por vezes lentamente.
          Quando o estado falha no ensino, na saúde, na segurança e em tantas outras áreas, a médio e longo prazo, provoca perdas, muitas irreversíveis, pelo caminho. Diria que, no caso dos ditadores, as mortes são quase instantâneas. Já na democracia, efeitos diretos e colaterais são sentidos durante décadas e os seus autores ficam de difícil identificação.
          Assim concluo que, as perdas humanas produzidas nos 14 anos petistas, como em outros governos também, serão maiores do que as revoluções, principalmente por se estenderem geração após geração.
          Tomara tenha deixado claro o que penso.
          Abraço e saúde.

  2. QUANDO PT PEDIU IMPEACHMENT DO COLLOR, DO ITAMAR, DO SARNEY, DO FHC, NÃO ERA GOLPE. ESSE BOFE NÃO SE CONFORMA EM PERDER A MAMATA. ACEITA QUE DÓI MENOS BOFE! APROVEITA E VAI PROCURAR UM TRABALHO.

  3. Boff, ex-frei, invariavelmente mal intencionado, mais uma vez mente ao povo ao tentar informar que a queda de Dilma se deu pelo sistema financeiro!

    Em período algum na história Republicana brasileira, um poder esteve tão íntimo desta elite que o ex-frei condena, o bancário, como esteve o PT!

    Nesses 14 anos exercendo o governo central, os petistas se tornaram tão íntimos dos banqueiros que proporcionaram os maiores lucros à “elite” que o PT condena para consumo externo, mas sempre a protegeu e acobertou internamente.

    Os balanços anuais dos bancos eram tão absurdamente lucrativos, que decidiram publicá-los semestralmente, de modo a não causarem impacto na população pelos vultosos rendimentos que auferiam a cada ano do governo de Lula e depois Dilma.

    Mente, desaforadamente, o ex-frei, que tenta colocar o PT como vítima de uma conspiração imaginária, e cujo golpe proferido foi contra o povo, altamente comprovado e indiscutível, conforme os milhões de desempregados, inadimplentes, juros extorsivos, inflação, economia em recessão, e roubos e crimes intermináveis cometidos pelos petistas!

    Boff, ex-frei, manipula os fatos, estupra a verdade, e quer se mostrar que foi seduzido pela humilhada e violentada vítima!

    Na sua tentativa de alterar a realidade, Boff, ex-frei, omite irresponsavelmente que, o sistema bancário, a elite contrária ao PT – mentira absurda pelos lucros obtidos pelas instituições financeiras na última década! – não compactua com o desemprego, com as restrições salariais da população, pois quebraria, não teria movimento bancário, financiamentos, empréstimos, haja vista a população estar endividada, sem renda, e retiraria da poupança e de suas contas correntes o dinheiro que resta!

    Boff, ex-frei, é um reles mentiroso, um profanador da verdade, que não publica e não comenta a fortuna incalculável roubada pelo PT, permitida e também porque dela se aproveitaram, Lula e Dilma!

    Não aborda a Petrobrás, os fundos de pensão, o BNDES, os empréstimos consignados, o erário público, as doações para nações que se alinhavam ideologicamente com o PT, o presente a Fidel Castro do Porto de Mariel, assim como as refinarias da Petrobrás, oferecidas à Bolívia e para o cocaleiro Morales!

    Boff, ex-frei, é também um ex-brasileiro, pois traidor da Pátria, do povo, que tenta esconder os crimes praticados pelos petistas contra o Brasil, contra o nosso patrimônio, alegando as mais insensatas e absurdas razões para a queda de Dilma, irresponsável, corrupta, desonesta, incompetente, causadora do sofrimento de milhões de pessoas, enfatizando deploravelmente que a banida ex-presidente não cometera crime de responsabilidade!

    Como que eu poderia classificar a quantidade de brasileiros à procura de qualquer trabalho, de milhões de endividados, que ultrapassam sessenta milhões de pessoas, mulheres, homens, idosos, idosas, jovens, chefes de famílias, vítimas de uma inflação implacável, submissas a juros escorchantes, sem esperança que o país melhore, SE NÃO COMO CRIME DE RESPONSABILIDADE DE DILMA ROUSSEFF, que jogou o Brasil na lama e no desespero?!

    • Bendl, irmão de sempre!
      Pintou e cantou tudo sobre a fase final de uma figura que ajudou, diretamente, a colocar nosso país na situação atual.
      Gente como ele, inflou os discursos, as mentiras plantadas pelos neo-comunistas.
      Assino embaixo e bato palmas.
      Abraço e muita saúde.
      Fallavena

      • Meu irmão Fallavena,

        Tudo bem?

        Grato pelo apoio e por concordares com o meu comentário, mas a verdade é implacável, e age também contra ex-religiosos, por mais que tentem alterar a realidade!

        Um forte abraço.
        Saúde e paz!

      • Caro Bordignon,

        Exatamente, os que “embarcam nessa lábia monacal” são os incultos e incautos, os analfabetos absolutos e funcionais, gente que a Teologia da Libertação faz questão de manter na mesma condição sócio-econômica porque fáceis de manipular!

        Boff, ex-frei, incute na mente dessas pessoas que o pobre é vítima, que Deus somente está com o pobre, que o pobre não precisa obedecer as leis porque injustiçado!

        Afora a manutenção em banho-maria quanto à luta de classes!

        Um abraço, forte e caloroso.
        Saúde e Paz, meu caro.

  4. Sempre houve disputa entre Trabalho e capital, e sempre vai haver. Tem horas que a balança pende mais para o Trabalho, quase sempre pende mais para o capital.
    O ilustre Prof. Teólogo Frei LEONARDO BOFF tenta alinhavar uma analogia entre: “64, “e “2016′, que não se sustenta.
    Em 64, o Reformista Presidente JOÃO GOULART perdeu o controle Político do País por excesso de Agitação, ele que foi o Presidente mais Agitador que conheci, Greves quase diárias, Inflação descontrolada ascendente, e principalmente quebra da Hierarquia Militar nas FFAA, com rebeliões de Sargentos, Cabos e Soldados Antigos, especialmente na Marinha de Guerra.
    Quando precisou de Batalhões que o defendessem, não achou mais ninguém.
    A Presidenta DILMA, por falta de sabedoria Política/Econômica, levou o País a maior Recessão desde a Mega-Crise de 1929, e não teve mais Votos suficientes para escapar da condenação do Impeachment no Senado.

  5. Esse cara é o JUDAS ISCARIOTES DO TERCEIRO MILÊNIO ! Ele opta pelos “satânicos petralhas” e nega Nosso Senhor Jesus Cristo !

  6. Ah se eu pudesse!
    Somos um país pobre, de pessoas carentes de todas as coisas básicas como cultura, comida, moradia, educação, saúde, segurança pública etc.
    MAS por qual motivo o povo pobre e até o mais remediado do Brasil é carente de tudo isso?
    Por não ser Sociólogo, Antropólogo, Filósofo, Intelectual ou um conhecedor da Área eu não posso enumerar e analisar detalhadamente e com maior profundidade por quais motivos estamos entregues à própria sorte, vamos dizer assim. Acho que ninguém é por nós.
    Na minha maneira Leiga de pensar eu diria que o Estado é omisso e os nossos líderes do governo, da política e a Elite detentora do Grande Capital tá nem aí para o que se denomina de Povo.
    Quando cito o Estado como omisso não significa que quero viver às suas custas recebendo Bolsa Família e outro tipo de Assistencialismo. Não, queria que o Estado fosse COMPETENTE e HONESTO ao administrar nossos impostos. Assim sendo, nossas carências seriam resolvidas.

    Se por um lado pessoas do governo e da política, gente do tipo:
    José Sarney, Lula, Dilma, Jaques Wagner, Jandira Feghali, José Genoíno, Marina Silva, Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Benedita da Silva, Humberto Costa, Luciana Genro, Paulo Paim, Roseana Sarney, Eduardo Suplicy, Erenice Guerra, Romero Jucá, Maria do Rosário, Randolfe Rodrigues, Sibá Machado, Paulo Bernardo, Rui Falcão, Geddel Vieira Lima e outros,
    não resolve o problema da pobreza do Brasil e do seu povo …

    … por outro lado,
    imaginem pessoas que, na minha opinião, são de uma inutilidade tamanho família, mas tem uma importância enorme neste país. Parecem Deuses do Olimpo.
    Se for colocar na ponta do lápis qual mesmo seria a contribuição dada ao país (contribuição abstrata não vale) e ao seu povo por gente tipo esse Leonardo Boff?
    Esse moço não deve ser doente mental, mas tudo leva a crer que o mesmo não tem uma mente sadia, pois, por defender um governo envolvido nos maiores escândalos desde 1500, tudo leva a crer que o mesmo precisa trocar de cérebro.

    Enfim, se pudesse escolher eu não gostaria de morar no mesmo país que seja habitado por estes políticos que citei acima e também por habitantes tipo: Xuxa, Paulo Freire, Padre Cícero, R .R. Soares, Leonardo Boff, Silas Malafaia, Frei Betto, Padre Marcelo Rossi, Sérgio Malandro, Waldemiro Santiago, Milton Santos, Chico Xavier, Edir Macedo, Emir Sader, Ana Maria Braga e outros.
    Ah se eu pudesse viver longe destas nulidades! Eles me estressam. Minha autoestima anda lá embaixo.

    Um país que elege Chico Xavier o maior brasileiro de todos os tempos realmente deve ser ruim da cabeça e doente do pé.

    • Prezado João da Bahia,

      Muito obrigado pela gentileza do comentário!

      Mas o teu texto foi poderoso com relação à posição política do ex-frei, contrária ao País, e somente favorável às pessoas que comungam do que ele pensa, da verdade que elabora, simplesmente alteradas, irreais, fantasiosas!

      Temos de ter os pés no chão com esta gente, que citaste com propriedade, pessoas que nos prejudicam, que não trabalham em prol do povo e do Brasil, mas para atender seus interesses e conveniências!

      Precisamos nos manter unidos, alertas, e trocar mensagens que nos informem os passos desse pessoal que não quer que nos desenvolvamos, mas deseja uma nação atrasada, com milhões de analfabetos, pois é muito mais fácil comandá-los, manipulá-los, usá-los, utilizá-los como massa de manobra!

      Notaste que o ex-frei JAMAIS comentou sobre Educação e Ensino?!

      JAMAIS CRITICOU o nosso analfabetismo absoluto e funcional?!

      Um forte abraço, meu caro João da Bahia.
      Saúde e Paz, deste teu amigo Chicão, do Rio Grande do Sul!

  7. Em uma democracia o direito à expressão é sagrado. Isso não significa que se possa distorcer a história.
    Meu caro professor Boff (exemplo de luta em favor dos pobres nas décadas de 80 e 90); não há como justificar ou compreender sua retórica diante da dura realidade a qual se rende a verdadeira face deformada da nossa esperança!
    Meu caro, é duro ter de reconhecer: fomos traídos! Isso causa extremo sofrimento, cada um de nós que um dia acreditou lida com essa dor de um modo peculiar.
    Alguns cobram a coerência perdida de modo desesperador; outros; buscam, ao modo psicanálitico, a substituição do objeto amado em outros movimentos, partidos, heróis que se repetem… entretanto, há aqueles que desenvolvem uma espécie de negação da realidade e racionalismo compulsivo, tentam justificar o injustificável, cotejam dados inexistentes, selecionam amostragens que não se sustentam, fatos históricos que “forçosamente” coadunam…
    realmente, a realidade é insuportavelmente dura, dolorosa…
    Não é mesmo fácil aceitar que um lindo projeto se converteu em tudo aquilo que negava e combatia.
    Das alianças espúrias com Sarney, Temer, Renan, Maluff, Collor e Barbalho em nome da governança; da corrupção ilimitada em nome da continuidade de projetos sociais (ou do argumento que os governos anteriores também se corrompiam), dos desvios resultantes dos saques do erário de modo ilícito em nome da “causa justa”…!
    Não podemos mesmo suportar tudo isso!
    Não no caso daqueles que acreditaram que o PT seria diferente, que romperia com o circulo vicioso e desumano que perpassou a história do Brasil. Um partido que “romperia com as forças conservadoras, se tornou o seu cajado, objeto de manipulação dessas mesmas forças”.
    Fico por aqui, também triste, manifestando solidariedade ao seu modo (insistente) de pensar, refletir e associar de maneira desconsertante “as histórias”. Não há como não entristecer, não há concordância frente aos fatos gritantes.
    Sua narrativa deforma a realidade, associa “histórias”, muitos diferentes.
    A única certeza existente é que em algum momento será preciso enfrentar a realidade…mesmo que isso demore mais para alguns do que para outros! Aceitemos ou não!!!

  8. O que vem a ser o golpe de 2016 – Elio Gaspari

    – O Globo

    • Como no de 1840, o impedimento de Dilma Rousseff irá para a história coberto pela névoa das paixões do momento

    Na manhã de ontem o senador Aloysio Nunes Ferreira reagiu a uma provocação de um deputado que ofendia a advogada que acusava a presidente Dilma Rousseff e ameaçou chamar a Polícia Legislativa para retirá-lo do plenário. Na véspera, como Nunes Ferreira, o senador José Anibal, também da bancada tucana de São Paulo, lembrou seus 50 anos de amizade com a presidente e, em seguida, defendeu seu impedimento.

    Hoje, Dilma Rousseff perderá seu mandato. Assim, dos quatro brasileiros eleitos para a Presidência desde a redemocratização, dois terão sido defenestrados. Essa é uma taxa de mortalidade superior à do vírus ebola, um sinal de que algo vai mal em Pindorama. Afinal, Dilma será deposta, e o deputado Eduardo Cunha, espoleta do seu processo de impedimento, continua no exercício do mandato.

    As sessões do julgamento de Dilma mostraram a beleza do ritual da Justiça. Ouvidos a ré, os advogados e os senadores, restarão uma sentença e a impressão de que houve muita corda para pouca forca. As pedaladas — o único elemento levado ao juízo — foram crime de responsabilidade, num caso de pouco crime para muita responsabilidade. Como não existe a figura de “pouco crime”, o resultado estará aí, irrecorrível, legal e legítimo.

    Dilma será deposta pelo conjunto da obra, uma obra que foi dela, e não dos chineses. Seu longo depoimento, confirmou sua capacidade de viver numa realidade própria. Em 14 horas de depoimento e respostas aos senadores, a presidente, ao seu estilo, manteve-se numa atitude professoral, com um único momento que se poderia chamar de pessoal. Cansada, informou que estava prestes a perder a voz: “É inexorável”. Não era, aguentou até ao fim.

    A palavra “golpe” tem uma essência pejorativa. O primeiro grande golpe da história nacional é costumeiramente conhecido como “Golpe da Maioridade” e entregou o trono do Brasil a Dom Pedro II, um garoto de 14 anos. Antecipando a conduta de Michel Temer, quando lhe perguntaram se ele queria a Coroa, teria respondido: “Quero já”. O tempo cobriu a violência do episódio. Argumente-se que quase dois séculos de distância fazem qualquer serviço.

    Contudo, a posição dos senadores Aloysio Nunes Ferreira e José Anibal mostra como as paixões alteram condutas e que não são necessários 200 anos. Em 1965, o jovem José Anibal, como Dilma Rousseff, era um militante da organização Política Operária, a Polop. Do grupo de 20 estudantes mineiros, sete foram presos, seis foram banidos, um foi assassinado, outro matouse para não ser preso e quatro exilaram-se, inclusive José Aníbal, que a polícia procurava como “Clemente” ou “Manuel”. Aloysio Nunes Ferreira, o “Mateus” da Ação Libertadora Nacional de Carlos Marighella, participou de um assalto a um trem pagador e exilou-se em Paris. Em 1975, de seis participantes, só ele estava vivo.

    Numa trapaça da história, Dilma Rousseff, a “Estela”, teve dois companheiros de armas dos anos 60 na bancada do seu impedimento. Na defesa de seu mandato, ficou só o protoguerrilheiro amazônico João Capiberibe, senador pelo PSB do Amapá.

    Esses cacos de memória parecem não querer dizer nada, mas daqui a 50 anos dirão tudo ou, no mínimo, dirão mais. Hoje começará a avaliação de Michel Temer.

    Requiem:

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/09/requiem.html

  9. Sem defender Temer e sua quadrilha mas, Dilma Rousseff se elegeu com 54 milhões de votos? – Não mesmo, as urnas são fraudulentas o processo de apuração ocorre em segredo e em ambiente secreto, por quê?
    A nação brasileira está sob ameaça de uma ordem mundial, destruir a família, a escola, as tradições e os bons costumes para vigorar a imoralidade e a libertinagem que servirão de ópio às mazelas nas quais será submetida a nossa sociedade.

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