“Nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós”, diz Bolsonaro ao negar crise diplomática

Bolsonaro diz que Brasil e China não têm “problema nenhum”

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro negou neste domingo, dia 29, que a relação do Brasil com a China esteja abalada, a despeito de uma crise diplomática entre os países ter sido iniciada na última semana, quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) acusou a nação asiática de espionagem.

Em coletiva à imprensa no Rio de Janeiro, logo após votar no segundo turno das eleições municipais, o mandatário afirmou que “não temos problema nenhum com a China” e que “nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós”.

INTERESSES – “Nós temos interesse na China, eles têm interesse em nós. Eles têm quase 1,4 bilhão de pessoas para alimentar. A China, ao longo dos anos, tem se transformado mais urbana do que rural. A China, com o problema da peste suína, teve uma necessidade de importar commodities do campo nosso”, analisou Bolsonaro.

“O chinês está cada vez mais consumindo proteínas, cuja a fonte principal é o animal, e todo mundo quer o bem do seu povo. E nós queremos do nosso povo aqui também. Como? Trabalhando, abrindo frente de trabalho, estimulando a produção e, mais ainda, desburocratizando”, continuou o presidente.

CONFUSÃO DIPLOMÁTICA –  Na noite de segunda-feira, dia 23, Eduardo Bolsonaro usou o Twitter para fazer as afirmações. Dentre as publicações, ele escreveu em uma delas que “o governo Jair Bolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo governo Donald Trump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”.

“O programa ao qual o Brasil aderiu pretende proteger seus participantes de invasões e violações às informações particulares de cidadãos e empresas. Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China”, continuou Eduardo, que excluiu as postagens no dia seguinte.

Na terça-feira, dia 24 , a Embaixada da China no Brasil reagiu e disse que “declarações infames” como a de Eduardo “além de desrespeitarem os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”.

DESINFORMAÇÕES –  “Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira, e evitar ir longe demais no caminho equivocado, tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral. Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, afirmou a embaixada chinesa.

O posicionamento da entidade diplomática desagradou ao Ministério das Relações Exteriores, que enviou uma carta à embaixada condenando as declarações, às quais classificou como sendo de tom “ofensivo e desrespeitoso”.

“O tratamento de temas de interesse comum por parte de agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil através das redes sociais não é construtivo, cria fricções completamente desnecessárias e apenas serve aos interesses daqueles que porventura não desejam promover as boas relações entre o Brasil e China”, diz uma parte do texto, revelado inicialmente pela CNN Brasil.

9 thoughts on ““Nós precisamos da China e a China precisa muito mais de nós”, diz Bolsonaro ao negar crise diplomática

  1. E o filhinho precisa do Papai. Esse será o Ronaldinho do entretenimento:

    “Como funciona a empresa de Renan Bolsonaro, filho do presidente.

    A Bolsonaro Jr Eventos e Mídia nasceu com capital social de 105 000 reais.

    […]

    Conforme VEJA revelou, Renan solicitou ao gabinete da presidência da República uma audiência para tratar de interesses comerciais de um de seus patrocinadores do Espírito Santo. O pedido foi encaminhado por um assessor especial de Jair Bolsonaro ao ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, que recebeu, fora da agenda, o Zero Quatro e um empresário capixaba. Procurada, a pasta confirmou que apenas atendeu a uma solicitação do Palácio do Planalto.”
    https://veja.abril.com.br/brasil/como-funciona-a-empresa-de-renan-bolsonaro-filho-do-presidente/

    • “Neste ano, o Brasil vendeu grandes volumes de soja para a China, maior importadora global da oleaginosa, o que fez com que sobrasse pouco para o consumo doméstico. A situação resultou em um valor recorde em reais da matéria-prima para a ração, ajudando a impulsionar a inflação dos alimentos no país”.

      Fonte: https://www.brasil247.com/economia/um-dos-maiores-produtores-do-mundo-brasil-importa-soja-dos-estados-unidos

      Anotem isso: haverá o momento em que faltarão os ingredientes, para uma feijoada, um churrasco ou um frango com quiabo (mas “estaremos” exportando para a China – nosso grande importador – e trazendo divisas para o país; venderemos nossos carros para comprar gasolina, pois não conseguiremos abastecê-los)

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