Notável a coerência de Paulo Maluf e Sergio Cabral, apoiando publicamente Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha. Absolutismo, Nihilismo, Anarquia.

Helio Fernandes

Lutfalla Maluf quase não vem ao Rio. Como está proibido de sair do Brasil, também não sai de São Paulo. Abriu exceção para vir apoiar o amigo do Rio Grande do Norte. Afogado em acusações que não pode negar ou responder, o deputado de 10 mandatos procura ou apela para todos os lados.

O deputado de São Paulo concordou em elegê-lo e afirmou aos jornalistas: “Eu e meu partido não temos nenhum constrangimento em apoiar um candidato envolvido (textual) em recentes denúncias”. Está certíssimo o famoso personagem. Participou do almoço, voltou a São Paulo, chegou lá, já estava intimado a pagar 58 milhões (dele da família) que “usufruiu” dos cidadãos.

Sergio Cabral disse a mesma coisa em relação a Eduardo Cunha. Brigadíssimos há tempos, voltaram a ficar “irmanados” por causa do intimíssimo Cavendish. A empresa e o próprio Cabral foram retirados da CPI-Pizza pelo trabalho incessante, insistente, exaustivo do lobista-chefe.

O governador Cabral, pensando (?) no futuro, pagou uma parte com essa afirmação no almoço: “Respeito muito Eduardo Cunha, ele é o meu candidato à liderança do PMDB na Câmara”.

Para terminar por hoje, só por hoje. Faltam 10 dias para a eleição, muita coisa pode acontecer, menos a ressurreição da ética e da moralidade. Henrique Eduardo Alves foi recebido por Alckmin no Palácio dos Bandeirantes. No auge da impopularidade, seria melhor o governador ficar contra.

Alckmin não é desonesto em matéria de dinheiro. Sua colossal incompetência é desonestíssima para a população. Anestesista de formação e profissão (não exercida), Alckmin deixa a população de São Paulo desacordada e, pior ainda, assassinada sem o menor socorro.

9 DE JULHO DE 1932

Armando Moraes Delamanto, excelente tua argumentação-contestação a respeito do que escrevi sobre o assunto. Só não gostei na dúvida se eu aceitaria a tua intervenção. Dezenas de vezes já deixei claro que qualquer divergência em relação ao que escrevo, é muito bem recebida. Eu sei que havia compromissos de outros estados, mas no final São Paulo ficou sozinho.

Não me estendi mais, era uma síntese, na verdade queria deixar bem claro a omissão do documentário do Canal 113 da NET. É evidente que existem várias versões. Alguns historiadores chegam a defender que “a História é construída com versões e não com fatos”. Não no meu caso. Tudo que citei é rigorosamente verdadeiro, embora como sempre, recorrendo à memória.

O que não coloca restrição, de forma alguma, às tuas citações. Entre o que deixei de fora: a burrice de São Paulo e mais tarde do próprio Vargas, de queimar e jogar no mar as sacas de café. Chegamos a produzir 60 milhões de sacas por ano. Com essa burrice, estimulamos a produção da Colômbia, Costa do Marfim, até do Vietnã.

Abraços e pode mandar o livro pelo Carlos Newton, gostaria muito de lê-lo.

A QUASE FALÊNCIA DA BOEING

A empresa lançou o 787 com o slogan desperdiçado: “O avião dos sonhos”. Em menos de 2 anos passou a ser “o avião do pesadelo”. Como tem 50 caríssimos 787, que não podem mais viajar (exatamente como Maluf), entraram em pânico, precisam de socorro. De quem? E quem viajará nesses 787?

26 encomendas que já estavam escalonadas e incorporados aos departamentos, foram canceladas.

WALMOR CHAGAS

Fulgurante no teatro, no cinema, na televisão, na própria e extraordinária vida. Ninguém esperava que terminasse assim, como dizia minha sábia avó, “estava destinado”. Foi surpresa e tristeza. De todas as personalidades públicas (e não políticas) que foram embora em 2012 e neste início de 2013, Walmor é o único que deixa incerteza, perplexidade, um assombro não imaginado.

Há algum tempo, Walmor havia se isolado na chácara do Guaratinguetá, só saindo de lá para trabalhar, o que aconteceu a última vez em agosto do ano passado. Não há testemunho ou testemunha do seu tempo na chácara, não tinha nem televisão.

Guaratinguetá volta ao noticiário nacional pela segunda vez. Em 1914, Rodrigues Alves, ex-presidente da República, comprou uma chácara lá, se isolou. Em 1918, muito doente, não conseguiu resistir à imposição do Partido Republicano, foi candidato a presidente e eleito pela segunda vez.

Só não conseguiu tomar posse, nem campanha fez. Não morreu logo, o cargo ficou com o vice Delfim Moreira, que também muito doente, só assinava papeis. Afrânio de Mello Franco governou 11 meses, o que se chama, na História, “a regência Mello Franco”. Rodrigues Alves morreu no início de 1919. No fim do mesmo ano, Epitácio Pessoa, que estava em Paris, “derrotou” Rui Barbosa. Numa eleição fraudada e falsificada.

O EMPRESÁRIO EDUARDO ALVES

Eu disse que surgiriam mais acusações sobre os três potentados que dominariam o Congresso. Elementar. E a Folha mostra foto da casa do deputado, enorme, mas onde não mora. É possessão da ex-mulher, que denunciou que ele tem em paraísos fiscais, 15 milhões de dólares, de dólares, 30 milhões de reais. E novas propriedades, que “dobraram seu patrimônio”.

Ele garante: “Ganhei como empresário”. Há!Há!Há! Quem montou jornal, rádio e televisão, com a ajuda de Carlos Lacerda, foi o pai, Aluizio, quando governador. “Tenho 8,8% da televisão, ações do jornal Tribuna (emprestado por Lacerda) do Norte, e uma rádio sem audiência”. Quando Aluizio morreu, a família se dividiu inteiramente, a “herança” foi repartida depois de muito tempo, não vale nada.

Esse é o empresário que será presidente da Câmara.

O 9 DE JULHO DE 32 E LUIZ CARLOS PRESTES

Desculpe, Almério Nunes, mas Prestes não tem nada a ver com isso. Em março de 1932 lançou o Manifesto do Partido Comunista, viajou para a União Soviética, só voltou em 1935 para fazer o que chamaram de “Intentona” comunista. Minha admiração pelo Cavaleiro da Esperança vem de longe, já escrevi muito sobre ele, e sobre seu desprendimento. Mas a “Coluna Prestes” existiu de 1924 a 1926, e não tinha nada a ver com a tomada do Poder.

Eles mesmos estabeleceram: assim que Artur Bernardes deixasse o Poder, em 1926, iriam se exilando nos países que estivessem mais perto, o que aconteceu. Foi um movimento altamente popular, mantido pelo povo, que providenciava tudo que precisavam, roupas, cavalos, alimentação. Depois, entrou na História.

Você só acertou na contagem da quilometragem que a “Coluna” percorreu. Mas a interpretação não corresponde, e a comparação das datas, assombrosamente “descoincidente”. Se quisessem abalar ou tomar o Poder, teriam marchado para o Sul e não para o Norte, como fizeram.

Eram exclusivamente contra Artur Bernardes, um tremendo equívoco. Já como governador de Minas, Bernardes demonstrou todo o seu patriotismo (que se chamava luta antitruste), arruinando a Hanna e as outras multinacionais de minério. Luta que continuou como presidente.

ABSOLUTISMO, NIHILISMO, ANARQUISMO

Sabiamente, Paulo Sólon deixou de lado golpes e contragolpes da República sem republicanos, deu aula de assunto que conhece em profundidade e competência: o Absolutismo. Nenhum de nós viverá num regime como o defendido por Sólon, acho que nem mesmo depois de nós, não sei de quanto tempo estamos falando ou imaginando.

Já tratei com o próprio Sólon do Nihilismo. Cuidemos rapidamente do regime filosoficamente mais perfeito, ideologicamente sem falha, inviável na prática, que é o ANARQUISMO. A desmoralização da palavra anarquia arruinou também a idéia. Além do mais, o “governo sem governo”, o cidadão cuidando de tudo que volta ou é do seu instinto de sobrevivência, desapareceria no momento exato da vitória: como se instalar?

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