Novas maneiras de votar podem aprimorar as regras da democracia

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Charge do Cabalau (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Experimentos nos Estados Unidos procuram encontrar uma maneira de fazer com que o voto de cada cidadão represente realmente sua escolha, procurando mitigar a influência do dinheiro ou de promessas populistas na definição de seu representante. O voto quadrático (quadratic vote) procura dar ao eleitor a condição de exprimir a intensidade da sua preferência, que o levou a votar neste e não naquele candidato ou proposta.

Baseado em princípios do mercado, cada eleitor recebe um determinado número de “créditos” que deve utilizar para influenciar a aprovação ou desaprovação de determinada decisão. Se quiser aumentar seu poder de influência, o eleitor pode “comprar” votos adicionais.

REGRAS DEFINIDAS – O “preço” de cada voto adicional será determinado por regras definidas pela autoridade eleitoral, e aumenta à medida que o eleitor “compre” mais votos. O eleitor pode carregar todo o seu crédito em um candidato ou assunto, mas terá reduzida sua influência por critérios matemáticos que utilizam a raiz quadrada, daí o nome de “voto quadrático”. A ideia é reduzir a possibilidade de que uma minoria se imponha artificialmente.

Um eleitor que seja militante a favor do casamento gay, por exemplo, poderia gastar todo seu estoque de votos a favor, e até mesmo “comprar” mais votos de eleitores que não se importem muito com a questão. O mesmo podendo fazer os que são militantemente contra. Mas cada voto a mais “custa” mais caro.

Sociedade Justa – Com esse sistema, os autores de um livro da Princeton University Press denominado “Mercados radicais: desenraizando o capitalismo e a democracia para uma sociedade justa”, o economista da Microsoft e da Universidade de Yale, Glen Weyl, e o jurista da Universidade de Chicago, Eric Posner, pretendem usar o voto para exprimir o real desejo do eleitor. Mas vão ter que mudar o nome e simplificar o sistema.

Outro tipo de voto que está sendo testado em diversas regiões dos Estados Unidos é o voto ranqueado, (ranked choice voting), quando os eleitores escolhem quantos candidatos quiserem, dando-lhes uma ordem de preferência.

PONTUAÇÃO – Candidatos que conseguem ter uma maior pontuação de primeiras escolhas, mas também aparecem como a segunda escolha dos eleitores, ou terceira, têm melhor atuação, maior chance de se eleger. Se um candidato receber a maioria de votos de primeira escolha, está eleito.

Caso contrário, o candidato com o menor número de primeiras escolhas é descartado, e seus votos redistribuídos. Esse processo continua até que algum candidato tenha a maioria. Em alguns casos o resultado final só sai dias depois da eleição, como aconteceu em São Francisco na escolha do prefeito.

O voto ranqueado pode ser usado tanto para escolher um politico para um cargo majoritário, funcionando como uma seleção da maioria, ou para a escolha de deputados ou vereadores, quando refletirá com mais precisão a representatividade dos escolhidos.

REFERENDO – No Maine, depois de uma luta dos eleitores com políticos, o voto ranqueado foi aprovado recentemente.  Um referendo em 2016 aprovara esse sistema de votação, mas uma minoria de republicanos conseguiu barrar a implementação. Os cidadãos recolheram então assinaturas suficientes para aprovar um “veto popular”, que manteve o ranqueamento na eleição deste ano e colocou em plebiscito a continuação do sistema, que foi aprovado novamente. 

Os defensores do voto ranqueado acham que ele muda as campanhas e a própria eleição em várias medidas, como incentivar a alternância de poder. Um balanço de eleições sob esse sistema mostra que a alternância aumentou em cerca de 10%. Os eleitores também têm menos estímulos para não votar, pois podem dar sua primeira escolha para seu candidato, mesmo que ele tenha poucas chance de ganhar, mas colocar os demais votos estrategicamente para barrar um candidato ou fazer com que sua segunda escolha saia beneficiada.

CAMPANHA NEGATIVA – Outra vantagem seria desencorajar a campanha negativa, pois os candidatos pretendem ter o segundo ou terceiro votos do eleitor, a exemplo do que fazem os políticos brasileiros para conseguir apoio para o segundo turno.

O voto ranqueado, segundo seus adeptos, promove o apoio da maioria, dá ao eleitor uma maior variedade de opções. Várias cidades dos Estados Unidos, como Minneapolis, São Francisco, Santa Fé já estão adotando o ranqueamento, que permite que os eleitores, em vez de votar contra alguém, possam votar naqueles que realmente refletem seu desejo, acabando com o voto útil, quando se escolhe o “mal menor”, como estamos caminhando nesta eleição.

9 thoughts on “Novas maneiras de votar podem aprimorar as regras da democracia

  1. Todo esse blá-blá-blá é o medo de Trump nos EUA e de Bolsonaro aqui no Brasil.

    Como a mídia perdeu a credibilidade e não conseguem mais enganar o povo e deter o avanço dos conservadores, vão agora tentar formas sofisticadas de fraudar a vontade popular nas eleições.

  2. Podem acusar os norte-americanos de tudo, mas ninguém pode negar que na plutocracia putrefata dele$, com jeitão de cleptocracia e ares de bandidocracia, tipo exportação, copiada mal e porcamente pelo Brasil, p. ex., pelo menos eles deixaram válvulas de escape do tipo voto facultativo e candidaturas avulsas. Até por isso, no Brasil a tecla dos sonhos da maioria consciente nas urnas eletrônicas é “vão à merda “. Daí vem o Merval, na contramão da evolução, com mais esse besteirol. Pô, da licença, né ? Sofisticar ainda mais, burocratizar ainda mais, mistificar ainda mais, o que já é desastroso, é tornar ainda pior o que já é muito ruim, é caminhar na contramão da solução que repousa na simplicidade. Prefiro a Democracia Direta com Meritocracia Eleitoral, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, para o Brasil e o mundo, o novo caminho de verdade.

  3. Por que não o copo cheio ? Por que não o enterro do $istema político podre, por inteiro, direita, esquerda e centro, e bem como da república 171 dos me$mo$, fardados e à paisana, com prazo de validade vencido há muito tempo ?

  4. PT , PSL , PSDB , MDB , DEM e todos demais embustes que chamamos de governo , não passam de subservientes , capitães do mato culundriados com intuito de dilapidar a colônia , extorquir seus colonizados em benesses à senhores feudais . Seja qual for o eleito , seu primeiro ato será ; Se dirigir à casa grande , ajoelhar – se perante seu senhor e asseverar sua subserviência .

  5. PALHACADA! Justo por quem! O Poeta!
    Voce postou seu poema acima várias vezes, em todos os posts, em menos de 30 minutos

    ♪♫♪♫
    O jorge pirou de vez
    É o que a esquerda lhe fez
    Foi mortadela demais!
    Mas não olhem, pro bem de vocês!
    Descem “sete”, todo dia,
    É barro que nao acaba mais!
    Em BOZONALDO vai votar
    Vai votar,vai votar
    É barro que nao acaba mais!
    Em BOLSONARO VAI VOTAR
    ♪♫♪♫

    EEÉÉCA!!!!!!

  6. Acho que é necessário explicar essas urnas picaretas.
    01) Só no Brasil essas urnas eletrônicas vigaristas são usadas. Em outros países são usadas urnas de segunda ou terceira geração COM IMPRESSÃO DO VOTO).
    02) Em país decente, a eleição é garantida porque o maior risco é na hora de votar. Não há risco institucional porque há pesos e contrapesos na apuração.
    03) No Brasil há risco na apuração porque UM ÚNICO órgão administra, controla, fiscaliza, julga os problemas que ele mesmo causa e que impediu que leis fossem aplicadas (como a impressão do voto, lei impedida de ser aplicada não por ser inconstitucional, mas por ser inconveniente, mas conveniência e oportunidade não seria atribuição do Executivo?)
    Seria a mesma coisa se fossem votos impressos que fossem apurados a portas fechadas. Com a implantação das urnas eletrônicos o TSE SE ARROGOU O DIREITO INDEVIDO DE APURAR A ELEIÇÃO EM SALA FECHADA.
    Virgílio, isso pode ser mimimi na sua opinião, mas a garantia da segurança nas eleições é assunto sério. Acredito que isso deveria ser objeto de um debate mais sério e profundo.
    Concluo dizendo que os que estão satisfeitos com a fraude se for para tirar Bolsonaro podem se arrepender no futuro. Liberdade é um valor muito frágil e fácil de se perder.

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