Novela da Comissão da Verdade se arrasta e não tem prazo para terminar

Carlos Newton

A preocupação em punir os militares do longínquo 1964 realmente não podia dar certo, porque nesse particular a diferença entre o primeiro ministro dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e seus sucessores, Paulo Vannuchi e Maria do Rosário, é realmente abissal.

Nilmário Miranda é um dos mais respeitados intelectuais do PT, graduado em Jornalismo e Ciência Política. Ao contrário do que aconteceu com Vannuchi e agora acontece com Maria do Rosário, jamais partiu de Miranda algum projeto revanchista ou alguma declaração indevida ou inadequada, que colocasse o governo em má situação. É um político conciliador e equilibrado, duas grandes qualidades, que certamente explicam por que está alijado do atual governo. 

Agora, a presidente Dilma Rousseff está diante do impasse da Comissão da Verdade, um projeto de Vannuchi, criado para revolver os crimes do regime militar, mas desconhecendo os crimes da luta armada. E a presidente Dilma está hesitante no que se refere à nomeação dos sete comissários, segundo informação oriunda do próprio Planalto.

A comissão, ainda não instalada, foi criada no final de 2011 pela presidente Dilma Rousseff para apurar violações aos direitos humanos cometidas por agentes do Estado entre 1946 e 1988.

Segundo a jornalista Vera Magalhães, editora do “Painel”, principal coluna política da Folha, uma preocupação ajuda a explicar a demora de Dilma Rousseff para nomear os membros da Comissão da Verdade. A presidente tem dito que o grupo não é “como um ministério”, em que você pode trocar os ocupantes caso apareçam restrições ou denúncias.

Ainda segundo a colunista, Dilma Rousseff  “não quer ex-presos políticos nem militares no grupo, para que não se transforme num palco para ajustes de contas.

Era só o que faltava. Como a presidente poderá evitar que a comissão de transforme em ajuste de contas, se foi criada para tal, e a ministra Maria do Rosário já deu até declarações garantindo que os torturadores serão punidos?

Seria conveniente que o governo se entendesse internamente, diante de assunto de tamanha gravidade, especialmente porque a Lei de Anistia continua em vigor, inclusive confirmada pelo Supremo.

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