Novo coordenador da Greenfield diz que declaração de que não queria “trabalhar muito” era ironia

Celso passou a ser alvo de críticas dentro do MPF após “ironia”

Aguirre Talento
O Globo

Nomeado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para ser o novo coordenador da Operação Greenfield, que investiga desvios bilionários em fundos de pensão estatais, o procurador Celso Tres passou a ser alvo de críticas dentro do Ministério Público Federal após ter enviado um ofício à PGR no qual afirmou que não desejava “trabalhar muito”, sugeriu que o caso ficasse apenas com a Polícia Federal e que seja adotado um sistema automatizado para a assinatura de acordos de não persecução penal com os alvos, sem dar prosseguimento às investigações.

O ofício foi revelado no sábado pelo O Globo. Em entrevista concedida por e-mail, o procurador afirmou que estava sendo irônico ao falar sobre não trabalhar muito e disse que jamais atuaria para enterrar a Greenfield. “Como disse, sempre fui reconhecido por trabalhar muito e seriamente, não serviria para emperrar qualquer investigação”, afirmou.

AUXILIAR – Celso Tres afirmou que se inscreveu no edital para colaborar com a Operação Greenfield com a intenção de ser apenas mais um auxiliar, mas que não esperava ter que assumir totalmente o caso. “Eu próprio nunca quis assumir nada; apenas me inscrevi para auxiliar, supondo fosse eu um entre dezenas, jamais o designado”, disse.

Afirma que avisou à PGR que seria atacado por causa de suas declarações críticas à Lava-Jato, feitas no passado, mas que acabou aceitando o encargo. Questionado se a gestão do atual procurador-geral da República Augusto Aras teria dado pouca estrutura e poucas condições para a força-tarefa, Celso Tres evitou criticar Aras e apenas defendeu que fosse mantida a atual estrutura.

Leia abaixo a entrevista:

A PGR, quando decidiu designá-lo como o novo procurador natural, devido ao fato de que ninguém mais se inscreveu no edital, consultou o senhor sobre essa designação e esclareceu sobre o volume de trabalho que o senhor teria que assumir?
Não há inscrição para Coordenador da FT. Fiz extenso e-mail (tem registro) ao Vice-PGR explicitando porque eu não deveria ser o designado. Dentre outras razões, porque critiquei a Lava-Jato e, sabido que o PGR Aras é imputado de ser contra a operação, fatalmente a gestão seria – como foi! – atacada. Deveras, acabei aceitando o encargo por absoluta falta de outros. Veja que no ofício digo que será necessário rodar a função; sabia-se do tamanho das investigações, por isso mesmo na portaria do PGR está apontado a declinação, ou seja, redução da apuração.

Foram designados, por 60 dias, pela portaria do PGR, sete procuradores da Força-Tarefa para auxiliá-lo no início desses trabalhos. A PGR deu alguma margem para que essa Força-Tarefa ganhasse mais estrutura e fosse prorrogada novamente após esse período?
Será prorrogada e serão abertas novas inscrições (digo isso no ofício). Estrutura, nenhuma. Teremos que reivindicar.

A saída do procurador natural ocorreu após as várias demandas feitas à PGR por mais estrutura terem sido ignoradas e após uma diminuição dos membros da Força-Tarefa e a retirada do regime de exclusividade desses membros. Ao constatar o tamanho do acervo, uma das suas demandas à PGR foi justamente um reforço na equipe. O senhor considera que o procurador-geral da República Augusto Aras não deu o apoio adequado para que a Força-Tarefa Greenfield tenha prosseguimento em suas investigações?
Seria melhor manter a estrutura e exigir que ela se restringisse ao seu núcleo (fundos de pensão), fazendo as declinações que referi, de forma que tivesse um prazo de término. FT com mais de dois anos já exaure, esta tem 4 anos.

No ofício, o senhor sugere que as investigações sejam remetidas totalmente à Polícia Federal, inclusive na celebração de Acordos de Não Persecução Penal. Isso não seria um esvaziamento da atribuição do Ministério Público Federal no caso?
Já está consagrado que PF pode fazer delações– digo no ofício. A delação é maior que ANPP, aplica-se a qualquer delito. ANPP, não; limita-se a pena mínima de 4 anos. Princípio de direito que quem pode o mais, pode o menos. Mas veja que eu não proponho a delegação, digo que as condições sejam fixadas na requisição de inquérito, também o MPF podendo participar da audiência policial (videoconferência). Em Novo Hamburgo, criamos e-mail próprio de ANPP, de modo que toda negociação fica neste canal com total transparência, eis que registrado.

Qual o sentido da sua declaração, no ofício, no parágrafo que se inicia por “Não estou aqui para trabalhar muito”. Isso seria uma justificativa para que o caso fique na Polícia Federal?
Ironias não são recomendáveis (risos). Explico: como jornalista, sempre que você perguntar a alguém do meu meio (juiz, desembargador, procurador, delegado) sobre o trabalho, invariavelmente dirão que estão assoberbados, ‘matando-se’ de tanto labor. Eu sempre ironizo isto, digo que trabalho duro mesmo é quem precisa ganhar pela manhã para comer à noite. Melhor que não tivesse escrito isto.

Os PICs da Operação Greenfield ficarão totalmente paralisados até que se defina a estrutura e os rumos da Força-Tarefa? Pode haver algum prejuízo às investigações por causa dessa demora?
Algum prejuízo haverá, mas agora o mais importante é fazer declinação e buscar força de trabalho.

Queria reiterar a questão que fiz anteriormente. A PGR reduziu o regime de exclusividade dos membros da FT Greenfield nos últimos meses, o que foi gerando um esvaziamento da força-tarefa e acabou resultando na saída do procurador natural. Ao assumir, o senhor parece constatar que a estrutura dada pela PGR de fato é inadequada. Falta comprometimento à gestão da PGR com uma investigação de tamanha importância?
Como disse, a estratégia poderia ter sido outra: reduzir o tamanho, dividindo as apurações, dando prazo para encerramento. Certo mesmo é que se eu verificar que não teremos condições de levar adiante a apuração, serei o primeiro a pedir afastamento. Como disse, sempre fui reconhecido por trabalhar muito e seriamente, não serviria para emperrar qualquer investigação.

7 thoughts on “Novo coordenador da Greenfield diz que declaração de que não queria “trabalhar muito” era ironia

  1. Temos que trabalhar 23 anos, sim, está dívida, foi dividida para pagamentos, durante 23 anos. Nós funcionários dos Correios e que temos que pagar o rombo. E este senhor, diz que não quer trabalhar tanto.

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