Novo ministro das Cidades usava verba da Câmara para pagar notícias favoráveis a ele.

Carlos Newton

O novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP), usou parte da sua verba de gabinete como deputado para comprar reportagens favoráveis a ele produzidas por dois sites de notícias do seu Estado, a Paraíba, informa reportagem de Silvio Navarro, publicada na Folha.

Ex-líder do PP na Câmara até segunda-feira passada, Ribeiro repassou R$ 1.500 mensais, de setembro a janeiro, ao site “PB Agora”. Os valores foram reembolsados por meio de uma das rubricas da cota parlamentar, denominada “divulgação do mandato”.

Ribeiro limitou-se a afirmar, por meio de sua assessoria, que os sites “foram responsáveis pela divulgação da atuação parlamentar, inclusive de seus projetos na Câmara”.

O diretor do “PB Agora”, Fábio Targino, disse à Folha que seu site prestou serviço para o deputado “na divulgação das ações parlamentares” e que ele está “devidamente comprovado com notas fiscais”.

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COMEÇOU MUITO MAL

O novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, começa muito mal sua gestão. Já se sabe que ele é realmente sócio do dono de uma imobiliária que negocia imóveis do programa “Minha Casa, Minha Vida” em João Pessoa. E o ministério das Cidades é justamente a pasta responsável pela execução do programa, principal bandeira do governo na área da habitação popular.

A Araújo Imobiliária, que pertence a Diógenes Araújo Lins, com Aguinaldo Ribeiro, tem atuação na capital paraibana desde os anos 80. E será que o tal Diógenes é apenas um “laranja”? Afinal, a empresa fica num terreno aos fundos do escritório político de Aguinaldo Ribeiro, vejam só que coincidência.

O pior é que Ribeiro ocultou da Justiça Eleitoral nas últimas eleições o fato de ser dono de quatro empresas, e depois mentiu ao tomar posse no ministério, quando afirmou que a omissão do fato de ser sócio de várias empresas, em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, não passava de “factoídes”, alegando que havia declarado tudo à Receita Federal.

Por falta de ética, Ribeiro deveria ser cassado devido a esse ato de flagrante desrespeito à legislação eleitoral, porque o motivo é óbvio – as informações à Justiça Eleitoral são públicas, qualquer pessoa pode acessar, enquanto as informações à Receita Federal são sigilosas, só acessáveis mediante autorização judicial.

Reportagem de Gabriel Mascarenhas e Guilherme Amado, no Correio Braziliense, já havia mostrado que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o Ministério das Cidades, aumentou seu patrimônio em mais de duas vezes e meia entre 2006, quando era deputado estadual na Paraíba, e 2010, ano em que foi eleito para o primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

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