Novo ministro defendia a cassação de Temer, mas de repente mudou de ideia

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Jardim imita FHC: “Esqueçam tudo o que escrevi”

Renan Truffi
Estadão

Se dependesse do entendimento do novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, o presidente Michel Temer teria o diploma cassado com a ex-presidente Dilma Rousseff, caso os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidam pela condenação da chapa no julgamento marcado para o próximo dia 6 de junho. Escolhido para o posto neste domingo, 28, — a menos de dez dias da Corte analisar o caso — o jurista já defendeu, em artigo de opinião, tese contrária à linha de defesa do presidente no tribunal.

No texto, escrito por Jardim e publicado no site de seu escritório de advocacia, em 8 de julho de 2015, o jurista argumenta que “desconstituído o diploma da presidente Dilma, cassado estará o do vice Michel, visto que a eleição do vice é mera decorrência da eleição do titular”.

SEPARAÇÃO DAS CONTAS – Os advogados do presidente Temer defendem a separação das contas entre PT e PMDB na ação que julga abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014.

Jardim era ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União desde junho de 2016. Ele foi anunciado para o Ministério da Justiça neste domingo, 28, e vai assumir o lugar de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que deve ficar com a Transparência.

O novo ministro é um respeitado jurista e professor de Direito Constitucional, com atuação em Brasília. Jardim também foi ministro do próprio TSE, entre 1988 e 1996.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente reportagem de Renan Truffi, demonstrando que recordar é viver. No texto, há apenas um involuntário equívoco, ao dizer que o novo ministro é um respeitado jurista. Na verdade, Torquato Jardim foi um respeitado jurista, agora não é mais. Mostrou que não tem dignidade e seu caráter é flexível, pois sua opinião jurídica pode variar ao sabor dos acontecimentos. Ficou claro que, para desfrutar dos holofotes do poder, Torquato Jardim não se importa em jogar no lixo sua opinião jurídica, sem perceber que a biografia segue para o mesmo destino. O novo ministro imita FHC e só falta dizer “esqueçam tudo o que escrevi”.  É muito triste constatar esta realidade. Torquato Jardim era um ministro técnico, agora mostra ter se transformado num ministro político – e da pior qualidade, pois defende publicamente teses nas quais não acredita. (C.N.)

12 thoughts on “Novo ministro defendia a cassação de Temer, mas de repente mudou de ideia

  1. Do intrincado e complexo jogo do poder não escapa ninguém que seja “renomado”.
    Com a Lava jato cheguei à seguinte conclusão: quanto mais “renomado” mais comprometido com a teia dos podres poderes. É interessante como conhecimento se dissocia da ética e da humanidade quando está em jogo a necessidade de alimentar o próprio ego. Políticos se aferram ao poder sem qualquer pudor, sacrificam uma nação, defendem interesses individuais, mentem, corrompem…Há uma racionalidade perversa, narcisista, egóica. A auto-preservação cede lugar à auto-destruição. Não compreendem que não há humanidade sem ética!
    O poder é fascinante para seres pouco desenvolvidos culturalmente mesmo sendo estes “muito inteligentes” oficialmente.
    Este contexto lembra o filme “Advogado do diabo”, com Al Pacino. A mensagem final do endiabrado sedutor de “egocêntricos juristas” é clara e objetiva: “a vaidade é definitivamente, o meu pecado favorito”.

  2. Este ministério da transparência tem o nome adequado para abrigar certos políticos.
    Este Torquato Jardim quando precisou ficar invisível, foi para a transparência. Agora o Serraglio,
    que não fedeu e também não cheirou no MJ, e não podendo voltar a câmara para não deixar desamparado o valete do Temer, vai também para a transparência política.
    Ficará em local incerto e não sabido, mas invisível aos olhos da lava jato.

  3. Ainda na linha do recordar é viver:

    Em 25/05/2016, ficamos sabendo pela Folha que…

    Antes de votação no senado que afastou Dilma, um emissário de Temer, o agora ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB) esteve com representantes da Lava Jato, os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, e selaram um “acordo de procedimento” que não colocasse em risco as investigações: manter Rosalvo Franco no cargo de superintendente da Polícia Federal no Paraná.

    Na mesma noite, o assessor levou o pleito a Temer, que aceitou o pedido.

    https://goo.gl/77dziG

    Será que agora com Cláudia Cruz inocentada Temer ainda vai garantir o acordo com a lava jato de Curitiba para não trincar o grande pacto Jucá “Com o Supremo, com tudo” ?

  4. Ministério da Transparência? Temos que fundar o Ministério dos Opacos, aquele que a gente olha para lá e vê. Neste da Transparência (sic), tudo translúcido, a gente espia e não vê absolutamente nada…, os cabras metendo a mão no da viúva e ninguém vê, exato porque tudo transparente… Assim em novel ministro, transparentíssimo, você olha para frente, ele já está lá atrás; vira de costas, ele mudou-se para frente. Você só sente a bordoada. Tem jeito mais não.

    • Antonio
      Muito boa idéia.
      A presidência, os ministérios, câmara federal e senado, tudo vira “numa zona”!
      E o povo, ou boa parcela dele, clientes ternos e famintos de uma “bagunça”, só falta o líder do meio e profissional da coisa.
      Fallavena

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