Novo partido de Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil, está correndo contra o tempo

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Bolsonaristas utilizam o mesmo slogan de Trump no partido

Ingrid Soares e Rodolfo Costa
Correio Braziliense

Passadas as festividades de fim de ano, o Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro pretende criar, retoma os esforços para a coleta de assinaturas físicas de apoiadores. Contando com o apoio de igrejas e entidades empresariais, os integrantes da futura agremiação já reuniram mais de 110 mil rubricas, mas precisam alcançar exatos 492.015 apoios para ganhar o registro na Justiça Eleitoral, a tempo de participar das eleições municipais de outubro. Membros da comissão executiva provisória e deputados federais do PSL que almejam migrar para a nova sigla pretendem acelerar a busca por apoiadores.

 Para tanto, a ideia é usar estratégias como a instalação de pontos físicos, a mobilização de voluntários para disseminar informações nas redes sociais e o recolhimento de assinaturas em empresas e organizações religiosas.

AS EXIGÊNCIAS – Com as assinaturas recolhidas até o momento, o partido ainda não atingiu um dos pré-requisitos exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A legislação exige o apoio de eleitores responsáveis por, pelo menos, 0,5% dos votos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados — o que perfaz o total de 492 mil. Além disso, é necessário ter o aval de, no mínimo, 0,1% do eleitorado em nove estados.

O critério de 0,5% dos votos ainda falta ser preenchido, mas o de 0,1% do eleitorado em nove estados foi atingido, afirma o secretário-geral da comissão provisória do Aliança, Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE.

“O partido já tem muito mais do que o necessário em nove estados”, destaca. O passo, agora, é atingir as 388 mil assinaturas restantes. “A gente está indo para a rua com pessoas, com pranchetas, para pegar nomes no braço, mesmo. Estamos indo para cima, mas com muito critério, muita calma, sem pressa, para não errar”, sustenta.

DESCENTRALIZAÇÃO – Os organizadores apostam na descentralização para alcançar o objetivo. O presidente Jair Bolsonaro é também o presidente da comissão provisória do Aliança.

Pelas atribuições que exerce como chefe de Estado, mantém a influência e a palavra final nas ações da futura legenda, mas acatou, com a Executiva Nacional, a decisão de dividir as atribuições pela coleta de assinaturas nos estados, com a ajuda de deputados federais dissidentes do PSL.

“Estamos nos dirigindo aos locais onde o Aliança está se constituindo fisicamente para obter a adesão. Nem com quantidade nem pressa, a gente quer qualidade”, ressalta Gonzaga.

MAIS ASSINATURAS – O secretário-geral da comissão provisória admite que os feriados do fim de ano atrapalharam um pouco, mas os trabalhos foram retomados. As ações de recolhimento das assinaturas são feitas por pessoas da confiança da Executiva Nacional.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a coordenação está sob o comando do deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ). Em Brasília, a responsável é a deputada Bia Kicis (PSL-DF). Em Goiás, a missão está a cargo do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara. No Rio Grande do Sul, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) conduz o processo. Em Minas Gerais, a deputada Alê Silva (PSL-MG) exerce um papel de liderança, mas divide a função com outras pessoas.

“Estamos trabalhando com muitos voluntários. Estou focada em regiões como o Vale do Aço, o Vale do Rio Doce e a Zona da Mata. Dividimos o estado, e cada deputado abraça uma região. O boca a boca garante cada vez mais apoiamentos”, destaca.

REDES SOCIAIS – A estratégia, destaca Alê, inclui o trabalho nas redes sociais. “Mesmo no fim de 2019, obtivemos muitos seguidores e apoiadores em pouco tempo. Já temos mais de 100 mil assinaturas, e a expectativa é de que elas sejam revertidas em fichas de cadastramento. Acompanhamos uma grande mobilização de pessoas indo aos cartórios em São Paulo. As fichas não param de chegar”, afirma.

Em alguns estados, o apoio vem das igrejas evangélicas locais, que se disponibilizaram a auxiliar na coleta de assinaturas. “Até abril, teremos a quantidade necessária”, diz Bibo Nunes. Em Brasília, Bia Kicis afirma que tem o apoio da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF). “Estamos concentrando mais em pessoas que conseguem coordenar grandes grupos de pessoas em vez de focar em assinaturas individualizadas, e trabalhamos com grupos de mobilização. O DF é um dos locais que estão na ponta desse processo”, comemora.

SALAS COMERCIAIS – Além do auxílio de igrejas e empresas, o Aliança também recebe aluguel de salas comerciais como doação. São os pontos físicos onde os apoiadores poderão assinar as fichas. Em Brasília, esse espaço será montado no Conic ainda em janeiro.

“É trabalho totalmente voluntário. As pessoas nos procuram e pedem para ajudar. Então, cada um faz o que pode, tudo privado, não aceitamos dinheiro público. Vamos abrir as portas nos próximos dias e começar a fazer os registros e conferências no cartório eleitoral”, diz Bia Kicis.

O presidente Jair Bolsonaro está otimista em relação à fundação do Aliança. “Se eu estiver bem em 2022, dá para a gente fazer uma bancada com uns 100 deputados”, disse ele, em uma live na semana passada. Segundo Bolsonaro, uma vez formado o partido, a ideia é designar um ‘comandante’ em cada estado com a devida orientação de como proceder na região.

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