Novos impostos e tarifas vão ter que refletir na inflação

Pedro do Coutto

Num café da manhã com jornalistas, o ministro Joaquim Levy revelou que nos próximos dias o governo deve anunciar aumento de alguns impostos e reajustes de tarifas. Reportagem de Sônia Fernandes e Valdo Cruz, Folha de São Paulo de quarta-feira 14, focalizou amplamente o tema com as declarações do titular da Fazenda.

Acrescentou, no caso das distribuidoras de energia elétrica, que não haverá injeção de recursos do Tesouro. Esse custo será bancado pelos consumidores, modo mais lógico do que pelos contribuintes. Entende-se a diferença assinalada: a revisão incidirá mais sobre o consumo do que sobre o sistema tributário. Compreende-se a opção proposta, porém tem que se levar em conta que consumidores e contribuintes se confundem numa só imagem tributária. Pois, está claro, os consumidores, sejam eles individuais ou empresas, no Fundo são também expostos à carga de impostos.

Relativamente à Petrobrás, Joaquim Levy, sustentou que a política de preços dos combustíveis deve seguir uma avaliação empresarial, pois, nos últimos anos, eles foram represados para evitar pressões sobre a inflação. Deixou assim claro, tacitamente, que o não represamento refletirá na fixação dos índices inflacionários. Não que o ministro da Fazenda deixe de ter razão, a lógica está do seu lado, mas sem dúvida o IBGE terá que agir com clareza refletindo com exatidão a realidade decorrente. Pode-se inclusive substituir a expressão taxa inflacionária por aumento do custo de vida. E a indispensável reposição salarial?

A QUESTÃO SALARIAL

É importante esclarecer essa sombra que ficou no ar porque dela depende o mercado de consumo e, portanto, o nível de emprego e, em mais um degrau da sequência, a própria arrecadação de impostos. Uma etapa leva à outra. Não há como evitar.

O enigma que restou, sobre o qual Joaquim Levy não foi perguntado, é como pretende compatibilizar o acerto das contas públicas no plano econômico com a reposição da percentagem inflacionária no plano da remuneração salarial. Trata-se de um ângulo essencialmente sensível, afinal de contas metade da população brasileira inclui-se entre os que vivem (e adquirem) à base dos salários que recebem. Nessa escala incluem-se também os aposentados e pensionistas, tanto os do INSS, quanto dos serviços públicos federais, estaduais e municipais. Se perderem a corrida contra os preços, a diferença entre um lado e outro ocorrerá na diminuição do poder aquisitivo e, portanto, na manutenção do impasse que repetirá, em 2015, o resultado registrado em 2014 no Produto Interno Bruto.

A PERGUNTA QUE FICA

Deixo a pergunta à disposição de todos que desejarem fazê-la, incluindo é claro os repórteres nos futuros cafés da manhã e entrevistas com o titular da Fazenda, na realidade o comandante de política econômico financeira do governo Dilma Rousseff, em seu segundo ciclo de poder e administração. Porque o que não é possível é elevar os encargos de um lado e não registrar os efeitos no campo da inflação oficial. Estou dizendo inflação oficial na certeza de que ela será o espelho luminoso e nítido dos números reais, embora sabendo que eles variam de classes de renda. Os alimentos e transporte pesam mais sobre a grande maioria da população de renda menor.

Sobretudo pelo fato de representarem desembolsos diários, ao contrário de outras despesas cuja incidência é mensal. Falei a respeito de uma pergunta que não foi feita ontem. Espero que venha a ser respondida amanhã. Ou no mais breve que o destino estabelecer.

6 thoughts on “Novos impostos e tarifas vão ter que refletir na inflação

  1. Mais impostos para mais maracutaias. Em 2014 o Tesouro fez aportes ao BNDES de R$ 150 bilhoes , boa parte terminou em empresas amigas. Hoje a Dilma esta querendo que o BNDES socorra com R$ 10 bilhoes a , tao citada na Lava Jato , Sete Brasil. Dentro de sua hipocrisia pseudo moralista ela quer que os estaleiros facam uma CARTA afirmando que nao houve fraude em sua contratacao !!! Quanto cinismo ! O que ela queria , confissoes ??? Mais uma do Gra Circus Petralis !

  2. O índice oficial de inflação continuará a ser apenas um número amestrado pelo IBGE.
    Não reflete nem o que se compra nos mercados, nem o que se vê nos aumentos de transporte ou tarifas ou material de construção ou peças de automóvel ou qualquer coisa que você comprou há um ano atrás.
    Tudo sobe mais do que os 6 e tantos por cento, mas…os cálculos mandraquianos mantém o índice domesticado para gáudio dos economistas do governo.
    É como o índice de desemprego. Ontem mesmo uma empresa de crédito (SCPC) divulgou uma pesquisa que aponta que a maioria dos inadimplentes tem como causa principal estarem desempregados (36%)!
    Mas o país não está em pleno emprego? Estranho….

  3. Não tenho dúvidas que os índices inflacionários serão considerados nos reajustes salariais!
    Sempre foram!
    Há varios índices a serem considerados, além de sempre haver a possibilidade de mudar a fórmula de cálculo de cada um deles conforme verificado outrora, para ajustá-los à “realidade”!
    As centrais sindicais, quando dos dissídios, saberão orientar os trabalhadores a aceitarem o proposto pelos patrões estatais ou privados, considerando o “momento de dificuldade que ora passa a economia”!

  4. Só mentiras desse governo.
    Quem se der ao trabalho de ler os mais recentes discursos da presidente Dilma , verá que as promessas são as mesmas e o não cumprimento de nenhuma delas é o mesmo.Uma montanha de mentiras .A situação, por exemplo, em matéria de educação, é uma imoralidade. Continuamos a ser um modelo inócuo do que existe de pior nessa área vital para o nosso desenvolvimento.

    O ENEM mostra que o ensino de escolas particulares é bem melhor do que o ensino público, sobretudo nas faculdades . Vejamos o que vai nos oferecer, nos próximos quatro anos,o governo petista em matéria de ensino escolar . Os milhões de reais aplicados no setor apenas cumpre uma rotina burocrática , sem nenhum resultado para os estudantes brasileiros. Nesse setor e em quase todos, sua palavra é eleitoreira e cercada de escândalos.
    Pior do que abanar carvão molhado.

  5. Aumento de impostos.
    Deveria haver uma LEI, bem branda:
    1 – Funcionário público que sugerir aumento de impostos para que o Estado como fim em si mesmo não perca suas mordomias, VAI PRESO incontinenti !
    2 – Político que avalizar, perde o mandato !

    Aumentar nossa carga tributária é tão estúpido, que não cabe análise. É simplesmente um caso de cadeia, sem delongas em julgamento ! Ou o tribunal do juri (sociedade brasileira), votará à favor desses bandidos ?

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