Números de Ibope e Datafolha parecem iguais, mas divergem nos detalhes

Ricardo Corrêa
iG Minas Gerais

Depois do fracasso das previsões no primeiro turno, as pesquisas eleitorais estão no alvo das críticas. Por isso, o fato de Ibope e Datafolha terem dado números exatamente idênticos na primeira análise de segundo turno fez com que os responsáveis pelos institutos pudessem respirar aliviados.

Mas se os números são rigorosamente iguais no cômputo geral, mostrando Aécio com 46% dos votos totais e Dilma com 44% deles (51% a 49% nos válidos), as pesquisas deixam de ser iguais quando é feita uma análise mais aprofundada, na divisão por região, idade, ou porte dos municípios, por exemplo. A partir daí, Ibope e Datafolha divergem muito, o que dá ensejo, mais uma vez, às análises de que um dos dois, ou os dois, erraram novamente a previsão.

Os casos mais flagrantes de divergência nos números se dá na análise regional. Enquanto Datafolha aponta uma vitória de Aécio por 55% a 34% no Sudeste, o Ibope diz que o placar seria 48% a 38%. Assim, a vantagem tucana varia de 10 a 21 pontos a depender do instituto.

OUTRA CONTRADIÇÃO NO SUL

No Sul, os números se contrariam ainda mais. No Datafolha, Aécio vence por 50% a 41% dos votos totais. No Ibope, por outro lado, a vitória é por 61% a 33%. Com isso, o tucano teria nove pontos de vantagem em um instituto, e 28 pontos no outro.

No Nordeste, os institutos concordam, dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos nos dois levantamentos. Aécio varia de 31% no Datafolha para 32% no Ibope. Dilma, de 60% no Datafolha para 59% no Ibope. No Norte e no Centro-Oeste a comparação não é possível pois, enquanto o Datafolha separa as duas regiões, o Ibope soma seus percentuais.

Na avaliação por idade, as divergências também aparecem. Entre os eleitores que possuem de 25 a 34 anos, Dilma vence numericamente no Datafolha, por um placar de 47% a 45%, embora empatados na margem de erro. Já no Ibope, o tucano é quem vence: 48% a 42% sobre a petista.

Quando considerado o porte dos municípios, outra divergência nítida. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, Aécio soma 48%, contra 38% de Dilma no Datafolha. No Ibope, o tucano vence por 44% a 42%. A diferença, portanto, varia 10 pontos para apenas dois.

3 thoughts on “Números de Ibope e Datafolha parecem iguais, mas divergem nos detalhes

  1. Tenho para mim que os dois institutos captaram parte da mudança das intenções de voto do eleitorado, dado o período de pesquisa ter abarcado a realização das eleições do primeiro turno.

    Parece ser que as pesquisas, de agora em diante, captarão a acomodação do eleitorado que já migrou, parte em direção ao Senador Aécio Neves e parte à Presidente Dilma.

    É esta nova situação que os novos levantamentos irão revelar logo mais a pós, como indicou o último levantamento do instituto SENSUS.

  2. O fato foi claro: Ibope e Data-Folha erraram feio.
    Deu prá desconfiar.

    Agora os dois dão uma vantagensinha para Aécio.

    Dá prá desconfiar.

    Aécio vem numa subida vertiginosa, enquanto Dilma cai.

    Por essas e outras, se o Sensus não está com muita exatidão, está mais próximo da verdade.

    Isso se o Sensus está sem exatidão. Não podemos deixar de considerar.

  3. Continuo não acreditando nas pesquisas de INTENÇÃO de voto, para as eleições no Brasil.
    São subjetivas demais: suas metodologias ainda não convencem, dado o universo mínimo pesquisado com o real, não mostrando confiabilidade com as mínimas margens de erro dos institutos, que, acreditem, ainda garantem na maior cara-dura, 95% de certeza… patético!
    No meu entendimento um repetido blefe a cada rodada, cabendo duas críticas que parecem ter se consolidado como atrativo eleitoral: a primeira, à indução do voto para o eleitor; a segunda é que é um excelente negócio no jogo das adivinhações. Custam uma nota preta,,,
    Também não esquecer que além dos marqueteiros, a mídia. principalmente, adora fazer e manter esse jogo do me “engana que eu gosto” – de modo a manter expectativas e audiência para seus veículos- principalmente a TV, cujo único mérito é a promoção de debates.
    Posso estar redondamente enganado, mas acho que esse tipo de pesquisa deveria ser banido, das eleições brasileiras.
    Podem e devem estar descaracterizando milhões de votos.
    Isso posto, ainda resta a sinistra urna eletrônica; o que ela têm de rapidinha, têm de safadinha… Para ela criaram um adendo que é a biometria, que foi um fiasco… mas, persistem em negar, até com a benção do STE , o comprovante de voto do eleitor. Recibo que, em primeira e última análise seria a única alternativa de auditagem do voto de cada brasileiro.
    Fiz um jura comigo mesmo: não mais participo de discussões sobre resultados de pesquisas.
    Quanto ao assunto, há controvérsias, é claro…

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