Nunes Maia criou o “Gilmar Pilatos” e a anedota do “vovô, filhinho e netinha”

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Nunes Maia se empolga ao elogiar Gilmar Mendes

Carlos Newton

Foi um julgamento longo e sinistro, que desmoralizou o Judiciário, igualando-o aos outros dois podres poderes que Caetano Veloso mencionou. Mas é preciso reconhecer que também houve grandes momentos de humor, interpretados pelos três mosqueteiros de Temer, que também eram quatro, como na obra-prima de Alexandre Dumas, pai. Esgrimindo argumentos ridículos, eles se comportavam como versões jurídicas do personagem “Rolando Lero”, sem terem medo do ridículo.

Todos se saíram muito bem, podem fazer carreira de humoristas, stand up comedy e tudo o mais, porém nenhum dos mosqueteiros de Temer demonstrou talento comparável ao ministro Napoleão Nunes Maia, que conseguiu emplacar, de uma só tacada, duas poderosas concorrentes ao prêmio de Piada do Ano, estava realmente inspiradíssimo.

GRANDE ANEDOTA – A ânsia de Napoleão Maia para fazer piadas era tamanha que ele nem esperou a hora marcada para sua apresentação. Antes mesmo de votar, pediu um aparte para contar a anedota do vovô, filhinho e netinha, que inventou no ato, vejam a criatividade deste jurista.

Tudo começou durante o julgamento, quando um filho do ministro Maia passou correndo pelo detector de metais e foi barrado pelos seguranças na porta do plenário. Com roupa esportiva, demonstrava nervosismo e segurava um envelope amarelo diante de uma barreira de agentes que se formou para detê-lo. Após a chegada de cinegrafistas e fotógrafos, o intruso foi levado pelos seguranças até uma das saídas de emergência do subsolo da corte eleitoral.

FOTOS DA NETINHA – O incidente despertou curiosidade nacional, amplamente explorado na internet. Por isso, antes mesmo de seu voto, Napoleão Maia pediu licença para explicar que seu filho apenas queria lhe mostrar fotos da neta.

“Ele não vinha trajado a rigor, e portanto não pôde entrar. A segurança do tribunal acertadamente barrou sua entrada. Instante seguinte, um site altamente dinâmico e acessado publica: homem misterioso portando envelope tenta forçar entrada para entregar isto ao ministro Napoleão. A palavra homem misterioso e envelope tem na nossa linguagem maliciosa tem significado altamente significativo. Passei momentos de indignação e revolta. Que essa pessoa sofra em si o mesmo que me fez passar hoje”, disse, rogando uma praga humorística.

GILMAR “PILATOS” – Não satisfeito coma brilhante piada, Napoleão Maia seguiu em frente e comparou Gilmar Mendes a Pôncio Pilatos, governador romano que decidiu pela crucificação de Jesus Cristo. Ele criticava que Pilatos ouviu a voz do povo ao decidir sobre o destino de Jesus.

O melhor da piada foi que a comparação de Gilmar com um dos homens mais odiados da História teve a intenção de elogiar o presidente do TSE, acredite se quiser, diria o genial Robert Ripley.

“O que Pôncio Pilatos fez foi democratizar sua decisão. Ouvir a vox populi. Deu no que deu. Passou à História como um homem covarde, um juiz sem estrutura mental para enfrentar a turba” — disse o elogioso ministro, dirigindo-se a Gilmar Mendes.

UM HOMEM BONITO – A gozação de Napoleão Maia a Gilmar foi em frente, pois o piadista estava desembestado. Na sequência, Nunes Maia descreveu o governado romano, comparando-o a Gilmar Mendes:

“Pilatos era um homem muito rico, bonito, general, casado com a sobrinha do imperador Tibério. Era poliglota e diplomata. Conversou com Jesus na língua nativa do mestre. Homem ilustrado para aquela época. Se você me permitir, professor Gilmar, vou dizer que Pôncio Pilatos tinha em seu tempo o respeito intelectual, a cultura, a profeciência e a admiração que tem Vossa Excelência hoje no Brasil” — afirmou, levando a plateia ao delírio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desde o início, quando começou a ser elogiado como novo Pôncio Pilatos, Gilmar Mendes ficou incomodado com a criatividade do amigo e admirador. Mas quando se viu comparado a “um homem bonito, general”, foi se abaixando na cadeira e a beiçola balançava, repetindo baixinho: “Menos, Maia… Menos, Maia…”. (C.N.)

 

20 thoughts on “Nunes Maia criou o “Gilmar Pilatos” e a anedota do “vovô, filhinho e netinha”

  1. Aonda está os comentários dos indignados com a politica baixa, com a corrupção, com os desmandos? Ah! Tudo isso só acontecia quando o Brasil era governado pelos petralhas, certo?

  2. A peça de extremo mal gosto encenada no Teatro do TSE demonstra a PODRIDÃO no judiciário brasileiro dominado por comparsas na roubalheira à nação. Para cada MORO, dez mil LALAUS.

  3. Os dois ministros indicados por Michel Temer, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira, sem argumentação, sabiam que estavam prestando um favor, nada acrescentaram, apenas concordavam com a condução do ministro Gilmar Mendes, triste episódio.
    Exmº sr. Ministro Herman Benjamin, merece o título de Ministro, atuou conforme reza a constituição, parabéns.

  4. Boa comparação de Gilmar com Pilatos – até está no Credo “padeceu sob o poder de “Poncio Pilatos”
    , Pilatos foi o homem mau que matou Jesus Cristo. Ele tinha o poder de condenar ou absolver Jesus. Ele tinha dito, referindo-se a Cristo: “Não acho nele crime algum” e optou pela condenação, contra sua consciência. Pilatos tinha necessidade de agradar ao povo que gritava “crucifica-o, crucifica-o”, porque queria continuar sendo o Governador da Judeia que era um alto cargo de imperador. Pilatos e Gilmar mostrando ao povo que eram “um deus” todo poderoso.

  5. Primeiramente, todo respeito à palhaçada dos bons e verdadeiros Palhaços, pois eles o são para arte e a recreação, algumas vezes para sátira construtiva. Mas, há a palhaçada desvirtuada, enganosa, praticada pelos palhaços profissionais, sim, mas especialistas do engodo. É o caso de ontem, quando o palhaço-filho-pai armou uma cena que, por sua vez e concatenada com a segunda, possibilitou ao palhaço-pai-avô provocar a próxima. É verdade que para que isso pudesse acontecer foi paralisado o maior julgamento do TSE (tribunal inútil ao custo de bilhões de reais do meu dinheiro, mas institucional, quê fazer!). Afora as teorias maliciosas e conspiratórias que circulam o caso e das quais não partilho os fundamentos, vejo como único objetivo a garantia da prole, envolvendo uma criancinha de 3 anos no picadeiro do circo onde se praticam as palhaçadas daquela “famiglia”. Estirpe não lhe falta.

  6. Já que associaram a paixão de Cristo a isso que aconteceu em Brasília, nós identificamos no fato quem foi o Cristo, quem foi Pilatos e talvez até uma Maria Madalena.
    Porém, ainda não foi possível perceber quem foi o Judas. Ou teria mais de um?

  7. O ministro Nunes Maia tem por obrigação dizer o nome do blog que noticiou a entrada desastrosa do filho dele no TSE para que possamos conferir a hora da chegada do acontecimento com a hora da publicação no blog. Simples assim.

  8. Como um torcedor de um time de futebol, assim observei este julgamento, feliz pela vitória do time que considero melhor para o Brasil, mais triste pela forma como escolhe as abrigarem. Pois desta forma nem sempre ganhasse com o talentos dos atletas, mais com as artimanhas dos árbitros. E todo brasileiro com um mínimo de conscientização sabe disso.

  9. Muito obrigado Sr Carlos Newton, o meu sábado não tinha começado da melhor forma, mas após ler seu artigo ri muito, desopilei o fígado e meu astral mudou totalmente, para melhor.
    Antes que me apedrejem, “ferrados” nós estamos mesmo, então é menos mau, brincar com a situação, que só será endireitada com sangue, suor e muitas lágrimas.

  10. Que absurdo! Para entrar num antro daquele é preciso estar trajado a rigor. Santo Deus, quem não tem recursos para se trajar “a rigor” não pode entrar no órgão público que deveria ser o guardião da democracia nas eleições. Também, que fazer se não somos um povo?

  11. O “respeitável” ministro Napoleão Nunes Maia ao fim de seu erudito voto fez um sinal de decapitação gutural.

    Não entendii o que isso significa.

    Porém alguém que aprecia os fatos justos e perfeitos possa explicar.

  12. Puro e simplesmente notável o texto e a nota do Moderador, Carlos Newton, em sua visão sem paralelo dos meandros do julgamento, com alta e classuda pitada de humor.
    Aplausos sinceros e grande abraço, nobre articulista.
    Andrade

    • Se não levarmos na brincadeira, Andrade, teremos de pegar em armas para expulsar essa gentalha do poder público. Esses ministros do TSE parecem viver num outro mundo. Como disse Luiz Fux, fugiram da realidade.

      Grato por sua palavras, amigo, e vamos em frente.

      CN

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