O “caboclo” José Serra

Sebastião Nery

O “coronel” Euclides Paes Mendonça, fundador do grupo Paes Mendonça de Supermercados, prefeito de Itabaiana, em Sergipe, era dono de meio Estado. Tinha terra, dinheiro e voto. Quase analfabeto, veio ao Rio, procurou o ex-governador e senador Leandro Maciel.

Queria falar com o brigadeiro Eduardo Gomes, ministro da Aeronáutica de Castelo Branco. Leandro, velho líder da UDN, levou-o lá:

– Senhor ministro, sou da UDN, fui seu eleitor duas vezes, em 1945 e 1950, quando o senhor ganhou as duas eleições em Itabaiana. A cidade  precisa aumentar seu aeroporto, que já ficou pequeno para o crescimento não só dela mas de toda a região. A verba a Prefeitura já tem, mas sei que é preciso uma autorização especial do Ministério para fazer as obras de ampliação. Essa autorização é que vim pedir ao senho

PAES MENDONÇA

O Brigadeiro foi à sala ao lado, veio com um mapa do pais onde estavam sinalizados todos os aeroportos, de todos os niveis:

–  Pois não, senhor prefeito. Vou mandar a comissão que cuida do assunto estudar o caso de Itabaiana.Se estiver dentro de nossas normas e houver possibilidade, o aeroporto de Itabaiana poderá ser ampliado.

O “coronel” Oclides (o povo o chamava assim) saiu desolado:  – Doutor Leandro, agora sei por que aquele “caboclo” não ganha eleição. Político que precisa mandar uma comissão estudar se o aumento de um aeroporto está dentro das normas e possibilidades, não ganha eleição.

O “coronel” Oclides ampliou o aeroporto por conta própria.

PSDB

Quando estourou o escândalo do Mensalão, em 2005, no primeiro mandato de Lula, o mínimo que uma oposição com vergonha na cara poderia ter feito, porque é o que acontece em qualquer parlamento do mundo, era o PSDB criar uma CPI para o Congresso apurar o que havia.

José Serra, que tinha perdido as eleições para Lula em 2002 e era candidato novamente para 2006, correu a Brasilia e convenceu o PSDB a não fazer nada (ele e Fernando Henrique)“e deixar Lula sangrar até o fim”.

Lula sangrou foi o pescoço dos tucanos, comidos ao molho pardo. E, além de derrotar o Alkmin em 2006, ainda derrotou Serra com a Dilma em 2010.

A primeira manifestação politica de Serra candidato em 2010 foi pôr a foto de Lula em seu primeiro programa de TV. Serra adora um algoz.

SERRA

Começa o governo de Dilma e Antonio Palocci, o homem do lixo da prefeitura de Ribeirão Preto e fraudador do sigilo bancário do caseiro Francenildo na “Casa dos Amores” da Asa Sul de Brasília, agora super-chefe da Casa Civil, é flagrado recebendo R$20 milhões de comissões em sua empresa Projeto”, “ganhos” entre a vitória, a transição e a posse.      

O mínimo que a oposição, comandada pelo PSDB, devia fazer, e tentou fazer, era criar uma CPI para o Congresso, constitucionalmente, apurar o que houve. José Serra desceu de repente em Brasília e cobriu Palocci de elogios, só para impedir a CPI. Até parece que são sócios.

Depois, com a cara mais limpa do que a careca, José Serra chegou à convenção do PSDB querendo ser tudo ou qualquer coisa : presidente do partido, presidente do Instituto Teotonio Vilela, etc.. Deram-lhe um chega para lá e só lhe restou a enganação da presidência do Conselho Político,que não tem função politica nem vai aconselhar ninguém

Serra vai acabar vereador de Itabaiana.

PALOCCI  

Em sua coluna na “Folha” e “Globo”, o Elio Gaspari excedeu em sutileza:

“O consultor Antonio Palocci sabia o risco que corria ao prestar serviços ao Banco Santander. As cláusulas de confidencialidade impedem que o banco conte quanto pagou e quem presenciou as palestras do doutor”.

“Em 2009, o Santander foi autuado pela Delegacia de Assuntos Internacionais da Delegacia da Receita Federal de São Paulo. Coisa de R$ 4 bilhões. À época, o banco recorreu e informou que tinha “plena confiança nas instituições brasileiras”. A secretária da Receita, Lina Vieira, foi defenestrada meses depois. Com ela, saíram o superintendente de São Paulo e a delegada de instituições financeiras”.

O que é que o Gaspari quis dizer? Que, por simples coincidência, o Santander se livrou dos R$ 4 bilhões e Palocci faturou R$ 20 milhões?

WAGNER

O governador Jaques Wagner, PT da Bahia, disse à rádio Metrópole, antes da queda de Palocci:

“Em um ano de consultoria você ganha R$ 20 milhões, todo mundo se surpreende, porque é um rendimento muito alto. Isso chama a atenção, como chamou a atenção a questão do apartamento”.

Tudo muito turvo. Por isso deu no que deu.

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