O “Paulistério” como sinônimo de Ministério

Helio Fernandes

Normalmente, como se faz numa transição, tenha ela o nome que tiver ou o sotaque que decifrarem? No caso de Dona Dilma, qualquer decisão dela terá duas ou várias interpretações. Dirão, “é o Lula que está determinando ou escolhendo os nomes”. No caso de querer renovar, será acusada de ingrata, mesmo sem assumir. Nem uma coisa nem outra.

Antes de mais nada, Dilma tem que enfrentar a maldição do sistema presidencialista-pluripartidário. Com uma reforma partidária que já está pelo menos com 25 anos de atraso. Também é impossível encontrar alguém no panorama político que não tenha ligações com Lula. Este está há mais de 20 anos no palco, e que ator.

Muita gente está se arriscando ao examinar nomeações, pode se enganar totalmente ou tolamente, quase as mesmas palavras com sentido diferente. Uma das lições que usam muito: “Um presidente não pode ou não deve nomear um Ministro que não possa demitir”. Ora, um presidente pode demitir quem achar conveniente e/ou incompetente, o que vai acontecer muito, começando até mesmo em 2011.

Os ministros estão saindo em grupos, os quatro anunciados agora, já eram “compensados-derrotados”. Ou sem forma de derrubada. O chanceler Patriota foi o primeiro anunciado, só perderia para uma mulher. Mercadante, derrotadíssimo, precisava de compensação, finalmente conseguiu.

Jobim já estava “galardoado” pelos três Comandantes. Preferiram abertamente um Ministro domado, a outro que pudesse aparecer como indomável. Jobim, como sempre, toma a forma do vaso que contém, é bem capaz de mudar o Ministério para o Complexo do Alemão.

Marcio Fortes (não o ex-deputado do Rio) perdeu o Ministério das Cidades para Mario Negromonte, do PP da Bahia. Mas precisou do “nada consta” do forte governador Jaques Wagner, do PT.

O resto é o resto. Ciro Gomes será ministro certo, quem duvidava? Tendo mudado o “domicílio” para São Paulo, por que ficaria de fora do “Paulistério”?

***

PS – A grande novidade veio de Sarney e do Maranhão, um deputado de 80 anos, que nunca refletiu nada, mesmo na frente de um espelho.

PS2 – A novidade mesmo é Marco Maia, presidente da Câmara. Desconhecido, foi indicado inesperadamente, deixando fora de foco uma dezena de “candidatos”. Por causa disso, é muito bom não apostar tudo nele.

PS3 – Muita gente do PT, PMDB e dos lobistas ligados a Eduardo Cunha e ao esquecido Geddel Vieira Lima, pretendiam eleger o “cassado” João Paulo Cunha, que derrota.

PS4 – E a festa “despedida” de Lula? Que sucesso. O Planalto estava aberto a todos, principalmente os que já “mandaram” muito lá. Além de Lula e Dona Dilma satisfeitíssima (por que não estaria?), outra grande atração só não foi maior do que Lula e Dilma, impossível.

PS5 – Seu nome? José Dirceu. Fez até frase para os repórteres que estranharam sua presença: “Eu nunca saí daqui”. (Devia pagar royalties ao grande comediante americano, Bob Hope, que escreveu um livro com o título: “Eu nunca saí de casa”.

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